Elisângela (esquerda) foi morta por Jacemir (direita) e enterrada por ele no quintal da residência do casal (Reprodução/ Redes sociais) A Justiça negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Jacemir Barbosa Bueno de Almeida, de 39 anos, preso após confessar ter matado a esposa, a professora Elisângela Barbosa Bueno de Almeida, de 44, e enterrado o corpo dela no quintal da casa onde moravam, em Pariquera-Açu, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo. A decisão é do desembargador Silmar Fernandes, do Foro de Pariquera-Açu. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A defesa de Jacemir, representada pela advogada Maria Claudia Ribeiro Calixto, sustentava que não havia fundamentos concretos para mantê-lo preso preventivamente e temporariamente pelos crimes de feminicídio majorado e ocultação de cadáver. Para ela, medidas cautelares alternativas seriam suficientes. Ao analisar o pedido liminar, o magistrado entendeu que não há, neste momento, ilegalidade evidente nas decisões anteriores que determinaram a prisão de Jacemir. Segundo o desembargador, na decisão assinada na terça-feira (5), a prisão preventiva foi fundamentada em “elementos concretos” obtidos durante as investigações, como a localização do corpo da vítima enterrado no quintal da residência do casal, sinais de violência e indícios de tentativa de ocultação do crime. A decisão também destaca o que foi classificado como “gravidade concreta da conduta”, apontando que o crime teria ocorrido em contexto de violência doméstica e com o filho do casal, menor de idade, dentro da residência. O magistrado citou ainda supostas tentativas de dificultar as investigações. Entre elas, o uso do celular da vítima para enviar mensagens simulando que a professora estaria viva e a possível construção de uma narrativa para despistar familiares e policiais. De acordo com o desembargador, a Polícia Civil ainda realiza investigações consideradas importantes para o caso, como análise de dados telemáticos, acesso a imagens de câmeras de segurança, conclusão de laudos periciais e oitivas de testemunhas. “A medida encontra-se devidamente fundamentada na imprescindibilidade para o prosseguimento das investigações”, escreveu Fernandes ao manter também a prisão temporária. Relembre o caso Jacemir Barbosa Bueno de Almeida, de 39 anos, matou a professora Elisângela Barbosa Bueno de Almeida, de 44, e enterrou o corpo da esposa no quintal da casa onde moravam, em Pariquera-Açu, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo. Conforme noticiado por A Tribuna, antes de ser preso, ele disse à polícia que mexeu no terreno para construir uma “quadrinha de areia” para o filho de 10 anos do casal brincar. Jacemir, que é revendedor de produtos farmacêuticos, foi preso em flagrante na noite de 24 de abril, após confessar ter matado e enterrado a mulher no quintal da própria residência. O cadáver da professora foi encontrado no mesmo dia da prisão de Jacemir, no imóvel onde moravam, na Vila São João. Segundo apurado por A Tribuna, a vítima estava desaparecida desde o fim da tarde de 20 de abril. No entanto, o desaparecimento só foi comunicado por familiares na noite de 23 de abril, após suspeitas levantadas por mensagens enviadas supostamente por Elisângela durante o período. Os textos apresentavam erros de português, algo considerado incomum para a educadora. Também houve a publicação de uma foto da mulher com a legenda “recomeçar”, o que levantou a hipótese de tentativa de despistar os parentes. Depoimento à polícia Durante as investigações sobre o paradeiro de Elisângela, Jacemir foi ouvido na Delegacia de Pariquera-Açu, onde detalhou a rotina da esposa. Segundo ele, o casal estava junto há cerca de 15 anos e teria discutido antes de ela sair de casa em 22 de abril. Apesar da versão apresentada, a Polícia Civil acredita que Elisângela já estava morta. Conforme informações da polícia, durante o depoimento, Jacemir afirmou que fazia uma construção com areia no quintal da casa, a pedido do filho, para que ele pudesse jogar bola no local. O homem relatou também que, durante a obra, um cano teria estourado entre os dias 22 e 23 de abril. A informação chamou a atenção dos investigadores, por não ter relação com o desaparecimento de Elisângela, o que motivou buscas na área indicada. A Polícia Civil considera a explicação “fantasiosa” e acredita que tenha sido apresentada para justificar a recente movimentação no quintal. Um vizinho, inclusive, relatou ter ouvido o terreno sendo escavado na madrugada de 21 de abril. Crime bárbaro Conforme apurado por A Tribuna, Jacemir atingiu Elisângela com um tapa no rosto. Ao cair, ela teria convulsionado. Na sequência, o homem teria entrado em desespero e decidido enterrar a esposa. O filho do casal estava dormindo no momento. Jacemir também alegou à Polícia Civil que contou com a ajuda do filho para construir a quadra de areia. No entanto, a corporação descarta a participação da criança tanto na ocultação do cadáver quanto na construção da quadra de areia. Vizinho ouviu Um vizinho relatou ter ouvido, durante a madrugada, barulhos de enxada vindos do quintal da casa. Apesar de estranhar o horário, não imaginou que se tratava de um crime. O depoimento consta no boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil. De acordo com o documento, o vizinho afirmou que ouviu sons semelhantes aos de escavação por volta das 3h de 21 de abril, enquanto se preparava para sair para o trabalho. Embora tenha achado incomum alguém cavar naquele horário, disse não ter desconfiado de algo grave, já que não ouviu brigas ou qualquer movimentação atípica na casa de Elisângela. Ainda segundo o relato, nos dias seguintes, o comportamento de Jacemir não levantou suspeitas. O vizinho afirmou que o encontrou normalmente na rua e que ele chegou a praticar ciclismo, como de costume, aparentando tranquilidade, “como se nada tivesse ocorrido”.