[[legacy_image_333686]] A mãe do adolescente de 14 anos que foi morto pela Polícia Militar Rodoviária (PMRv) na madrugada de quarta-feira (7) na Rodovia dos Imigrantes, em Cubatão, está inconsolável. Abalada, ela afirma que o filho não tinha nenhuma ligação com a criminalidade ou tráfico de drogas, mas que tinha sonhos que agora não poderão mais ser realizados. “Ele queria ser engenheiro. Queria me ajudar em casa. Ajudar os irmãos e foi tudo interrompido”, conta. O jovem recebeu dois tiros no pescoço, informou a mãe da vítima. De acordo com a Polícia Rodoviária, uma equipe fazia o patrulhamento pela Imigrantes por volta da 0h35, quando avistou três homens, em atitude suspeita, pelo acostamento. Assim que desceram da viatura para fazer a abordagem, os agentes teriam sido alvejados pelo trio. Um desses tiros atingiu o colete de um dos oficiais. Foi quando os policiais revidaram o ataque, atingindo um dos suspeitos, que, mais tarde, foi descoberto se tratar de um adolescente de 14 anos. Apesar da versão da PMRv, a mãe contesta a história. “As informações não são verdadeiras. Primeiro, não eram três pessoas, eram pelo menos nove, segundo eu fiquei sabendo. E puseram do lado do meu filho uma arma de brinquedo, um simulacro”, conta. Também foram apreendidos um revólver calibre 38, com duas munições intactas e quatro deflagradas, estojos, projéteis e um boné. Além do adolescente, a mulher tem outros dois filhos, um de 10 e outro de 5 anos. Moradora do Jardim Nova República, ela conta que os amigos do filho a avisaram sobre ter ocorrido alguma coisa com o menor. “Eles [os amigos] viram carros da polícia e uma ambulância passando e vieram me perguntar se meu filho tinha chegado em casa. Eu disse que ainda não e fiquei apavorada. Não sabia pra onde ele tinha ido", lembra. Ao questionar os jovens, a mãe ficou sabendo que o filho havia saído com cerca de oito adolescentes que moram no bairro ao lado, o Jardim Casqueiro, mas ninguém os conhecia. “Meu filho não tem ligação nenhuma com crimes, com drogas, nem nada. Eu não sei o que ele estava fazendo na rodovia aquele horário”. Preocupada, a mulher pegou documentos do menor e foi até a rodovia em busca de respostas. Porém, ao chegar ao local, reconheceu a perna e a bermuda utilizada pelo filho enquanto era recolhido pelo Instituto Médico Legal (IML). A ocorrência foi registrada como morte decorrente de intervenção policial no 1º Distrito Policial (DP) de Cubatão. Estudante do 8º ano do Ensino Fundamental, o adolescente era apaixonado por futebol e tinha o Corinthians como time do coração. Ele dizia para a mãe que pretendia fazer um curso no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Engenharia para trazer melhor qualidade de vida para ela e os irmãos, mas a morte prematura interrompeu esse sonho. “Ele me ajudava muito em casa. Eu tenho dois empregos e criei os três sozinha. Ele era o mais velho e era um exemplo para os outros”, lembra. Ainda conforme a mãe da vítima, câmeras de segurança localizadas na Rodovia dos Imigrantes e nas imediações poderão ajudar a esclarecer o que de fato ocorreu. A Polícia Militar Rodoviária foi procurada para se posicionar sobre as alegações citadas pela mãe da vítima, mas, até a publicação da reportagem, não houve resposta. O corpo do adolescente será velado a partir das 8h desta quinta (8) no Cemitério Municipal de Cubatão. Em seguida, às 10h, será enterrado.