[[legacy_image_327723]] Meses de procura e o tão sonhado emprego se tornou uma verdadeira dor de cabeça para um grupo de moradores de Santos. Após a notícia de que passaram pela última etapa do processo seletivo, os candidatos descobriram que caíram em um golpe. A Tribuna conversou com duas vítimas nesta quinta-feira (18). Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Tudo começou após as duas vítimas - que optaram por não se identificar - se candidatarem para uma suposta vaga de emprego de auxiliar administrativo na MSC Shipping pela plataforma Infojobs. Na tarde da última segunda-feira (15), as duas foram comunicadas que teriam sido convocadas para a fase de entrevistas, e deveriam entrar em contato com um perfil no aplicativo de mensagens Telegram. Lá, os dois moradores de Santos foram atendidos por Carla Gomes - com uma foto de perfil que mais tarde descobriram ser falsa - e a mesma pediu para que as vítimas preenchessem um formulário com dados pessoais, incluindo documentações e endereço residencial. Depois de concluído, a suposta responsável pelo RH da MSC dava a notícia da aprovação no processo seletivo. Na sequência, Carla convocou-os para uma reunião presencial com o supervisor, para concluir o processo admissional. Porém, solicitava à vítima que levasse os documentos pessoais e um exame toxicológico. Este teste médico deveria ser realizado por conta do próprio candidato. A 'clínica própria' que realizaria o exame por R\$ 180 foi indicação da golpista. O pagamento deveria ser feito por meio de uma transferência por Pix, e o teste seria agendado em seguida. Após o pagamento, Carla passava um endereço e horário para atendimento na suposta clínica. Uma moradora de Santos pagou e descobriu que se tratava de um golpe ao chegar na clínica, que não existia. A vítima relatou que foi à MSC na manhã de terça-feira (16) e se deparou com outras pessoas que também caíram na mesma armadilha. Ela procurava por emprego há seis meses, e afirmou que foi uma ‘quebra de expectativa’. “Fiquei chateada e muito frustrada. Ouvindo a história de outras pessoas, vi o quanto isso causou em quem estava esperando por uma oportunidade. Ali havia um rapaz que estava prestes a pedir as contas do trabalho onde estava pois teria conseguido um emprego melhor. Pessoas podem até deixar os seus trabalhos atuais acreditando nessa mentira”, alertou a vítima. Outro homem não chegou a pagar o valor pois suspeitou, e decidiu ligar para a MSC antes. A atendente lhe informou que se tratava de um golpe. “Quando ela disse que eu tinha que pagar, acendeu uma luz (de dúvida). Geralmente a empresa paga. Queriam o pagamento na hora, e deram uma opção de deixar para pagar depois, mas não garantiriam o resultado na hora”. “Tentaram armar uma situação para a pessoa ser pressionada e pagar na hora. Muitas vezes é o único dinheiro que a pessoa tem, ou até pede emprestado para alguém, e acaba caindo nesse golpe. Me senti aliviado (por não ter caído) porque sou muito desconfiado”, relatou o homem. As duas vítimas temem agora por uma outra questão, pois passaram os seus dados pessoais para os golpistas por meio do formulário. “Não sei se eles vão querer usar meus dados para aplicar algum golpe ou qualquer outra coisa. Fico receoso. E agora?”, comentou o homem. O que diz a MSC? Procurada, a MSC Shipping informou que os casos começaram a aparecer há duas semanas e chegaram ao conhecimento da empresa inicialmente por ligações. De imediato, foram divulgadas mensagens de alerta nos perfis da empresa, informando que não se tratava de um anúncio verdadeiro. A MSC ressaltou que todas as vagas são divulgadas em perfis oficiais ou em sites parceiros, como o Vagas.com. Reforçou que os colaboradores não utilizam o Telegram como forma de entrar em contato com candidatos. Assim como, também, não cobra por exames médicos. Fora isso, a empresa afirmou que foram registrados boletins de ocorrência sobre os casos, e deixaram nas mãos das autoridades policiais a apuração dos fatos. A MSC lamentou o fato, e se diz vítima também dos golpistas, e orientaram aos candidatos sempre buscarem por canais oficiais. A Tribuna procurou o Telegram e a plataforma Infojobs para um posicionamento sobre o caso, porém não obteve retorno até a publicação desta matéria.