[[legacy_image_293299]] Evandro Alves da Silva, de 43 anos, estava trabalhando quando foi abordado e alvejado por policiais do 5º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), na tarde desta quarta-feira (30), no Morro do José Menino, em Santos, no litoral de São Paulo. Segundo sua esposa, Anna Marques, o marido teve passagens criminais, mas já cumpriu pelos crimes cometidos há 20 anos e nos últimos dois anos responde em liberdade e buscava reconstruir sua vida. “Ele estava lá trabalhando. Os policias já o tinham abordado no trabalho há dois dias. Ele tinha dados seus documentos, mostrou que o local onde estava era usado a trabalho. Não sei exatamente o que aconteceu ontem (30). Eu duvido que meu marido tenha reagido de alguma forma essa nova abordagem, principalmente com arma de fogo. O que eu sei é que estão executando todos que tem passagem”, desabafa. De acordo com Anna, o local onde aconteceu a abordagem policial é um ponto de moto táxi que ele alugava com outros motoboys, como uma base de apoio. O local era usado para descanso, tinha banheiro e eles guardavam os utensílios usados nas entregas. Ela explica ainda que na ocorrência desta quarta-feira, Evandro estava sozinho e levou dois tiros, ambos no tórax. Um atingiu o pulmão e o outro o baço, que precisou ser retirado. “Eu sei que tem bons policiais, mas quem fez isso com ele hoje não faz parte dessa parcela, eles executaram uma pessoa que estava trabalhando. O estado de saúde dele é grave porque perdeu muito sangue, pois demoraram muito para chamar resgate. Se não fosse o médico da ambulância ter o entubado, ele não teria chegado vivo ao hospital”, conta. [[legacy_image_293300]] ManifestaçãoAmigos de Evandro se reuniram em protesto na noite desta quarta-feira (30). Indignados com o ocorrido, os colegas de trabalho e moradores do morro ficaram na Avenida Presidente Wilson (avenida da praia, na ‘divisa’ com São Vicente), próximo à subida do morro onde o caso aconteceu. Veja o vídeo mais abaixo. Dezenas de pessoas se reuniram para contestar o ocorrido e chegaram a interromper o trânsito local. O ato começou por volta das 20 horas e teve buzinaço de motoboys e cartazes. A polícia foi até o local e dispersou os manifestantes com bomba de gás lacrimogênio. “A gente ‘tudo na maior pacificação’ e ele (policial) pega e joga (a bomba)”, diz a moradora do morro Vanessa Carolina Marcelo, que ressaltou que havia crianças no local. A Reportagem procurou a Polícia Militar (PM), a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) e as prefeituras de Santos e São Vicente (municípios envolvidos) sobre a manifestação, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta. Versão de amigosSegundo um amigo, o homem estaria em uma casa que era utilizada por motoboys como ponto de encontro entre as corridas realizadas. Foi quando os policiais do 5º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) chegaram e deram os disparos. Na versão da Polícia Militar (PM), após suspeitos fugirem, os policiais encontraram o homem armado e ‘para cessar o iminente risco à vida da equipe, foram efetuados disparos de armas de fogo’ contra o suspeito. “Os caras estão mentindo. A única coisa que ele carrega é a filhinha dele”, contou um amigo à Reportagem. SPPDe acordo com a SSP, o homem, de 43 anos, foi baleado ao reagir a uma abordagem policial. "Policiais militares do 5° Batalhão de Ações Especiais (Baep) realizaram patrulhamento na região, quando ouviram indivíduos correndo para dentro de uma viela", diz em nota. Afirma que os PMs foram até o local e lá viram o momento em que o suspeito apontava uma pistola em direção a equipe. "Foi dada ordem de parada, mas o homem não obedeceu e os policiais intervieram. O suspeito foi baleado e encaminhado ao hospital da Santa Casa, onde permanece internado". Com ele foi encontrado uma pistola Glock, diz a SSP. A arma foi apreendida, juntamente com as dos PMs envolvidos na ação. O caso foi registrado como lesão corporal decorrente de intervenção policial, porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, legítima defesa e resistência no 2° DP de Santos, que solicitou perícia para o local dos fatos. Ainda segundo a Polícia, Evandro tinha passagens por roubo, homicídio, porte ilegal de arma de fogo e evasão da unidade prisional, mas não informaram quando os crimes foram cometidos. De acordo com a esposa, ele respondeu por roubo e extorsão com resultado morte, sendo crimes ocorridos em 2001. Mas há dois anos estava respondendo em liberdade.