<div style="clear:both;"> <p class="p-smartimagebox"><img attr-cid="policy:1.449371" attr-version="policy:1.449371:1738277766" class="p-smartimage" src="/image/policy:1.449371/Projeto Canva - 2025-01-30T195649.094.jpg?f=3x2&w=400&q=0.3" /><br /> <span class="p-smartcaption">Douglas Baptista está preso na Penitenciária de Tremembé II há quase 10 anos (Toninho Pinheiro/ Arquivo TV Tribuna)</span></p> <p paraeid="{9c973ed3-bc46-4fde-aebd-a62bd5829155}{225}" paraid="74610988" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">O maior </span>serial killer da Baixada Santista, Douglas Baptista, de 72 anos, acusado de matar oito crianças e estuprar algumas delas em São Vicente, está preso na Penitenciária de Tremembé II, a prisão dos famosos, há quase 10 anos. <strong>A Tribuna </strong>consultou especialistas para saber se haveria a possibilidade de ele ser solto devido à sua idade avançada. Ele foi <a href="https://www.atribuna.com.br/noticias/policia/maior-serial-killer-da-baixada-santista-tem-pena-de-30-anos-confirmada-pelo-tj-1.335335">condenado a 30 anos</a> de detenção e cumpre pena por pelo menos três crimes. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{519eb950-8be5-4732-840f-e84cdcbe10b6}{217}" paraid="96972523" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">“Com relação à idade dele, não há interferência nenhuma, salvo se for comprovado, por exemplo, que ele tenha algum problema de saúde ou particular que o impeça de cumprir pena na unidade prisional”, afirmou o </span>ex-advogado de Douglas, João Carlos Pereira Filho. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{519eb950-8be5-4732-840f-e84cdcbe10b6}{229}" paraid="2128284076" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">O advogado atuou na defesa de Douglas em três processos, sendo um em Itanhaém e outros dois em São Vicente. "Eu obtive a soltura dele no Supremo por excesso de prazo. Ele estava há quase 10 anos sem julgamento. Tempos depois, em outro processo, ele acabou sendo preso cautelarmente."</span> </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{519eb950-8be5-4732-840f-e84cdcbe10b6}{241}" paraid="117339550" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Ricardo Duran, advogado especialista na área criminal, explicou que o Código Penal “prevê a circunstância atenuante quando, na data da sentença condenatória, o acusado for maior de 70 anos, bem como o benefício legal de se contabilizar os prazos prescricionais pela metade”. “Nos casos de prisão cautelar (provisória, ou seja, antes da decisão condenatória definitiva), o juiz poderá substituir a prisão preventiva pela prisão domiciliar, com monitoramento e outras medidas cautelares, como a tornozeleira eletrônica, quando o acusado for maior de 80 anos".</span> </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{519eb950-8be5-4732-840f-e84cdcbe10b6}{253}" paraid="123065396" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Porém, o especialista explicou que, no caso de Douglas, há condenação definitiva e, portanto, inexiste previsão legal expressa que possibilite a prisão domiciliar, muito menos que autorize a soltura do condenado. “Por outro lado, com suporte no princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, em casos especialíssimos, e quando plenamente justificados, o juiz poderá determinar a substituição da prisão em estabelecimento penitenciário pela prisão domiciliar, desde que o condenado seja, por exemplo, portador de doença grave e já esteja cumprindo pena em regime aberto".</span></p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{78c6a6d9-8f90-46eb-9888-dbce5e8c1a35}{10}" paraid="1111574484" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Apesar disso, Duran ressalta que esse benefício é inviável quando a periculosidade e as condições pessoais do condenado indicarem que o regime domiciliar é insuficiente ou inadequado, e que o preso, em regime domiciliar, apresentaria perigo à sociedade. O advogado lembra que a pena máxima no Brasil é de 40 anos. Na ocasião, Douglas só poderia ser solto após cumprir os 30 anos de prisão.</span> </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{78c6a6d9-8f90-46eb-9888-dbce5e8c1a35}{22}" paraid="1236991573" xml:lang="PT-BR"><strong><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Crimes</span> </strong><br /> <span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Douglas Baptista é apontado como o autor dos homicídios de sete meninas e um menino, que aconteceram entre 1992 e 2003, em São Vicente.</span> </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{78c6a6d9-8f90-46eb-9888-dbce5e8c1a35}{40}" paraid="1937828762" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">As sete meninas e o garoto desapareceram de suas casas em São Vicente. As meninas moravam na Rua José da Silva Xavier, no Parque São Vicente, onde Douglas também residia. O local era conhecido como Antiga Rua da Lama, pois era a única no quarteirão que não tinha pavimentação.</span> </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{78c6a6d9-8f90-46eb-9888-dbce5e8c1a35}{52}" paraid="1164182604" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Em depoimentos, Douglas confessou ter matado as crianças sem saber explicar a razão. Ele justificou à Polícia Civil que havia agido sob o impulso de uma “força estranha”, que fugia ao seu controle.</span> </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{78c6a6d9-8f90-46eb-9888-dbce5e8c1a35}{64}" paraid="172643674" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">“Douglas negou premeditar os crimes, afirmando que era acometido por um impulso incontrolável, que aflorava repentinamente”, relatou, na época, o delegado </span>Niêmer Nunes Júnior, responsável pelas investigações. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{78c6a6d9-8f90-46eb-9888-dbce5e8c1a35}{76}" paraid="755026523" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">A ex-mulher do acusado disse que ele usava isso como desculpa. “Ele não é louco e sempre foi muito lúcido. Essa história (de força estranha) é uma desculpa para justificar o que fez”, disse Rejane Ferreira a </span><strong>A Tribuna</strong>. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{78c6a6d9-8f90-46eb-9888-dbce5e8c1a35}{88}" paraid="1533431968" xml:lang="PT-BR"><strong><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">A primeira vítima</span></strong> <br /> <span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">A primeira vítima do assassino foi sua própria enteada, Vanessa Hilário Ferreira, de 12 anos. O crime ocorreu em 21 de outubro de 1992. O acusado tinha o hábito de pescar em rios da região da Baixada Santista acompanhado dos enteados.</span> </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{78c6a6d9-8f90-46eb-9888-dbce5e8c1a35}{106}" paraid="2008998186" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Na data, a menina deveria ir para a escola, mas foi com o padrasto a uma pescaria sem que ninguém da família soubesse. Os irmãos estavam no colégio, e a mãe, no trabalho.</span> </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{78c6a6d9-8f90-46eb-9888-dbce5e8c1a35}{118}" paraid="289353600" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Depois desse dia, a mãe e então mulher do </span>serial killer nunca mais encontrou a criança e não suspeitava de Douglas. O casal viveu junto até se separar. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{78c6a6d9-8f90-46eb-9888-dbce5e8c1a35}{130}" paraid="141947570" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Anos depois, o pescador confessou o homicídio e informou que levou a enteada ao Rio Piaçabuçu, no </span>Samarita, e entrou com a garota na água. Sob domínio da força estranha da qual dizia não conseguir fugir, Douglas afogou a menina e parou apenas quando ela deixou de se debater. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{78c6a6d9-8f90-46eb-9888-dbce5e8c1a35}{142}" paraid="1344741620" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Após o depoimento, o acusado indicou onde matou Vanessa. Porém, até 2011, o corpo dela não havia sido encontrado.</span> </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{78c6a6d9-8f90-46eb-9888-dbce5e8c1a35}{154}" paraid="1946731441" xml:lang="PT-BR"><strong><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Modus operandi</span> </strong><br /> <span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Os crimes cometidos por Douglas seguiam um padrão. Para atrair e matar as crianças sem levantar suspeitas, o acusado tornava-se amigo das famílias e mantinha uma boa relação com a garotada. As crianças eram levadas para passeios ou pescarias e depois nunca mais eram vistas.</span> </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{78c6a6d9-8f90-46eb-9888-dbce5e8c1a35}{172}" paraid="581715300" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Em um dos casos, o </span>serial killer amarrou a criança e a estuprou. Depois, atirou a vítima no rio, no mangue ou no mar, fazendo com que ela se afogasse. Conforme apurado por <strong>A Tribuna</strong>, algumas das crianças também foram estranguladas. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{78c6a6d9-8f90-46eb-9888-dbce5e8c1a35}{184}" paraid="144521468" xml:lang="PT-BR"><strong><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">O que diz a SAP</span> </strong><br /> <span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou a<strong> </strong></span><strong>A Tribuna</strong> que Douglas está recolhido na Penitenciária de Tremembé II desde 18 de dezembro de 2015. </p> </div>