Três passageiros que estavam no carro com a nutricionista Daniella Ferraz Rooth, de 25 anos, morta após o veículo colidir contra um poste em Guarujá, no litoral de São Paulo, prestaram depoimento à Polícia Civil no sábado (1º). O trio — uma mulher de 20 anos, o namorado dela, de 26, e outro homem, também de 20 — afirmou ter deixado o local sem perceber a gravidade do acidente e só ter tomado conhecimento da morte da vítima no dia seguinte. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O acidente ocorreu na madrugada de 19 de julho, na Avenida Leomil, no bairro Pitangueiras. Na ocasião, Daniella estava no carro com outras sete pessoas. O grupo havia saído de uma festa em Santos e aceitado carona de Murilo Rabello Abite, de 26 anos. O motorista, que estava embriagado, foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Civil identificou os três passageiros após analisar imagens de câmeras de monitoramento instaladas nas proximidades do local. Antes deles, outros três ocupantes do veículo já haviam prestado depoimento. Após a identificação, o trio compareceu à delegacia no sábado, acompanhado de um advogado, e foi ouvido na condição de testemunha. A jovem de 20 anos relatou que dormia no momento do acidente e acordou apenas com o impacto. Segundo ela, deixou o carro junto com o namorado e seguiu a pé até a casa dele, localizada a cerca de duas quadras do local. Ainda conforme o depoimento, ela só soube da morte de Daniella por volta das 11h. O namorado afirmou que estava acordado, mas distraído, e não soube detalhar as circunstâncias da colisão. Ele disse que deixou o local com a companheira por acreditar que a situação estava “sob controle”, já que a Polícia e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) haviam sido acionados, e por não ter percebido a gravidade do estado de saúde da vítima. Já a terceira testemunha, um homem de 20 anos, afirmou que dormia no porta-malas no momento do acidente. Ele relatou que permaneceu cerca de um minuto e meio no compartimento após a batida, sendo retirado pelos outros passageiros, e que ficou no local até a chegada do Samu. Prisão Murilo foi preso em flagrante por suspeita de homicídio culposo na direção de veículo automotor e embriaguez ao volante. Ele teve a liberdade provisória concedida na segunda-feira (20), após audiência de custódia e pagamento de fiança de R\$ 8.105. A Justiça também determinou o cumprimento de medidas cautelares. Conforme noticiado por A Tribuna, o motorista admitiu à Polícia Civil que havia ingerido duas cervejas horas antes do acidente, segundo o boletim de ocorrência obtido pela reportagem. Denúncia A denúncia foi oferecida pelo MP-SP no dia 20 de julho. O promotor de Justiça Daniel Santerini Caiado apontou que Murilo cometeu homicídio e lesão corporal, ambos na modalidade culposa, na direção de veículo automotor. Além da indenização mínima de R\$ 100 mil aos herdeiros de Daniella, o promotor solicitou o pagamento de, no mínimo, três salários-mínimos à vítima sobrevivente. A acusação também pediu o prosseguimento da ação penal até eventual condenação. Segundo a denúncia, Murilo participou de uma confraternização em Santos, onde ingeriu bebida alcoólica, e seguiu dirigindo até Guarujá com passageiros no veículo. Na Avenida Leomil, em Pitangueiras, o motorista teria perdido o controle da direção devido à embriaguez e ao comprometimento da capacidade psicomotora, colidindo com um poste de iluminação pública. Com o impacto, Daniella, que estava no banco traseiro, morreu em decorrência de traumatismo cranioencefálico grave e choque hemorrágico. Outra passageira sofreu escoriações. O MP-SP sustenta que Murilo agiu com imprudência e negligência ao dirigir sob efeito de álcool e permitir que passageiros no banco traseiro viajassem sem cinto de segurança. Após o acidente, policiais militares constataram sinais de embriaguez no motorista. Embora tenha se recusado a fazer o teste do bafômetro, o exame clínico realizado no Instituto Médico Legal (IML) de Santos apontou hálito etílico, atenção dispersa e dificuldade de concentração, entre outros indícios compatíveis com o consumo de álcool. Defesa do motorista O advogado Eugênio Malavasi, que representa Murilo, afirmou que assumiu recentemente a defesa e manifestou pesar pela morte de Daniella, solidarizando-se com familiares e amigos. “Trata-se de uma tragédia que igualmente atingiu pessoas que mantinham estreitos vínculos de amizade e convivência, circunstância que, por si só, impõe absoluto respeito à dor de todos os envolvidos. Justamente por essa razão, a defesa não fará considerações acerca dos fatos neste momento”, declarou. Segundo ele, todas as circunstâncias serão analisadas no curso do processo, com respeito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal. A defesa afirmou ainda confiar no regular andamento da ação penal.