[[legacy_image_166265]] Tem início nesta terça-feira (5), às 9 horas, na Vara do Júri e das Execuções Criminais de Santos, o júri popular do dentista Flávio do Nascimento Graça. Acusado pelo assassinato de três pessoas da mesma família, entre 2014 e 2015, e de duas tentativas de homicídio, o Maníaco da Peruca, assim apelidado por usar o acessório ao atacar às vítimas, está preso preventivamente desde 29 de novembro de 2018, na Penitenciária 2 de Tremembé, no Vale do Paraíba (SP). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A expectativa é que o júri dure de dois a três dias, quando serão ouvidos dois sobreviventes de crimes que resultaram nas mortes dos irmãos Agilson Correa de Carvalho, de 54 anos, Aldacy Correa de Carvalho, de 56, e Arnaldo Correa de Carvalho, de 54, sócios da Clínica Odontológica Americana. Segundo as investigações, Flávio Graça, que tinha um consultório na mesma rua de uma das clínicas concorrentes, teria ido à falência e queria se vingar dos proprietários. Além de um sobrinho das vítimas e de uma funcionária da clínica, que sobreviveram às tentativas de homicídio, também serão ouvidas dez testemunhas de acusação, cinco testemunhas de defesa e o acusado. O tribunal será presidido pelo juiz Alexandre Betini, e o júri, formado por sete jurados. Embate O ponto crucial do embate entre defesa e acusação será a inimputabilidade do acusado, alegada pela defesa de Flávio Graça e apontada por laudo da perícia oficial. O réu sofreria de esquizofrenia e não teria consciência de seus atos por ocasião dos crimes. A afirmação é contestada pela acusação. “O cara tinha plena capacidade de entender o que estava fazendo, malgrado quando fugiu trocava número de telefone, não usava cartão de crédito, usava documento falso. Ele é plenamente capaz, mas a defesa sustenta isso, porque um laudo diz que ele é inimputável. Mas o laudo, no nosso modo de entender, respeitosamente, é equivocado. O perito dos peritos é o juiz. No caso, são os jurados, o Conselho de Sentença”, afirma o assistente de acusação Ricardo Ponzetto, que representa o sobrinho das vítimas. O advogado se apoia em laudo de um psiquiatra do Centro de Apoio à Execução (Caex), órgão auxiliar do Ministério Público, que, segundo Ponzetto, “rechaçou o equívoco da perícia oficial”, que considerou o réu inimputável. A expectativa da acusação é que o Maníaco da Peruca pegue uma “pena muito alta”. “Se nós considerarmos as penas máximas dos três homicídios e duas tentativas, chegaríamos ao patamar de 130 anos, mas o juiz não deve fixar no máximo. Pela dosimetria, uma pena que chegue muito próxima dos 100 anos”, diz Ponzetto. Neste caso, o benefício de progressão de pena só seria concedido após o cumprimento de dois terços da mesma. “Doença mental” O advogado de Flávio Graça, Eugênio Malavasi, não nega a autoria dos crimes cometidos pelo seu cliente, mas defende que o réu é inimputável. “A defesa em nenhum momento sustenta a inocência: sustenta a inimputabilidade do acusado em face de doença mental ao tempo dos fatos, constatada de forma inequívoca pelos peritos oficiais. O parecer (da acusação) é parcial, porque é do Ministério Público. Se for parcial, eu tenho também o parecer psiquiátrico do doutor Guido Palomba (psiquiatra forense), que atesta a inimputabilidade (do réu).” Malavasi também disse que documentos da Penitenciária 2 de Tremembé, apontando que Flávio Grava tem “sérios problemas psiquiátricos”, corroboram com o laudo oficial. Questionado se o seu cliente, por ter ido à falência, quis se vingar dos proprietários da Clínica Americana, o advogado disse que “isso pode ter sido até o fato gerador do impulso dele, mas ele (Graça) não estava consciente da prática criminosa, segundo os peritos atestaram”. Afirmando que Flávio Graça não pode ser condenado criminalmente, o advogado defende que ele cumpra uma medida de segurança em um manicômio judiciário. “Eu quero tratamento, eu não quero impunidade. Foi bem isso que os peritos oficiais estabeleceram.” Os crimes A primeira vítima do Maníaco da Peruca foi Agilson Correa de Carvalho, 54, morto com um tiro na cabeça quando saía da filial da Clínica Americana do Gonzaga, na Avenida Floriano Peixoto, na noite de 23 de dezembro de 2014. A ação foi filmada por uma câmera de segurança e mostrou o agressor disparando na direção de Agilson e o sobrinho, que saiu ileso do ataque. Na noite de 15 de julho de 2015, a irmã de Agilson, Aldacy Correa de Carvalho, 56, foi assassinada após sair da unidade da Clínica Americana, na Rua João Pessoa, no Centro de Santos. Ela estava acompanhada pelo irmão, Arnaldo Correa de Carvalho, 54, que também foi baleado e morreu após passar quatro meses internado. Na ação, um sobrinho das vítimas também foi atingido por disparos de raspão no nariz e na nuca, mas sobreviveu. Uma funcionária da clínica também foi baleada por Flávio Graça no dia 23 de setembro de 2015, no Gonzaga, mas apesar de alvejada, também sobreviveu. Depois de quase quatro anos foragido, o dentista foi preso no dia 29 de novembro de 2018 em Santos.