[[legacy_image_288260]] Uma moradora de Praia Grande, de 36 anos, passou por momentos de tensão na última quinta-feira (10) durante uma carona mediada pelo aplicativo BlaBlaCar. A fisioterapeuta Jussara Carvalho afirma ter sido obrigada a descer do carro no acostamento do KM 47 do Rodoanel, em São Paulo, após o motorista se perder na estrada. O aplicativo BlaBlaCar é uma plataforma de caronas para viagens com preços mais baixos em comparação aos demais meios de transporte, onde o motorista se cadastra e os passageiros solicitam a carona. A viagem era de Praia Grande, em São Paulo, para Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Porém Jussara ficaria na metade do caminho, em São Bernardo do Campo, e pagou R\$ 15. A fisioterapeuta explica que, após solicitar a carona para participar de um processo seletivo, conversou com o motorista para informar que não conhecia São Bernardo do Campo e gostaria de ficar no Centro do município de São Paulo. De acordo com a mulher, o condutor relatou que não conhecia a cidade e também não conhecia Praia Grande. Acompanhada de um casal (homem e mulher)- também passageiros-, Jussara comenta que o motorista avisou que pegaria a Rodovia dos Imigrantes e a fisioterapeuta concordou, refutando que não conhecia. “Quando chegou próximo a São Bernardo do Campo, ele falou: ‘Já dá para você ficar aqui’ e eu respondi: ‘No meio da estrada?’”. Jussara diz ter pedido para ser deixada um pouco mais para frente, onde pediria uma corrida por aplicativo até o Centro. “Mas, estava dando muito caro. Ele perguntou para o casal como fazia para me deixar em São Bernardo do Campo, que ele não sabia, e eles disseram que tinha que ter vindo pela via Anchieta”. Neste momento, a mulher relembra que o casal ajudou o guiando pelo GPS para o ponto de parada. “Ele teve que fazer um retorno, passamos por um pedágio e ele falou que me deixaria ali (na estrada). O casal falou que não era para ele continuar (o caminho), pois iria descer para a Baixada Santista novamente”. Na sequência, Jussara alega que a outra mulher do carro se estressou com ela, a tratando com grosseira. Por isso, ela decidiu descer e pedir uma corrida por aplicativo naquele trecho de estrada, mas motorista nenhum conseguia ter acesso ao trecho em que o carro havia parado. “Ela falou que era um aplicativo de carona e não um Uber. Também perguntou como eu não sabia para onde estava indo. Mas, sempre peguei e sabia para onde estava indo e avisei para ele (o motorista). Nunca passei por isso. Eles estavam muito irritados, então falei que, se eles quisessem, podiam ir embora”, conta. Quando o motorista e os passageiros foram embora, a fisioterapeuta cita ter passado por momentos de pânico e tensão. Nenhum motorista de aplicativo aceitava a corrida e o trecho, de acostamento, era perigoso para ficar de pé exposta a passagem de caminhões e carros. “Entrei em desespero e liguei para a Polícia Militar (PM). Mas, por conta do local que ele (o motorista) me deixou, nem eles conseguiram me achar. Então, me chamaram pelo WhatsApp e pediram minha localização. Fiquei horrorizada. Achei que ia morrer no meio de tanto caminhão”, ressalta. Após o ocorrido, a mulher reforça que não houve mais contato do motorista. “Me senti um nada. Você vê que sua vida não vale nada. Foi um péssimo ser humano comigo e podia morrer em qualquer momento. Se não fosse a polícia me ajudar, ainda estaria ali no acostamento”. Agora restou o trauma, afinal Jussara diz que nunca mais utilizará o aplicativo para conseguir uma carona. “Chorei e fiquei horrorizada. Nunca imaginei que uma pessoa daquela poderia fazer isso. Nunca mais eu pego, nem de graça”. A BlaBlaCar, por meio de sua assessoria, lamentou o ocorrido e se colocou à disposição das autoridades para contribuir com as investigações, nos termos da lei. A empresa afirmou que leva qualquer denúncia muito a sério e reforçou que, assim que o caso foi reportado pela passageira pelo suporte ao usuário, a conta do motorista foi suspensa enquanto as apurações internas do ocorrido são realizadas. A Reportagem entrou em contato com a Polícia Militar (PM) sobre o caso, mas não obteve um retorno até a publicação desta matéria.