Com 29,5 mil seguidores no Instagram, Paula é apontada pela PF como suspeita de ter assumido funções de liderança na organização criminosa (Reprodução/Redes Sociais) Integrantes da máfia italiana 'Ndrangheta teriam oferecido 250 mil euros, aproximadamente R\$ 1,4 milhão, pela morte da influenciadora digital Paula Simões Assisi, de 34 anos. A informação consta de uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre um esquema internacional de tráfico de cocaína, que levou à prisão da influenciadora e do advogado Patrick Raasch Cardoso, suspeitos de envolvimento com a organização criminosa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo os investigadores, a ameaça surgiu após integrantes da máfia descobrirem que Paula, casada com Patrick Assisi, mantinha um relacionamento extraconjugal com o advogado. A influenciadora também teria desfrutado, entre 2019 e 2023, de viagens e artigos de luxo financiados com recursos provenientes do narcotráfico. A pressão sobre Paula, conforme a investigação, não teria se limitado à ameaça de morte. Integrantes da organização criminosa teriam exigido que ela encerrasse o relacionamento com Cardoso, sob risco de retaliações às operações de tráfico. A influenciadora também teria sido cobrada por dívidas relacionadas a carregamentos de cocaína enviados ao exterior. Ligação com Praia Grande A investigação da Polícia Federal também apura o papel de Paula na organização criminosa após a prisão de seu marido, Patrick Assisi, e do sogro, Nicola Assisi. Os dois foram detidos em julho de 2019, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, durante uma operação contra o tráfico internacional de drogas. De acordo com a PF, após as prisões, Paula teria assumido a coordenação de atividades ligadas ao envio de cocaína do Brasil para a Europa, passando a ocupar uma posição de liderança operacional no esquema. As investigações apontam que a influenciadora atuava em parceria com o advogado Patrick Raasch Cardoso, suspeito de participar da organização das remessas e da articulação entre integrantes do grupo criminoso. Codinome 'Chanel' Para identificar a atuação dos investigados, a Polícia Federal analisou mensagens trocadas entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2021 por meio do SkyECC, aplicativo de comunicação criptografada utilizado pelo grupo. Nas conversas, Paula aparecia com o codinome "Chanel". Segundo a investigação, ela teria intermediado negociações entre fornecedores de cocaína da América do Sul e investidores europeus, coordenado carregamentos destinados ao exterior e participado da movimentação financeira da organização. Entre os fornecedores identificados pelos investigadores está Elton Leonel Rumich da Silva, conhecido como Galã, apontado como uma liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Paraguai. Ele está preso na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Paula e o advogado foram presos em setembro deste ano, durante a Operação Eredità, realizada pela Polícia Federal em cooperação com autoridades italianas. As investigações continuam para esclarecer a participação de cada suspeito na estrutura criminosa e a movimentação dos recursos provenientes do tráfico internacional de drogas.