Murilo dirigia o Jeep Renegade que bateu na Avenida Leomil, em Guarujá; acidente causou a morte da nutricionista Daniella (Reprodução e Reprodução/ Redes sociais) Murilo Rabello Abite, de 26 anos, motorista preso após bater o carro sob efeito de álcool e causar a morte da nutricionista Daniella Ferraz Rooth, de 25 anos, em Guarujá, no litoral de São Paulo, admitiu à Polícia Civil que bebeu duas cervejas horas antes do acidente. O depoimento consta no boletim de ocorrência (BO), obtido por A Tribuna, que também reúne as versões de outras testemunhas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O motorista teve a liberdade provisória concedida nesta segunda-feira (20), após passar por audiência de custódia e pagar fiança de R\$ 8.105, equivalente a cinco salários-mínimos. A Justiça também determinou o cumprimento de medidas cautelares. Daniella morreu após o Jeep Renegade em que estava (pilotado por Murilo) colidir com um poste na Avenida Leomil, na manhã de domingo (19). O motorista foi preso em flagrante por suspeita de homicídio culposo na direção de veículo automotor e embriaguez ao volante. Segundo o boletim de ocorrência, Murilo contou, acompanhado do advogado, que participou de uma confraternização em Santos e consumiu aproximadamente duas cervejas por volta das 22 horas de sábado (18). Ele afirmou que permaneceu no local por várias horas, bebeu água e aguardou tempo suficiente antes de retornar a Guarujá, por acreditar que já estava em condições de dirigir. Ao deixar a confraternização, já durante o amanhecer, uma amiga, Daniella, pediu carona, pois morava próximo à casa de Murilo. O pedido foi atendido. Daniella ocupava o banco traseiro, do lado direito. Murilo relatou que seguia de Santos para Guarujá pela Rodovia Cônego Domênico Rangoni e, ao chegar próximo à residência de Daniella, na região central de Guarujá, fez uma conversão à direita, em vez de seguir em frente. Depois, passou por um buraco na via e perdeu o controle do veículo. O motorista disse ainda que sua última lembrança era justamente desse momento e que não conseguia recordar os acontecimentos seguintes. Negócio familiar Murilo acrescentou que trabalha desde 2019 em uma empresa familiar, mantida em sociedade com o pai e o irmão, voltada ao comércio de materiais de construção, produtos de limpeza e materiais para piscina, além da execução de serviços de construção civil por meio de uma empreiteira da família. Também é estudante de Engenharia Civil e está matriculado no último semestre do curso. O motorista afirmou que nunca havia se envolvido anteriormente em acidente de trânsito e que percorreu o trajeto entre Santos e Guarujá sem intercorrências. Sobre o veículo, declarou que o automóvel pertencia a ele, ao pai e ao irmão. O carro havia sido adquirido recentemente, mas a transferência para a empresa ainda não havia sido formalizada. A Tribuna não conseguiu localizar a defesa de Murilo, mas o espaço permanece aberto para manifestações. Versões O boletim de ocorrência informa ainda que policiais militares foram acionados após outra equipe se deparar com o acidente. Como os agentes estavam fora da área de sua cobertura, solicitaram o comparecimento da equipe responsável pelo local. Ao chegarem, os policiais encontraram o Jeep Renegade, já acidentado, e o condutor, Murilo, acompanhado de um homem. Os demais envolvidos e a Daniella já haviam sido socorridos e levados para atendimento médico. Inicialmente, a equipe não tinha conhecimento da morte de Daniella. Posteriormente, outra equipe foi ao hospital Casa de Saúde e constatou o falecimento da nutricionista. Os policiais observaram ainda que Murilo apresentava sinais de ingestão de bebida alcoólica, incluindo odor etílico. O motorista recusou o teste do etilômetro e foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Santos para exame clínico. O outro homem que estava com ele declarou que conhece Murilo e mantém relação de amizade com ele. Relatou que ambos participaram de uma festa em Santos e retornavam para Guarujá ao amanhecer, acompanhados de outras pessoas. O homem ocupava o assento central do banco traseiro, enquanto Daniella estava ao seu lado direito. Segundo o depoimento, os ocupantes do banco traseiro não usavam cinto de segurança. O homem afirmou ter ingerido bebida alcoólica durante a festa, mas disse não saber se Murilo também havia consumido álcool, pois não acompanhou suas ações durante todo o evento. O homem não se recordava do momento do acidente. Sua última lembrança era estar acordado dentro do veículo e, depois, ver o automóvel já batido. O passageiro disse que ficou com escoriações nos braços e no joelho, mas não precisou de atendimento médico. Também afirmou que não deseja representar criminalmente contra Murilo pelas lesões, nem se submeter a exame de corpo de delito. Um outro homem que estava de passageiro no carro contou que estava trabalhando em um evento de tatuagem e não permaneceu com o grupo durante a maior parte do tempo. Após o encerramento das atividades, aceitou uma carona de Murilo. Segundo ele, além do motorista, estavam no veículo uma mulher no banco dianteiro do passageiro, e um casal no banco traseiro. Ele ocupava o lado esquerdo do banco traseiro e afirmou não ter presenciado diretamente o consumo de álcool de Murilo, pois estava trabalhando em uma área reservada. Durante o trajeto, o passageiro dormiu e acordou com o impacto, percebendo intensa fumaça dentro do veículo. Após sair, viu o casal desacordado. A mulher apresentava sangramento intenso pela boca, pelo nariz e pela região dos ouvidos, além de sinais de convulsão. O homem disse que auxiliou a vítima a sair do veículo e permaneceu ao lado dela enquanto pedia socorro. Um outro homem, que aparentava conhecer os envolvidos, ofereceu ajuda para o transporte emergencial. A mulher foi levada ao Hospital Santo Amaro. Uma mulher, que estava como passageira, relatou que estava no banco dianteiro e dormia no momento do acidente. Ela despertou com o impacto no poste e não presenciou os instantes anteriores à colisão. Disse que usava cinto de segurança e conseguiu sair do veículo por conta própria. Segundo ela, Daniella estava no banco traseiro e Murilo era o condutor. Ela afirmou não saber se ele havia ingerido bebida alcoólica, pois não permaneceu com o motorista durante toda a festa. Acrescentou que não percebeu nada anormal durante o trajeto. A passageira acrescentou que, inicialmente, não imaginou que o acidente tivesse maior gravidade e que saiu andando do local, embora estivesse em estado de choque. Também afirmou que Daniella aparentemente sofreu uma lesão na cabeça. A mulher teve escoriações no ombro direito e recebeu atendimento médico. Exames de raio X do tórax e das costelas não identificaram lesões. Ela declarou que não deseja processar Murilo, nem se submeter a exame de corpo de delito. Novas testemunhas A terceira versão do boletim de ocorrência diz ainda que a Polícia Civil recebeu um vídeo de câmeras de monitoramento instaladas nas proximidades do local do acidente. Em uma análise preliminar, os investigadores identificaram, além das pessoas já qualificadas, outras três que desembarcaram do veículo momentos após o acidente. Diante disso, a autoridade policial determinou a expedição de uma ordem de serviço para que investigadores realizem buscas visando localizar e qualificar os indivíduos. Após isso, eles deverão ser ouvidos para contribuir com o esclarecimento da dinâmica do acidente. Acidente De acordo com a Polícia Militar (PM), o carro transportava oito pessoas quando bateu em um poste na Avenida Leomil, no bairro Pitangueiras. Daniella foi socorrida e encaminhada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Durante o atendimento, os policiais observaram que Murilo apresentava sinais de embriaguez. Ele se recusou a realizar o teste do etilômetro e foi encaminhado ao distrito policial, onde passou por exame pericial que constatou a ingestão de álcool. Os demais passageiros sofreram ferimentos leves ou escoriações, segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP). O caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor e embriaguez ao volante.