[[legacy_image_120134]] Após a prisão de quatro homens envolvidos no estupro coletivo de uma jovem de 24 anos, em Praia Grande, a delegada responsável pela identificação e captura dos suspeitos, Lyvia Bonella, titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande, disse ter se surpreendido com a violência do crime. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! "Desde que cheguei aqui, estupro coletivo é o primeiro que vi", disse a delegada, em entrevista para A Tribuna na quinta-feira (4). Ela conta que o grupo manteve relações não consentidas com a vítima e que um dos quatro envolvidos era um motoboy que não conhecia os participantes. "Ele foi levar comida e acabou convidado a participar do estupro", conta a delegada. "A vítima é alcóolatra. Ela esteve até internada e saiu recentemente. Eles a conheceram na praia, no mesmo dia do estupro. Todos foram à casa de um rapaz, com quem ela havia ficado na praia. Ele não conseguiu manter a ereção para ter relações consentidas com ela". Antes do crime, o grupo chegou a comprar mais bebidas com o cartão de crédito da vitima. "Ela chegou a um ponto de embriaguez em que não se lembra de muita coisa. Tem flashes, se lembra de ver uma luz e acha que foi filmada. Exames feitos no Hospital Irmã Dulce confirmaram o estupro e o próprio hospital acionou a polícia". De acordo com a delegada, o rapaz com quem ela ficava não participou do estupro. "Ele colaborou com a polícia. No momento, não vejo motivo para indiciá-lo". Lyvia conta que ficou surpresa ao interrogar os envolvidos, já que o grupo demonstrou acreditar que ser "normal" ter relações com uma pessoa que não pode consentir. "É aquela cultura machista: 'se ela bebeu, a responsabilidade é dela'. Quando você está bêbada, vulnerável, você não tem direito de atacá-la como um animal. É inacreditável. Diziam que ela queria, mas ela não tinha condições de querer, de dar o consentimento". [[legacy_image_120135]] OrientaçõesA delegada reforça que "a vítima não tem culpa. Por ser mulher e estar embriagada, ela tem uma dupla vulnerabilidade". Em casos de estupro, Lyvia orienta as vítimas a procurarem um hospital imediatamente, antes da delegacia. "Primeiro, a saúde. Lá, a vítima vai evitar uma gravidez indesejada, tomar um coquetel para não contrair HIV e se proteger contra outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)". Na sequência, a vítima deve procurar uma delegacia. "Se possível, também guardar a roupa que usava no momento do crime, para ser levada ao Instituto de Criminalística". Relembre o casoA Tribuna mostrou nesta quinta que a Polícia Civil prendeu, durante a manhã, quatro homens suspeitos de estuprarem uma jovem de 24 anos em Praia Grande. O estupro coletivo ocorreu no último dia 24. Os suspeitos, com idades entre 19 e 37 anos, já tinham mandados de prisões temporárias expedidos contra eles. Em nota enviada à imprensa, a polícia afirma que o grupo praticou "conjunção carnal e atos libidinosos sem o consentimento da vítima". As prisões foram efetuadas por policiais da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande, com o apoio de agentes do Grupo de Operações Especiais (GOE).