[[legacy_image_287836]] Um motorista de aplicativo, de 65 anos, foi vítima de um sequestro relâmpago na tarde desta quarta-feira (9) na Avenida Dique do Meio, na Vila Margarida, em São Vicente. O idoso foi rendido por dois bandidos que estavam no carro como passageiros após uma corrida iniciada na Avenida Ana Costa, no Gonzaga, em Santos. A vítima ficou cerca de 2 horas na posse dos criminosos. A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência, onde a vítima explica que às 16h30 foi chamada para uma corrida de um shopping na Avenida Ana Costa até a Vila Margarida. Dois homens, jovens e brancos, entraram no carro. O homem detalha que um deles usava um agasalho verde e tinha um “bigode fino”. Durante a corrida, enquanto passava pela Avenida Nações Unidas, na Vila Margarida, a vítima contou que a dupla mostrou uma arma de fogo anunciando que era um roubo. Neste momento, mais três homens entraram no carro e um deles tomou controle da direção. O motorista de aplicativo teve que ficar no banco traseiro com a cabeça abaixada. De acordo com o documento policial, o criminoso dirigiu por cerca de vinte minutos, enquanto roubavam um relógio de R\$ 100, um aparelho celular, uma aliança de R\$ 3 mil, R\$ 250, a carteira com a identidade dele, os documentos do carro, um cheque de R\$ 800, carteira de plano de saúde e cartões de crédito e débito. Fora isso, a quadrilha também exigiu que a vítima passasse todas as senhas dos aplicativos de banco. Com medo, o idoso passou todas. Em seguida, o motorista de aplicativo foi para um cativeiro pequeno com dois dos criminosos, onde ficou por 15 minutos. Momento em que afirma ter sido fotografado pelos bandidos, que pretendiam utilizar as imagens para pedirem empréstimos nos bancos em que a vítima possuía conta. Na sequência, o idoso foi levado para um cativeiro maior, onde ficou por 30 minutos sozinho. Porém, logo um criminoso chegou e levou a vítima para um matagal por mais trinta minutos. Essas transferências se davam pela aproximação dos policiais militares (PMs) nas imediações. Depois do tempo no matagal, o idoso retornou para o cativeiro maior e foi amarrado pelos pulsos e pernas. O motorista de aplicativo relembrou também que havia um porco dormindo no local. Dois criminosos o acompanharam pedindo senhas, mas a vítima relata que já havia informado tudo que sabia. Ao notar novamente a presença da polícia nas proximidades, os criminosos começaram a caminhar com a vítima em uma área de maré e mangue com palafitas. O idoso narra que foram dez minutos de caminhada, até que foi colocado deitado em um matagal por mais 15 minutos. Por fim, foi levado até outro cativeiro, que tinha um cavalo dentro, e notou que parecia uma ‘fábrica’ de drogas. O idoso ficou dentro do local por mais dez minutos, até ser levado novamente para um matagal. Durante a caminhada, um outro criminoso apareceu e exigiu que a vítima fosse levada para a Rua do Meio e que fosse liberada lá. Assim que feita a liberação, o idoso andou por mais 20 minutos até que chegasse na base da PM no Parque Bitaru. O motorista de aplicativo disse que chegou a pedir ajuda de desconhecidos, mas o socorro foi negado. De acordo com o boletim, a vítima ainda não teve tempo de calcular o prejuízo financeiro causado pelos criminosos e acredita que não poderia ser capaz de reconhecer os bandidos, pois foi mantido com a cabeça abaixada durante todo o crime. Também afirmou que eles não foram agressivos fisicamente, mas está com dor nos pulsos, por ter sido amarrado, e nos pés, por ser obrigado a caminhar descalço. Cativeiro já descobertoO caso foi registrado como roubo no 2º Distrito Policial (DP) de São Vicente. A equipe liderada pelo delegado titular Armando Lyra encontrou nesta quinta-feira (10) um dos cativeiros informados pela vítima. O espaço fica na Avenida Brasil e é considerado como ponto de venda de drogas. Os policiais civis encontraram drogas e anotações do tráfico no espaço, assim como objetos relacionados ao crime. O tênis da vítima, blusa e saco que foram utilizados para cobrir o rosto do sequestrado estavam dentro do local, além de um espelho que será submetido a perícia.