Juliana faleceu por complicações depois de passar por procedimentos estéticos (Redes sociais) A Polícia Civil investiga a morte da gerente comercial Juliana Silva Xavier, de 39 anos, moradora de Iguape, no litoral de São Paulo, por complicações depois de passar por procedimentos estéticos em um hospital na Capital paulista. Segundo o boletim de ocorrência, o médico responsável teria liberado a mulher para fazer cirurgia plástica cinco meses após ter passado por uma cesariana. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme apurado por A Tribuna, Juliana passou pelo procedimento cirúrgico no último dia 12, no Hospital Ruben Berta, localizado na Avenida Ruben Berta, no bairro Ibirapuera. Ela morreu dois dias depois (14), após ser transferida em estado gravíssimo ao Hospital Alvorada, na Zona Sul da Capital. Em depoimento à polícia, o companheiro da gerente comercial relatou que Juliana pesquisava cirurgias plásticas desde o início de 2025 e havia acertado ainda no ano passado, junto à clínica Contato Saúde Estética, na Alameda dos Maracatins, em Indianópolis, a realização dos procedimentos de implantação de prótese de silicone, lipoaspiração e lifting de glúteos. De acordo com o parceiro, a cirurgia foi autorizada mesmo após Juliana ter passado por uma cesariana em dezembro de 2025. Segundo o relato, o médico responsável teria afirmado que o procedimento “não era invasivo”. O casal saiu de Iguape na madrugada do dia 12 em direção à clínica, levando exames pré-operatórios. O marido contou que Juliana entrou no pré-operatório por volta das 6h. O médico teria informado que a cirurgia duraria entre duas e três horas, com recuperação rápida da sedação. No entanto, a gerente comercial só retornou ao quarto por volta das 17h. Segundo o depoimento, Juliana apresentava pele pálida, lábios arroxeados e não reagia aos estímulos. Ainda conforme o boletim, o médico responsável afirmou que a situação seria “normal” e provavelmente causada pela anestesia. Enfermeiros também teriam dito que poderia se tratar de uma reação alérgica. O marido permaneceu ao lado da companheira durante toda a noite e percebeu piora progressiva no quadro. Já perto da meia-noite, Juliana teria despertado desorientada, falando “enrolado”, reclamando de muito calor e forte dor de cabeça. Horas depois, recebeu Tramadol, prescrito por telefone pelo médico responsável pela cirurgia e administrado pelas enfermeiras. Após o analgésico, Juliana voltou a dormir profundamente. O marido afirmou ainda que, na manhã seguinte (13), o médico chegou ao quarto dizendo “Acorda, princesa” enquanto dava pequenos “petelecos” na testa da paciente. Ao retirar a cinta cirúrgica, segundo o companheiro, havia grande quantidade de sangue. Mesmo assim, o médico teria insistido que Juliana estava bem. Piora e morte Por volta das 10h, a família foi informada sobre a necessidade de transferência para o Hospital Alvorada. O encaminhamento, porém, só ocorreu cerca de sete horas depois. Já no novo hospital, Juliana foi levada diretamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo o depoimento, uma enfermeira afirmou à família que a paciente não tinha chances de sobreviver e que os profissionais tentariam descobrir o que foi feito no hospital anterior. Horas depois, os familiares encontraram o médico responsável pela cirurgia e o anestesista. Conforme o relato, eles afirmaram que Juliana havia sofrido uma “pequena isquemia cerebral” e negaram risco de morte. No entanto, no dia seguinte (14), a família foi informada de que Juliana já apresentava protocolo de morte encefálica desde que deu entrada no Hospital Alvorada. Os aparelhos foram desligados durante a noite. Juliana foi sepultada no sábado (16), em Iguape. Além do marido, ela deixou uma filha e um bebê de 5 meses. Investigação Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), o caso foi inicialmente registrado como morte suspeita e morte súbita sem causa determinante aparente pelo 27º Distrito Policial (DP) de São Paulo. Ainda de acordo com a secretaria, o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exames periciais, que irão auxiliar no esclarecimento das circunstâncias da morte. Na segunda versão do boletim de ocorrência, registrada no 1º DP de Iguape, foi incluído o crime de supressão de documento, após o relato de que os exames pré-operatórios entregues à clínica e a cinta utilizada pela paciente não foram devolvidos à família. Posicionamentos Por meio do escritório de advocacia Raul Canal e Advogados, o médico responsável pela cirurgia lamentou o falecimento de Juliana e se solidarizou com os familiares e amigos. Ele afirma que ocorreu uma “grave e inesperada intercorrência clínica decorrente de alterações orgânicas apresentadas pela própria paciente” e ressalta que “toda a assistência necessária foi prestada” desde o início dos sintomas de agravamento. Confira a nota na íntegra: “Lamentamos profundamente o falecimento da paciente e nos solidarizamos sinceramente com seus familiares e amigos neste momento de dor. A paciente foi submetida a procedimento cirúrgico após realização de exames e avaliações pré-operatórias compatíveis com a intervenção proposta. A cirurgia transcorreu dentro da normalidade esperada. No período pós-operatório, porém, houve uma grave e inesperada intercorrência clínica, decorrente de alterações orgânicas apresentadas pela própria paciente, prontamente identificadas pela equipe assistencial. Desde os primeiros sinais de agravamento, toda a assistência necessária foi prestada, com posterior transferência para unidade hospitalar com suporte especializado e acompanhamento multidisciplinar. Apesar de todos os esforços médicos empregados pelas equipes envolvidas, infelizmente a paciente evoluiu a óbito. Em respeito à família, à memória da paciente e ao sigilo médico, não serão divulgadas informações relacionadas ao prontuário, às condições clínicas ou aos detalhes do atendimento. O caso segue sob apuração pelas autoridades competentes, incluindo análise pericial do Instituto Médico Legal (IML), cujos esclarecimentos técnicos são aguardados para a adequada compreensão dos fatos. Reiteramos nosso profundo pesar pela perda irreparável e permanecemos à disposição das autoridades e da família para os esclarecimentos necessários”. Também em nota, o Hospital Alvorada informou que recebeu o pedido de transferência da paciente a partir de outra unidade de saúde no dia 13 de maio. “A paciente foi admitida em estado grave e, embora nossas equipes tenham realizado todos os esforços médicos e assistenciais, veio a óbito na noite de 14 de maio. Neste momento de profunda dor, o hospital se solidariza com os familiares e amigos, prestando todo o suporte necessário”, declarou. A reportagem de A Tribuna entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) para saber se o órgão abriu sindicância ou analisará o caso, mas não houve retorno até a publicação da matéria. A Tribuna também solicitou um posicionamento para o Hospital Ruben Berta, que não respondeu até o momento. O espaço segue aberto para manifestações.