[[legacy_image_213025]] Mulher envolvida em confusão na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Itanhaém, na última segunda-feira (3), alega ter sido agredida por um funcionário do local e ter ficado constrangida pela repercussão do caso. A unidade fica na Rua José Ernesto Bechelli, bairro Sabaúna. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em entrevista para A Tribuna, Thais Fabiana das Neves, de 38 anos, afirmou estar passando por um quadro severo de depressão após perder sua filha em um acidente de moto no ano passado, o que tornou recorrente suas idas à UPA. Segundo ela, a confusão começou por uma discussão anterior. “Uns quinze dias antes, estava na unidade e fui chamar meu esposo, porque a médica mandou me acompanhar, um guarda veio atrás dele e houve um desentendimento. Esse rapaz colocou o rosto junto com o meu e eu não gostei. Falei para ele que não deveria ter feito aquilo, porque eu tinha autorização para entrar, mas ficou tudo resolvido”, explica. Em uma de suas crises, sua pressão arterial teria subido muito e por isso foi à UPA no dia da confusão. Por conta de seu quadro clínico, ela tem uma autorização para estar na unidade sempre acompanhada. “Quando foi dia 3 agora, fui à UPA com pressão alta de 20 por nove. Entrei pela emergência e meu esposo entrou pela frente. Ele foi fazer a ficha. Meu esposo mostrou o laudo, que eu tinha que ter acompanhante, e eu já tinha saído da emergência. Ele veio encontrar comigo, sentei na cadeira de rodas e já tinha sido medicada”, conta. Thaís afirmou ter passado por um procedimento cirúrgico recentemente e, no dia do ocorrido, ainda estava com pontos na região íntima. Por conta disso, ela contou que, para evitar a dor, precisava estar de cadeira de rodas. "Nisso vem esse funcionário, que diz ser guarda, tomar satisfação com o meu esposo sobre o motivo dele ter se desentendido com o amigo dele. Eu cheguei e falei pra ele dar licença que tudo já tinha sido resolvido. Ele olhou para a minha cara e disse que não ia sair. Eu falei: ‘Estou com dor e o senhor está me incomodando’, aí ele continuou falando que não ia sair”, afirma. Segundo ela, foi neste momento em que seu esposo se levantou e falou com o funcionário, quando foi empurrado pelo guarda. “Eu levantei da cadeira de rodas, porque ele veio em cima e o meu marido estava em um lugar apertado, que não tinha nem como se defender. Levantei e fiquei no meio. Foi aí que ele começou a me agredir”, relembra. Para a vítima, a situação foi o suficiente para que não retornasse à unidade. “Ele me agrediu, levantaram o cassetete para cima de mim. Eu tenho laudo psiquiátrico, tomo remédio e faço acompanhamento. Já é a segunda vez que acontece isso. É um constrangimento para mim”, diz. “Estou precisando sair daqui para Mongaguá para ir ao hospital, porque eu fico constrangida e com medo de tudo isso acontecer de novo. Estou de luto e eu fico dentro de um quarto o dia inteiro, eu não saio”, alega. Nas imagens divulgadas na internet, é possível ver que Thais discutiu com agentes da Guarda Civil Municipal (GCM), mas ela alegou não ter sido agredida por nenhum deles. A única situação que lhe incomodou envolveu uma enfermeira. “Outra coisa que ficou chata é que tem uma parte de um vídeo que uma enfermeira está puxando a minha calça, acho que parece até meu bumbum. Ela estava me puxando com tudo para me jogar na cadeira de rodas. Todo mundo que estava ali viu parte do meu bumbum”, comenta. Como Thais estava recém-operada, ela contou que os pontos ficaram machucados pela pressão feita para ela sentar na cadeira de rodas, porém alegou que não abriu nenhum ponto. A repercussão do caso afetou ainda mais a depressão de Thais. “É muita tristeza, estou a base de calmante. Só choro, não consigo comer, nem tomar banho e não saio de dentro do quarto. Só quero ficar isolada porque li muitos comentários das pessoas me julgando e tem gente me ligando. Isso acaba mexendo mais com o meu psicológico”, informa. Nascida e criada em Itanhaém, a vítima alegou que agora prefere ir à Mongaguá para realizar consultas médicas. “Eu não vou à UPA. Estou constrangida, com vergonha, com medo. Eu estou sendo perseguida. Estou muito chateada com toda essa situação que vem acontecendo”, conclui. A Prefeitura de Itanhaém afirmou, em nota, que instaurou um processo administrativo para apuração dos fatos ocorridos na Unidade de Pronto Atendimento. A Administração informou que se encontra a disposição para que não haja nenhum prejuízo ao atendimento realizado pela paciente. Sem mais detalhes sobre o caso.