À esquerda, policiais militares conduzem homem associado ao sequestro de um motorista de aplicativo em Praia Grande; à direita, imagem mostra o interior do imóvel apontado como possível cativeiro utilizado pelo grupo criminoso, no bairro Melvi (Reprodução / Polícia Militar) Um militar aposentado do Exército Brasileiro, de 53 anos, foi sequestrado, agredido e ameaçado de morte enquanto trabalhava como motorista de aplicativo em Praia Grande, no litoral de São Paulo. O crime ocorreu no sábado (24), após a vítima aceitar uma corrida. Um homem de 28 anos foi preso suspeito de integrar o grupo criminoso, que também teria feito outras vítimas na cidade da Baixada Santista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a Polícia Militar (PM), o motorista estava trabalhando em Guarujá quando aceitou uma viagem de ida e volta para a capital paulista. Ao chegar ao ponto de embarque, em Praia Grande, um homem se aproximou, anunciou o assalto e entrou no banco traseiro do veículo. Em seguida, outro criminoso armado assumiu a direção do carro e obrigou o motorista a ir para o banco de trás. A dupla roubou o relógio da vítima e tentou realizar empréstimos e transferências bancárias pelo celular dela. Como não conseguiu concluir as operações financeiras, o grupo passou a ameaçar o aposentado de morte e agredi-lo com coronhadas. Ao descobrir que ele havia servido ao Exército, os criminosos exigiram que entrasse em contato com um amigo capitão para solicitar R\$ 5 mil em troca de sua liberdade. A transferência, porém, não foi realizada. Durante o sequestro, outros dois homens chegaram a entrar no automóvel, sendo que um deles portava uma arma semelhante a um fuzil. Os dois desembarcaram pouco depois. Vítima foi abandonada perto de base de concessionária Ainda conforme o relato do motorista, os criminosos pararam em um posto de combustíveis para abastecer o carro. No local, ele voltou a ser agredido e ouviu dos sequestradores que seria abandonado, pois o grupo pretendia utilizar o veículo para fugir. "Vamos deixar você em um lugar. Queremos o carro só para fuga mesmo" teriam dito os criminosos, conforme registrado no boletim de ocorrência. O militar aposentado foi deixado nas proximidades de uma base da Concessionária Novo Litoral (CNL), em Praia Grande, onde conseguiu pedir ajuda. De acordo com a vítima, os assaltantes levaram R\$ 160 em dinheiro, um telefone celular, um relógio e o automóvel, avaliado em aproximadamente R\$ 118 mil. Denúncia levou à prisão de suspeito Na tarde de sábado, o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) recebeu uma denúncia pelo telefone 190 informando que homens armados com fuzil e pistola estariam em um veículo no bairro Melvi. Equipes do 45º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I) foram enviadas à Rua Wilson de Oliveira para averiguar a situação. Ao perceberem a aproximação dos policiais, dois homens tentaram fugir. Um deles foi capturado ao tentar se esconder em uma residência. Durante a abordagem, os agentes apreenderam aparelhos celulares, um simulacro de fuzil (arma falsa semelhante à verdadeira) e um estepe que seria do carro roubado. Possível cativeiro Nos fundos do imóvel, os policiais também encontraram uma construção apontada como possível cativeiro, com vestígios de consumo de drogas e diversos celulares espalhados. Uma adolescente que estava no endereço relatou que havia acabado de chegar à residência do namorado e afirmou que o simulacro pertencia ao irmão dele. Já o homem detido alegou que tinha desavenças com o irmão e que estava deixando a casa quando foi surpreendido pelos policiais. Segundo seu relato, ele havia sido preso em 2021 por um crime que atribuiu ao familiar. O militar aposentado reconheceu o suspeito detido como um dos envolvidos no crime. A adolescente foi liberada. Outros motoristas reconheceram suspeito A ocorrência foi encaminhada à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande. Durante o registro, outros dois motoristas de aplicativo compareceram à delegacia e relataram ter sido vítimas de crimes atribuídos ao mesmo grupo naquela semana. Segundo a Polícia Militar (PM), eles também reconheceram o homem preso, o armamento utilizado nas abordagens e o imóvel apontado como cativeiro. O caso foi registrado como roubo e extorsão. O suspeito permaneceu preso, à disposição da Justiça. As circunstâncias dos crimes e a participação dos demais envolvidos deverão ser apuradas pela Polícia Civil.