Um dos envolvidos na imobilização de um homem de 40 anos que morreu por asfixia após entrar em surto em Santos, no litoral de São Paulo, afirmou à Polícia Civil que interveio para impedir que a vítima continuasse se machucando ou colocasse terceiros em risco. Ele admitiu ter participado da contenção, mas negou qualquer agressão. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ele compareceu espontaneamente ao 3º Distrito Policial (DP) de Santos, acompanhado de advogado, e apresentou sua versão sobre o episódio ocorrido em 30 de julho, na Rua Pedro Ivo, no Embaré. Segundo o depoimento, o homem trafegava pela região em uma bicicleta elétrica quando encontrou a vítima em estado de intenso descontrole comportamental. Ele relatou ter visto o homem investir contra veículos estacionados e dar socos em para-brisas e latarias. Diante da situação e sem a presença imediata de policiais ou profissionais de saúde, ele afirmou que resolveu intervir por acreditar que havia risco tanto para a própria vítima quanto para outras pessoas. De acordo com o registro policial, a atuação “teria sido motivada pela intenção de evitar que o indivíduo continuasse lesionando a si próprio ou colocasse terceiros em perigo”. A investigação sobre a morte é conduzida pelo delegado titular do 3º DP de Santos, Wagner Camargo, e pelo investigador-chefe Ibrahim. A equipe trabalha com imagens de câmeras de monitoramento, depoimentos e provas periciais para reconstruir a participação de cada pessoa na contenção. Acreditava estar colaborando O homem admitiu à polícia que participou diretamente da imobilização. Segundo ele, porém, sua intenção era prestar auxílio diante de uma situação que considerou emergencial. O investigado afirmou que acreditava estar colaborando para controlar uma situação de risco e que não percebeu, durante a imobilização, sinais evidentes de comprometimento respiratório ou agravamento do estado de saúde da vítima. Ele negou ter dado socos, chutes ou outros golpes contra o homem. Segundo seu relato, a vítima chegou a se ajoelhar e colocar as mãos sobre a cabeça. Nesse momento, o investigado teria segurado os braços dela pelas costas. A contenção também contou com a participação de outras duas pessoas. Conforme a versão apresentada no depoimento, um deles permaneceu segurando as pernas da vítima, enquanto o outro envolvido ficou posicionado sobre a região superior do corpo. Depois de alguns minutos, um popular teria levado uma corda, utilizada para amarrar os membros do homem. A vítima foi posteriormente colocada perto do portão de um edifício enquanto aguardavam a chegada do atendimento. Polícia apura compressão no pescoço Apesar da justificativa apresentada, um dos pontos centrais da investigação é determinar como ocorreu a asfixia que provocou a morte e qual foi a participação de cada um dos envolvidos. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou asfixia como causa da morte. A Polícia Civil também apura informações obtidas durante outras diligências de que um dos participantes da contenção teria aplicado uma técnica de compressão na região cervical da vítima. Questionado, o homem disse não ter condições de confirmar se houve uma manobra de estrangulamento. Alegou que estava concentrado em segurar os braços da vítima e que, devido à movimentação e à quantidade de pessoas no local, não conseguiu observar com precisão a atuação do outro envolvido. Em entrevista anterior para A Tribuna, Wagner Camargo afirmou que a análise das imagens indicava excesso durante a contenção. “Subiram no pescoço, deram mata-leão e ele acabou falecendo”, declarou o delegado na ocasião. Homem afirma que permaneceu até a chegada da PM Outro ponto relatado pelo investigado é que ele teria permanecido no local após a contenção até a chegada da Polícia Militar. Segundo sua versão, ele informou espontaneamente aos policiais que havia participado da imobilização e não tentou esconder seu envolvimento. O interrogado afirmou ainda que não sabia que a vítima havia morrido quando deixou o local. Ele teria descoberto o desfecho apenas semanas depois. Em 24 de agosto, segundo o depoimento, ele viu uma reportagem divulgada nas redes sociais com imagens da ocorrência. O homem se reconheceu nas gravações e tomou conhecimento da morte. Após procurar orientação jurídica, decidiu comparecer ao 3º DP para prestar esclarecimentos. Conforme publicado anteriormente por A Tribuna, o homem entrou em crise após saber da morte do pai. A ocorrência aconteceu em 30 de julho. Quando policiais militares chegaram à Rua Pedro Ivo, encontraram a vítima amarrada e inconsciente. Ela foi encaminhada à UPA Zona Leste, onde a morte foi constatada. A versão registrada inicialmente era de que o homem teria batido a cabeça diversas vezes contra um vaso, dado socos contra a própria cabeça e investido contra pedestres e veículos. O depoimento do investigado agora passa a integrar o conjunto de provas do inquérito. A Polícia Civil prossegue com a análise das imagens, dos laudos e das declarações para estabelecer a responsabilidade individual de cada envolvido e esclarecer as circunstâncias que levaram à morte.