A adolescente havia saído da sala para ir ao banheiro e, ao retornar, teve a mão prensada na porta da sala de aula (Arquivo pessoal) Uma adolescente de 13 anos teve parte do dedo indicador da mão direita amputado após sofrer um ferimento grave dentro da sala de aula da Escola Estadual Aurora Coelho Professora, em Registro, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo. O caso ocorreu na tarde desta quinta-feira (26) e está sendo investigado como ato infracional de lesão corporal pela Polícia Civil. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a mãe da vítima, que conversou com A Tribuna, a adolescente havia saído da sala para ir ao banheiro e, ao retornar, teve a mão prensada na porta da sala de aula por colegas que, segundo testemunhas, participaram de uma suposta “brincadeira” comum entre os estudantes de fechar a porta para impedir a entrada de outros alunos. A força do impacto arrancou a ponta do dedo da menina. “Ela foi ao banheiro e, quando voltou, ficou com a mão na porta. Eles têm essa brincadeira muito sem graça de empurrar a porta para o aluno não entrar, mas dessa vez foi diferente. Foi uma pancada tão forte que arrancou tudo”, relatou a mãe, que não será identificada para preservar a identidade da estudante. Conforme apurado, a menina foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Registro. De lá, foi transferida ao Hospital Regional de Pariquera-Açu. A tentativa de reimplante da parte decepada do dedo não teve sucesso, segundo a mãe, devido à forma incorreta como o pedaço foi armazenado na unidade de pronto-atendimento. “O pessoal do UPA não soube preservar o dedo. Colocaram no soro, e não no gelo seco. Quando chegou em Pariquera, o ortopedista disse que não tinha mais o que fazer”, contou. De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, ao qual A Tribuna teve acesso, a vítima identificou inicialmente dois colegas como responsáveis. A delegada de plantão registrou o caso como lesão corporal e dispensou a condução dos alunos à delegacia, apesar de a PM ter se colocado à disposição para isso. Os estudantes foram liberados pela escola. Professora viu tudo Ainda segundo o boletim, a adolescente relatou que a professora estava em sala de aula no momento do ocorrido, mas demorou para socorrê-la. A própria direção da escola teria confirmado à mãe que a prática de empurrar a porta era comum entre os alunos. A mãe afirmou que foi avisada pela escola por volta das 16h, quando recebeu uma ligação informando apenas que a filha havia se machucado e estava sendo levada ao pronto-atendimento. Ao chegar à UPA, a mulher deparou-se com a filha em estado de choque e com parte do dedo armazenada em uma gaze dentro de um recipiente. “Ela estava transtornada, em estado de choque. Foi uma cena que nunca vou esquecer”, disse a mãe. A mãe foi avisada pela escola por volta das 16h, quando recebeu uma ligação informando apenas que a filha havia se machucado e estava sendo levada ao pronto-atendimento (Arquivo pessoal e Reprodução) A Prefeitura de Registro informou, por meio de nota, que a adolescente foi atendida pelo Samu por volta das 16h10 e transferida à unidade hospitalar às 17h37. Em relação ao armazenamento do dedo, a Administração Municipal não se posicionou sobre a questão. A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) confirmou que o caso foi registrado como ato infracional de lesão corporal e que investigações estão em andamento para apurar a responsabilidade dos envolvidos. A mãe disse que ainda não recebeu qualquer posicionamento oficial da escola sobre medidas que serão tomadas contra os alunos envolvidos e estuda a possibilidade de transferir a filha de colégio após o fim do recesso escolar. “Ela só consegue pensar que vai ficar sem o dedo. A dor ela nem sentiu tanto, porque estava em choque. Mas agora é trabalhar o psicológico dela. Ela não quer mais voltar para a escola.”, afirmou. No boletim de ocorrência da Polícia Civil, também obtido por A Tribuna, o diretor da escola disse que os dois alunos envolvidos não têm histórico de comportamento agressivo ou registros disciplinares anteriores. Apesar disso, ele confirmou que a jovem já havia mencionado, em outras ocasiões, ser alvo de bullying dentro da unidade escolar, embora nunca tenha apontado nomes de colegas como responsáveis pelos episódios. O diretor também mencionou que a unidade de ensino possui sistema de videomonitoramento, e que as imagens podem ajudar a esclarecer os fatos. A adolescente segue internada no Hospital Regional de Pariquera-Açu. O caso segue sendo investigado. Segundo a Polícia Civil, a corporação aguarda o resultado do laudo do Instituto Médico Legal (IML) para avaliar a extensão da lesão. Posicionamento A Diretoria de Ensino de Registro, por meio de nota, lamentou profundamente o ocorrido e informou que está apurando as circunstâncias do acidente. Assim que tomou conhecimento do fato, a gestão da unidade escolar acionou imediatamente a equipe de resgate e os responsáveis legais da estudante, que foi acompanhada por um servidor até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A pasta também disse que os responsáveis pelos alunos envolvidos foram comunicados para ciência dos fatos e aplicação das medidas disciplinares cabíveis. De acordo com a secretaria, o caso foi inserido na Plataforma Conviva-SP, e um profissional do programa Psicólogo na Escola foi disponibilizado para atendimento dos estudantes envolvidos. A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que repudia qualquer ato de violência, dentro ou fora do ambiente escolar, e permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.