O médico estava ingerindo bebida alcoólica dentro da sala de atendimento do PS Central (Amauri Pinilha/ Prefeitura de Praia Grande) Um médico foi flagrado ingerindo bebida alcoólica durante plantão no Pronto-Socorro Central de Praia Grande na noite desta sexta-feira (27). De acordo com a Polícia Militar, ele foi levado para a Central de Polícia Judiciária (CPJ) da cidade, onde foi registrado boletim de ocorrência. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os vereadores Anderson Martins (Pode), Marcio Castilho (União Brasil) e o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Praia Grande, Adriano Lopes, estiveram no local para verificar a situação e fizeram uma live no Facebook para explicar o que aconteceu. O munícipe que procurou os servidores públicos contou que, devido à demora para atendimento no pronto-socorro, foi comprar um salgado em um bar próximo. “Ele (médico) chegou do meu lado, não estava vestido de médico e pediu duas doses de vodca. Aí, colocou no copinho Stanley dele e saiu”. Quando retornou ao hospital, a testemunha viu o médico saindo de um dos consultórios. O homem, então, entrou na sala do profissional de saúde e verificou que havia a bebida alcoólica dentro do copo Stanley. “O cheiro era forte, não tinha como não identificar. Era vodca. Ele estava bebendo no consultório. A gente viu e presenciou tudo”, disse um outro homem, que participou da transmissão ao vivo e que estava no hospital. Posicionamentos A Prefeitura de Praia Grande informou que o médico é terceirizado, contratado pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), empresa responsável pelo PS Central, e que o profissional de saúde foi afastado. Ainda segundo a Administração Municipal, o ocorrido "não afetou os atendimentos da unidade e o caso segue sendo apurado administrativamente". A SPDM, em nota, reforçou que o médico foi imediatamente retirado e substituído na escala por outro. “O profissional não realizou atendimentos após a observação dessa conduta”. Defesa do médico Os advogados Victor Vilas Boas Aló e Rafael Leocadio Cristofoli Cunha, que representam o médico, enviaram a seguinte nota à redação: A defesa do médico envolvido nos recentes fatos veiculados por redes sociais e amplificados por veículos de imprensa vem a público esclarecer que repudia veementemente a narrativa irresponsável, sensacionalista e sem qualquer respaldo probatório que vem sendo atribuída a seu constituinte. É absolutamente inverídica a afirmação de que o profissional teria atendido pacientes sob efeito de álcool. O vídeo amplamente divulgado não mostra qualquer ato de ingestão de substância, tampouco qualquer sinal de alteração comportamental ou profissional. Trata-se de uma gravação clandestina, realizada sem autorização e sem qualquer contexto, cujo conteúdo foi interpretado de forma distorcida, com viés acusatório injusto e danoso. Importante ressaltar que nenhum laudo, testemunho técnico ou indício objetivo comprova qualquer conduta irregular do médico no exercício de seu plantão. O que se tem são ilações, falas isoladas e juízos de valor construídos em redes sociais — o que jamais poderia servir de base para exposição pública e difamação. Infelizmente, tem-se tornado uma prática recorrente e extremamente perigosa nas redes sociais a tentativa de “fiscalização” da atividade médica por parte de vereadores e populares, especialmente em plantões hospitalares, com gravações indevidas, julgamentos sumários e ataques coordenados contra profissionais que, muitas vezes, estão apenas cumprindo suas funções sob condições precárias impostas pela administração pública. A morosidade no atendimento em hospitais públicos não é responsabilidade do médico, mas sim da estrutura estatal que o cerca. O profissional da saúde, por estar na linha de frente, acaba sendo transformado em alvo de frustrações sociais que deveriam ser dirigidas à má gestão e ao subfinanciamento crônico da saúde pública. A defesa já adotou todas as providências judiciais cabíveis. O médico encontra-se profundamente abalado emocionalmente, com prejuízos à sua vida profissional, familiar e psíquica, sofrendo os efeitos de um linchamento virtual sem julgamento, sem contraditório e sem prova — o que configura grave violação a seus direitos fundamentais. A defesa seguirá atuando para garantir que a verdade venha à tona.