Mecânico foi esfaqueado por bombeiro durante discussão no trânsito no Centro de Guarujá (Reprodução e Arquivo pessoal) Um mecânico de 30 anos foi esfaqueado no peito, no braço e no cotovelo por um bombeiro marítimo de folga, de 43, durante discussão no Centro de Guarujá, no litoral de São Paulo, na noite de domingo (29). Nas imagens obtidas por A Tribuna, é possível ver o militar partindo para cima do homem na calçada e na rua. A Polícia Civil investiga o caso. Em contrapartida, o militar alega que tentou se defender de marteladas dadas pelo mecânico. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As agressões aconteceram na Rua Petropólis, por volta das 22h30. A esposa do mecânico, que teve a identidade preservada por questão de segurança e presenciou a situação, contou que o marido e um amigo foram à Praia da Pitangueiras de manhã montar equipamentos para um show de hip hop. Ainda segundo ela, de noite os dois tinham que retirar os equipamentos da praia. Por isso, o militar e o amigo voltaram de carro ao local. Como não havia lugar para estacionar na praia, foi necessário dar uma volta. De acordo com a mulher, que acompanhou o marido e o amigo, na Rua Petropólis havia um carro parado no meio da rua, bloqueando a passagem. "Ele (motorista) ficou parado uns 10 minutos parado, com o pisca ligado. Um monte de gente já tinha ido falar com esse rapaz. O amigo do meu esposo pediu para ver o que tinha acontecido para poder ajudar. Meu marido ofereceu ajuda para tirar o carro, mas o homem falou com a maior ignorância: ‘Eu não vou tirar o meu carro, porque dois cidadãos estacionaram na frente da garagem do prédio e eu não tô conseguindo colocar o meu carro lá dentro enquanto eles não tirarem, vocês não vão passar’”. Conforme a mulher, o marido voltou para o carro e disse o que tinha acontecido. Posteriormente, um policial à paisana apareceu e foi até o motorista pedindo para ele retirar o carro, pois poderiam guinchar o veículo. “Eu também falei com ele. Nisso, o homem repetiu o que tinha dito para o meu marido e me chamou de vaca e de cachorra, dizendo que não iria tirar o carro”. -Mecânico esfaqueado Guarujá (1.508270) A mulher voltou para o carro e disse para o marido que havia sido xingada. Por conta disso, o mecânico foi cobrar novamente o motorista. Nesse momento, o bombeiro puxou a faca debaixo do banco e acertou o peito do mecânico, de acordo com a mulher. “Ele furou o peito do meu marido com a faca. Só não foi profundo, porque eu puxei o meu marido”. O mecânico foi até o carro e pegou o martelo. Ao se aproximar novamente do bombeiro, o mecânico chutou a porta do carro dele, para não conseguir sair. “Mesmo assim, ele conseguiu sair do carro e começou a esfaquear covardemente o meu marido”. Ainda segunda a mulher, o marido não encostou no bombeiro. Mas, na delegacia, o militar disse que o mecânico deu marteladas nele. “Ele estava com um facão enorme na mão bem afiado. Os cortes chegaram no osso do meu marido. Inclusive, ele fez cirurgia (nesta quarta, 1º) no Hospital Santo Amaro (HSA)". Foi solicitado exame de corpo de delito de ambos. Em nota, o Hospital Santo Amaro informa que o paciente vítima de ferimento por arma branca chegou com uma fratura no cotovelo esquerdo. "Nessa quarta-feira (1°), ele passou por cirurgia junto a equipe de ortopedia e segue em enfermaria, estável", informou. Boletim de ocorrência A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência no qual constam as versões dos policiais militares que atenderam a ocorrência, da esposa do mecânico e do bombeiro. Os policiais militares informaram que, durante patrulhamento pela Avenida Mario Ribeiro, foram informados pela população sobre ocorrência envolvendo um homem que estaria armado com uma faca, desferindo golpes em uma pessoa. A equipe foi até o local, onde localizou o mecânico ferido, "em estado de agitação, nervosismo e clamando por atendimento médico". Ele ainda informou que o autor das facadas havia fugido. Os agentes permaneceram no local, para prestar os primeiros atendimentos e providenciar o encaminhamento do homem para atendimento médico. Posteriormente, segundo os agentes, o bombeiro retornou ao lugar e foi abordado. Ele e o mecânico foram encaminhados para atendimento médico e, depois, conduzidos ao plantão policial para apresentação da ocorrência. Versão do bombeiro Conforme o boletim de ocorrência, o bombeiro contou que estava retornando de um supermercado, quando, ao se aproximar de sua residência, o automóvel apresentou problemas mecânicos, dificultando seu deslocamento. Ao acessar a via onde fica a entrada de sua garagem, deparou-se com dois veículos estacionados, sendo um de cor vermelha e outro de cor branca, que obstruíam parcialmente a passagem, impossibilitando manobra. Por conta disso, acionou o pisca-alerta e buzinou diversas vezes, na tentativa de localizar os proprietários dos automóveis. O bombeiro ainda foi até a portaria do prédio em frente, buscando identificar os condutores, porém não obteve êxito. Segundo ele, ao deixar o local, foi abordado por um homem com camiseta do time Corinthians, acompanhado de uma mulher vestindo roupa vermelha, que passaram a fazer ofensas verbais e ameaças, dizendo que “iriam pegá-lo”. Em determinado momento, o homem foi até seu veículo e retornou com um martelo. Nessa hora, conforme o bombeiro, o mecânico passou a agredi-lo, desferindo um soco em seu rosto e um golpe com o martelo, que atingiu sua mão, bem como outra martelada no seu ombro. O bombeiro afirmou que, "temendo por sua integridade física, pegou uma faca que se encontrava na porta de seu veículo" e a utilizou para afastar o mecânico. Conforme o bombeiro, "mesmo assim o homem continuou investindo" contra ele, inclusive dando chutes na porta de seu carro, o que a amassou. Segundo o bombeiro, o mecânico tentou novamente golpeá-lo com o martelo, e nessa hora, o militar desferiu dois golpes com a faca, a fim de cessar a agressão. Após ser atingido, o mecânico se afastou e o bombeiro foi embora. Posteriormente, ao tomar conhecimento da presença da polícia no local, o bombeiro retornou para se apresentar e dar prosseguimento à ocorrência. SSP Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que a Polícia Civil investiga a ocorrência, para o devido esclarecimento dos fatos. A Tribuna entrou em contato com o Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), que disse que não irá se manifestar sobre o caso, já que o fato se deu "em horário de folga e em caráter estritamente pessoal". A reportagem não conseguiu localizar a defesa do bombeiro, mas o espaço segue aberto para manifestações.