[[legacy_image_242414]] A mulher, de 34 anos, que foi agredida, abusada e ameaçada pelo ex-marido em Praia Grande, conversou com a Reportagem de A Tribuna contando toda a angústia que vivia ao longo de seu relacionamento. O homem, de 46 anos, está preso temporariamente. O mandado expedido contra o suspeito foi por conta de diversas provas apresentadas pela vítima. Ele foi preso na manhã da última sexta-feira (27) no Canto do Forte, em Praia Grande. (veja o vídeo mais abaixo) Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Nascida e criada em Praia Grande, a vítima, diz que o casamento durou cerca de cinco anos e sempre foi uma relação abusiva. “Hoje, leio muito sobre relacionamentos tóxicos com narcisista e vejo que, infelizmente, fui mais uma vítima. No começo, eles são muito conquistadores, e, ele era um homem perfeito”. “A gente se envolveu e fomos morar juntos muito rápido. Com menos de um ano, fiquei grávida e, de início, achava os abusos até ‘bonitinhos’, o ciúmes, a preocupação dele”, conta. Segundo a Polícia Civil, o mandado de prisão temporária contra o suspeito foi por estupro de vulnerável. Ele teria abusado sexualmente de sua esposa, ainda casados, enquanto a vítima estava sedada e dopada por medicamentos antidepressivos. “Cheguei a acordar e estar com o lençol todo ensanguentado. Ele me machucava muito. Foram momentos horríveis e eu, como mulher, fui perdendo minha autoestima. Comecei a engordar muito. Deixei de me cuidar e não tinha mais vontade de ter relações sexuais”, diz a vítima. A ex-mulher do preso afirma que passou mais de um ano vivendo sobre estupros constantes quando fazia uso de seus medicamentos. A vítima também explica que tratava uma grave depressão para conseguir se libertar do relacionamento abusivo. “Ele achava tudo aquilo muito prazeroso. Tentei conversar, mas, não sabia como pedir ajuda para sair daquilo. Estava muito adoecida. Vivia um momento em que, ele me chamava rebaixava tanto, que me sentia o próprio lixo. Sem ter como sair daquela vida. Não conseguia ter força para me libertar”, comenta. [[legacy_image_242416]] RelaçãoInicialmente, a mulher diz ter vivido uma relação perfeita. Eles passaram a namorar rapidamente e, depois de um tempo, começaram a viver juntos. “A minha gravidez foi de risco e tive que abandonar o meu trabalho. Acabei me tornando totalmente dependente dele e passei a sofrer agressões físicas, verbais, psicológicas e patrimoniais”. “Ele me fez casar com separação total de bens e eu não podia trabalhar fora. Então era tudo sobre o controle dele. Não tinha mais controle sobre a minha vida. Quando fui morar com ele, uma funcionária ,que estava lá há nove anos, me contou que a ex-mulher dele tinha sido muito agredida. Ela me falou que, quando meu filho nascesse, ele começaria a me agredir. Ela tinha razão”, afirma. A primeira agressão foi durante a gravidez da vítima que, com três meses de gestação, conta ter sido espancada com socos após a comemoração de seu aniversário. O motivo seria ele ter confundido seu sorriso como uma forma de deboche à uma piada que seus amigos fizeram com ele. “Fui embora e ele veio atrás, pediu perdão e chorou. Acreditei que ele pudesse mudar, quando estamos apaixonados perdoamos coisas inadmissíveis. Voltei a viver com ele, tanto é que agressão física durante a gravidez não tive mais. Porém a psicológica e verbal nunca deixou de ter”, explica. DiagnósticoA vítima afirma que, na época, o homem passou com uma psiquiatra que o diagnosticou com transtorno de bipolaridade e ele começou a fazer uso de medicações controladas para manter estável seu humor. Essa mesma profissional parou de atender o marido e começou a tratar a vítima, com a prerrogativa de que iria curá-la para que houvesse uma libertação desse relacionamento abusivo. Foi quando foram receitados os antidepressivos. “Com esses remédios, começaram os estupros. Tinha uma vida de esposa. Não deixava faltar nada. Não tinha o porquê ele cometer isso. Quando estava dopada ou ficava ‘boba’ de medicações, ele se aproveitava. Foram inúmeras vezes, mas para a Delegacia só entreguei dois vídeos, que foram os que consegui”, relembra. CasamentoA vítima processou o suspeito por ameaça de morte e agressão, tanto a ela, quanto ao filho do casal. As ocorrências começaram após a medicação fazer efeito e ela se libertar parcialmente da depressão. “Sai de casa após um tratamento com os antidepressivos e vi que não poderia ficar em Praia Grande, pois ele causaria um inferno na minha vida até me matar, como ele estava prometendo. Vim morar no interior com meus filhos e fiquei oito meses sem contato com ele”. Por conta do filho, a vítima conta que tentou retomar um diálogo pacífico com o homem e manter uma relação próxima. “Durante uma das minhas idas ao litoral, ele me chamou para andar no barco dele e eu fui com o nosso filho. Na nossa frente ele se drogou, bebeu, ficou extremamente agressivo e me espancou no barco. Foi quando desisti de vez de ter contato com ele”. A mulher diz que não tem contato com o ex-marido desde agosto de 2022 e agora está retomando sua vida. “Durante muitos anos fiquei fragilizada e com vergonha. Hoje, entendo, de certa forma, as mulheres que não fazem nada. Minha família veio saber de tudo que eu passei no final do casamento, porque tinha vergonha de me vissem machucada. Nós nunca fomos uma família que falava sobre sexo, quem dirá de estupro dentro do casamento”. Porém, a prisão temporária de seu ex-marido é motivo de preocupação. “Ainda temo pela minha vida, porque a prisão dele inicialmente é de apenas um mês. Tenho medo dele sair e vir cumprir tudo que ele já promete. Se ele ficar um mês, como foi informado inicialmente, todo mundo está temendo pela minha vida”. “Quero me livrar de todo esse peso, do medo e do passado. Quero conseguir refazer minha vida. Hoje já venho melhorando e estamos (ela e o filho) voltando a respirar. A gente perde o amor próprio e agora, pouco a pouco, venho me cuidando para voltar a me amar. É uma cicatriz que fica dentro da gente e não sei quando vai curar. Só desejo justiça por tudo isso”, conclui. Imagens mostram o momento em que os dois brigam na lancha e a mulher é agredida pelo ex-marido em alto-mar. O vídeo contém conteúdo sensível e pode causar algum gatilho em quem assiste. Outro vídeo, que não será adicionado à Reportagem, gravado por um sistema de monitoramento em frente a cama do casal mostra o momento em que houve um suposto estupro enquanto a vítima estava sedada. A Tribuna procurou pela defesa do acusado. Em resposta, o advogado Eugênio Malavasi afirmou que preferia apenas externar que a prisão temporária é “manifestadamente ilegal, porque não estão presentes seus pressupostos”. Também explicou que nesta segunda-feira (30) irá impetrar um pedido de Habeas Corpus a favor de seu cliente. “Não tive acesso ainda (às acusações), mas pelo que vi se trata de estupro de vulnerável que, no momento oportuno, será reprochada, porque ele se declara inocente”.