[[legacy_image_343559]] A Operação Verão, que começou em 20 de dezembro de 2023 e tinha previsão de término para o fim da estação, vai continuar atuando na Baixada Santista. Nesta quarta-feira (20), a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) informou que a operação permanece por tempo indeterminado. Só na 3ª fase, 48 suspeitos foram mortos durante confrontos com a Polícia Militar (PM). De acordo com a SSP, a ação conta com o reforço diário de mais de 550 policiais militares em patrulhamento ostensivo pela região. Além disso, 350 policiais civis atuam na inteligência para identificar criminosos. Desde o início da Operação Verão houve reforços de policiais do estado para a temporada. Conforme a pasta, 952 pessoas foram presas, entre eles 375 procurados pela Justiça. Ainda houve a apreensão de 790 quilos de drogas e 102 armas ilegais, incluindo fuzis de uso restrito. Entretanto, após a morte do PM da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) Wesley Samuel Cosmo, no dia 3 de fevereiro, a Operação foi intensificada. Desde então, 48 suspeitos foram mortos em confrontos com policiais. Segundo a SSP, todos os casos são rigorosamente investigados pela Polícia Civil e Militar, com acompanhamento das respectivas corregedorias, Ministério Público e Poder Judiciário. RepercussãoPara o ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Cláudio Aparecido da Silva, a continuação da operação é lamentável. “O governo vai prosseguir com uma operação que tem dado resultados negativos, pois a segurança pública não precisa ter resultado de morte, mas sim ofertar um ambiente seguro para a população para morar, estudar, viver. A morte não pode pautar tudo isso”, completa. Outro aspecto apontado pelo ouvidor, é fato de as comunidades não serem ouvidas pela administração pública, com relação a operação. Ele explica que é importante que uma ação como está seja avaliada por diferentes esferas da sociedade, desde empresários, a própria polícia, mas também pela comunidade. “Ao contrário do que a operação propõe, essas pessoas estão cada mais com sentimento de insegurança. Enquanto ouvidor, me resta pedir ao governador que ouça essas comunidades, ouça testemunhas, mães, que tem vivenciado o ambiente que essa operação tem produzido”, comenta. Por fim, Claudio coloca a ouvidoria da polícia à disposição da comunidade e das forças policiais. Denúncias e relatos podem ser encaminhados ao órgão de forma sigilosa, pelo telefone 0800-017 70 70, de segunda a sexta-feira, das 09 às 17h. Outro canal que pode ser utilizado pela população é o email ouvidoriadapolicia@sp.gov.br ou o site www.ssp.sp.gov.br/Ouvidoria. As pessoas também podem se direcionar pessoalmente à rua Japurá, 42, bairro Bela Vista, em São Paulo, de segunda a sexta, das 09 às 15h. Os demais canais, como Facebook e Instagram não estão aptos a receber denúncias. InvestigaçõesUm processo foi aberto na dia 7 de março pelo Ministério Público do Estado São Paulo (MP-SP) para investigar denúncias feitas por funcionários da Saúde de Santos a respeito do encaminhamento de corpos de suspeitos mortos durante a Operação Verão na Baixada Santista que teriam sido levados como vivos para as unidades de saúde para evitar que houvesse perícia. Diante do caso, a Secretaria de Saúde da cidade também informou que abriu uma sindicância para apurar o caso. Se comprovado, policiais envolvidos poderão responder por fraude. As denúncias foram reveladas por meio de uma reportagem do G1 São Paulo veiculada na última quarta-feira (6). A partir dos relatos publicados, órgãos públicos começaram a se manifestar a respeito do conteúdo. Nele, funcionários do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e da Santa Casa de Santos relataram que os corpos das vítimas foram encaminhados já sem vida para passar por atendimento nas unidades de saúde. Diante do caso, conforme o MP-SP, o Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp) e Controle Externo da Atividade Policial, irão colher os prontuários médicos e identificar os socorristas para saber como esses transportes ocorreram. A Secretaria de Saúde de Santos abriu uma sindicância para apurar o fato.