O menino de 8 anos foi levado até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cubatão (Divulgação/ Prefeitura de Cubatão) Um menino de 8 anos morreu na tarde de sexta-feira (1º) após dar entrada em parada cardiorrespiratória na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Casqueiro, em Cubatão, na Baixada Santista, no litoral de São Paulo. Segundo o boletim de ocorrência obtido por A Tribuna, o caso foi registrado como homicídio, com agravante de ter sido cometido contra menor de 14 anos, e é investigado pela Polícia Civil. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A criança foi identificada como Arthur Kenay Andrade de Oliveira. Segundo o documento policial, o menino foi levado até a unidade de saúde pela mãe, de 23 anos. De acordo com a Secretaria de Saúde de Cubatão, os médicos tentaram reanimar o menino com manobras de ressuscitação cardiopulmonar e uso de adrenalina, mas ele não resistiu. Durante o atendimento, a equipe constatou diversos hematomas pelo corpo da criança e acionou a Polícia Militar e o Conselho Tutelar. Lesões e suspeita de maus-tratos Ainda conforme o registro policial, os profissionais de saúde identificaram lesões de unha na região do pescoço e do lábio superior, além de hematomas e equimoses no abdômen, tórax, dorso, membros inferiores e nádegas. As marcas foram consideradas compatíveis com maus-tratos. Diante da situação, policiais militares foram até a UPA e iniciaram as primeiras apurações. Versões diferentes da mãe Em um primeiro relato aos policiais, a mãe afirmou que estava em casa, em um apartamento na Rua Manoel Sierra Pérez, no bairro Cidade Náutica, em São Vicente, junto com o filho e o companheiro, padrasto da criança, de 31 anos. Segundo essa versão inicial, o padrasto teria mandado o menino tomar banho. A mãe disse que cochilou por cerca de 10 minutos e, ao acordar, encontrou o filho caído no banheiro. O companheiro não estaria mais no local nesse momento. A mulher, então, pediu um carro por aplicativo e levou o filho até a UPA. Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, a mãe inicialmente resistiu em informar a identidade do parceiro, referindo-se a ele apenas pelo apelido “Fuzil”. Posteriormente, já na delegacia, a mãe apresentou uma nova versão. Ela disse que havia saído de casa por volta das 15h para ir a um salão de beleza e deixou o filho sob os cuidados do padrasto. Cerca de uma hora depois, o homem teria ido até o local com a criança desacordada no carro e pedido que a mãe a levasse ao hospital. Imagens de câmeras confirmam saída da mãe Imagens do sistema de monitoramento do prédio foram analisadas pela Polícia Civil e anexadas ao inquérito. Os registros mostram a mãe, o filho e o companheiro chegando juntos ao imóvel por volta das 14h20. Às 14h57, a mulher saiu sozinha do apartamento, o que confirmou a segunda versão do ocorrido apresentada por ela. Já às 16h19, o padrasto aparece deixando o prédio carregando a criança nos ombros, aparentemente desacordada. Apartamento com sinais de limpeza Com autorização da mãe, policiais foram até o apartamento. A porta estava trancada e precisou ser arrombada. No local, segundo o boletim de ocorrência, havia indícios de que o imóvel havia sido limpo recentemente. Na máquina de lavar, foram encontrados panos utilizados na limpeza. Vizinhos informaram à polícia que o homem conhecido como “Fuzil” deixou o prédio pouco antes em um veículo Hyundai HB20 prata. Atendimento e fuga Testemunhas relataram que o padrasto chegou ao salão de beleza visivelmente alterado, dizendo que havia encontrado a criança desmaiada no banheiro. A mãe saiu às pressas e entrou no carro com ele. Durante o trajeto até a unidade de saúde, a mulher questionou o que havia ocorrido, mas, segundo seu depoimento, o homem respondeu que “nada havia acontecido”. Após deixar mãe e filho na UPA, o investigado teria retornado à residência para buscar documentos e não voltou mais. Até o momento, o paradeiro dele é desconhecido. Investigação O caso foi registrado na Delegacia de Cubatão, que requisitou exames ao Instituto Médico Legal (IML) e perícia no imóvel. A autoridade policial de São Vicente também acompanhou os trabalhos periciais no local e determinou a coleta de imagens e depoimentos. O caso segue sob investigação para esclarecer as circunstâncias da morte e a possível responsabilidade do padrasto.