A menina que havia sido baleada no antebraço e nas pernas estava internada na UTI da Santa Casa de Santos, onde recebeu alta nesta terça (13) (Daniel Rodrigues/ AT e Divulgação/ Santa Casa de Santos) A filha de 10 anos do sargento da Polícia Militar (PM) Samir do Nascimento Rodrigues de Carvalho, que estava internada na Santa Casa de Santos desde a última quarta-feira (7), após ter sido baleada pelo pai em uma clínica estética e dermatológica na Vila Belmiro, recebeu alta na tarde desta terça-feira (13). O agente atirou na menina após ela tentar proteger a mãe, Amanda Fernandes Carvalho, de 42 anos, que morreu ao ser esfaqueada dez vezes e baleada pelo policial. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Santa Casa de Santos, por meio de sua assessoria de comunicação, informou que a paciente recebeu alta médica, com melhora, na tarde desta terça (13). O hospital acrescentou que não está autorizado a fornecer mais informações sobre o quadro de saúde da menina, conforme estabelece a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Filha ferida A garota ficou ferida ao se jogar na frente da mãe para tentar salvá-la. Ela precisou ser internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica da Santa Casa de Santos, onde estava até então sem previsão de alta. A criança sofreu uma fratura no antebraço esquerdo e teve ferimentos nas duas pernas em decorrência dos disparos. Relembre o crime O crime aconteceu dentro de uma clínica médica de dermatologia e estética, localizada na Avenida Senador Pinheiro Machado, no bairro Vila Belmiro, em Santos, na quarta-feira (7). A ocorrência interditou a via por algumas horas. O sargento da PM foi preso em flagrante. Com mais de 20 anos de serviço na corporação, o policial estava de folga no momento do crime. Na quarta-feira, ao saber que a esposa e a filha estavam em uma consulta médica na clínica, ele se dirigiu até o local. No consultório, houve uma discussão entre ele e a esposa. Um médico teria separado os dois e encaminhado o policial para fora do estabelecimento. Em seguida, o médico se trancou em uma sala com a mãe e a criança, enquanto a polícia era acionada. Quando os policiais chegaram, Samir teria levantado a camisa para mostrar que não estava armado. No entanto, depois teria pego a arma, invadido o local e atacado mãe e filha, matando a esposa com dez facadas e disparos, e baleando a filha. Ainda não se sabe como a arma de fogo chegou à cena do crime. O policial foi preso, a arma apreendida e a mulher morreu na clínica. A criança foi socorrida e levada para a Santa Casa de Santos. Após a chegada das equipes, a Corregedoria Geral da Polícia (CGP) foi acionada, assim como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Investigação A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que a PM instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) “para apurar rigorosamente a conduta dos policiais acionados para atender a ocorrência, que evoluiu para feminicídio e tentativa de homicídio”. A pasta informou ainda que Samir foi preso e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista. Defesa Por meio de nota, o advogado Paulo de Jesus, que representa Samir, afirmou que, na tarde de quinta (8), foi realizada audiência de custódia, e a prisão em flagrante do cliente foi convertida em preventiva. Ele acrescentou que a defesa só se manifestará após a conclusão das investigações. Agressões Conforme apurado por A Tribuna, Amanda já enfrentava um histórico de violência doméstica por parte do companheiro, tendo sido ameaçada de morte por ele em outras ocasiões. As informações foram confirmadas por um amigo e sócio na empresa de comércio exterior da qual Amanda era proprietária — a identidade da testemunha foi preservada por questões de segurança. O casal estava junto havia cerca de 13 anos e, segundo pessoas próximas, o policial sempre demonstrou comportamento violento e possessivo. “Ela não tinha liberdade; até o WhatsApp dela era monitorado por ele. Tudo o que ela conversava, ele sabia”, contou a amiga Janaína Beieríe Rollo, que mantinha proximidade com a vítima há cerca de nove anos. Janaína acrescentou: “Ele sempre foi grosso e violento, isso era da natureza dele. As ameaças começaram há cerca de três ou quatro anos”. Ainda segundo ela, muitas pessoas estranharam a revelação desse comportamento agressivo do PM: “Mas é porque, na frente dos outros, ele não fazia nada. Sozinhos, ele chegava até a agredir fisicamente”.