[[legacy_image_334122]] Moradores da Vila dos Criadores, em Santos, e do bairro Jóquei Clube, em São Vicente, conversaram com a Reportagem de A Tribuna nesta sexta-feira (9) e disseram estarem vivendo clima de terror durante ações da polícia que estão sendo realizadas nos bairros, por conta da 3ª fase da Operação Verão. Algumas pessoas, relataram que, inclusive, estão recebendo mensagens em grupos de WhatsApp sobre um suposto toque de recolher nas comunidades. “Momento de pânico. Desde que isso começou, não tivemos paz. Infelizmente estamos no meio de uma guerra com a qual não temos nada a ver, as crianças estão até deixando de ir pra escola. Hoje o ônibus nem passou”, revelou um morador. Ele conta que sempre considerou a Vila dos Criadores como um lugar tranquilo, no qual as crianças podiam brincar sem medo. No entanto, ele revela que, agora, os policiais entram sem considerar se as pessoas são criminosas ou não, com viaturas em alta velocidade, criando o risco de atropelar alguém. “Aqui é uma comunidade isolada de outros bairros, só tem uma entrada e uma saída. Ontem à noite foram momentos de terror, muitos tiros e ninguém conseguiu dormir. Todos estávamos com medo, e as crianças apavoradas. Saímos pra trabalhar com receio de deixarmos nossos filhos em casa”, comenta. Outra pessoa que mora na comunidade comentou que está grávida, e as idas à maternidade têm sido regadas a medo e terror. Além disso, ela conta que teme pela vida do marido, que retorna todos os dias a pé do trabalho. Ela relata que ouve tiros a toda hora. “Não podemos sair nem para comprar um pão com medo disso. Nem dentro de casa estamos seguros, mas não temos condições de morar em outro lugar. Existem muitas famílias aqui e essa situação está cada vez mais difícil com todo esse tiroteio”, relata. Ela também afirma que a comunidade sempre foi tranquila, e costumava levar a filha para brincar em uma pracinha à noite, o que agora é impossível. A moradora ainda afirma que as crianças não têm ido à escola, pois o ônibus que as levava chegou a ser cancelado, também por conta das operações. “Tememos deixar as crianças brincarem como sempre, até porque há várias ruas sem iluminação, e qualquer um poderia ser pego no meio de um confronto policial. As crianças tiveram que faltar à escola por não nos sentirmos seguros, porque a polícia que deveria nos proteger é quem no momento nos dá mais medo. Não somos bandidos”, comenta. Morador do bairro Jóquei Clube, em São Vicente, relata que está inseguro e que as pessoas da rua onde mora só ficam aliviadas quando os parentes chegam ao trabalho. Ele, inclusive, relata que já chegou a receber diversos avisos em grupos de WhatsApp sobre toques de recolher na comunidade. "É só começo, muitas coisas ruins ainda podem acontecer”, afirma. Entretanto, a Prefeitura de Santos afirmou que a informação da passagem do ônibus não procede e garantiu que o veículo foi até o local nesta sexta-feira (9). Também reforçou que o atendimento das unidades municipais está sendo realizado normalmente. A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de São Vicente, mas até o fechamento dessa matéria não obteve retorno. Como tudo começouNo dia 2 de fevereiro, a 3ª fase da Operação Verão foi desencadeada na Baixada Santista, após a morte do policial Samuel Wesley Cosmo. Anteriormente, a operação havia sido nomeada erroneamente pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) como Operação Escudo. Até o momento, 14 suspeitos e três policiais morreram.