[[legacy_image_339028]] Criminosos tem atuado sorrateiramente para furtar galões de óleo de restaurantes tradicionais em Santos. Eles costumam agir naturalmente, passando até despercebidos pelos próprios funcionários. Imagens de câmeras de monitoramento registraram algumas dessas ações. Alguns empresários conversaram com a reportagem de A Tribuna nesta sexta-feira (1) e relataram um pouco dos problemas vividos com a situação. (confira no vídeo abaixo) Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme os gerentes e empresários, trata-se de um grupo organizado, onde os pessoas se aproximam, invadem os estabelecimentos e se direcionam aos locais onde os óleos ficam armazenados. “Já conversei com um fornecedor e ele disse que, quem compra esses óleos, faz parte desse esquema de ‘máfia dos óleos’. O curioso é que eles sabem exatamente onde guardamos os galões”, diz uma das vítimas que preferiu não se identificar. Os crimes têm sido registrados em toda a cidade, entretanto, grande parte deles ocorrem na rua Tolentino Filgueiras. Conhecida como a Rua Gastronômica de Santos, ela é considerada uma das vias mais frequentadas pelos consumidores por abrigar restaurantes de culinárias diversificadas. “Eles sabem que muitos restaurantes têm uma entrada de serviço e, como eles conhecem o dia a dia, sabem que a maioria deixa as portas abertas, até porque é uma região relativamente segura. E eles operam sempre da mesma forma. Eles entram com cuidado, escondidos e furtam o galão.” De acordo com os empresários ouvidos pela reportagem, alguns dos furtos têm sido registrados há pelo menos cinco anos. E para tentar evitar o crime, alguns deles chegaram a adotar novas posturas para reforçar a segurança. “Colocamos novos portões, grades, tentamos pedir uma identificação ou até mesmo funcionários para ficar de olho, mas os ladrões esperam o momento certo para agir. Às vezes demora, mas os furtos não param”, explica. Nem mesmo as câmeras de monitoramento são capazes de inibir a ação dos indivíduos. Segundo outra vítima que não quer ser identificada, eles sabem muito bem como agir dentro dos estabelecimentos. “Muitas vezes, os próprios funcionários não notam, porque eles costumam agir da mesma forma que quem vem para retirar o óleo. Então ninguém acaba desconfiando. Eles fazem de uma forma muito natural, entram e saem e a gente nem percebe. São bem sorrateiros.” Uma curiosidade em comum, apontada pelas vítimas, é que, em muitos dos furtos, os bandidos levam um galão vazio e substituem pelo cheio, do estabelecimento. A medida é adotada, segundo eles, para não levantar suspeitas. Prejuízos em cadeiaDepois de furtarem os galões de óleo, os criminosos procuram estabelecimentos menores que estejam interessados em comprar o produto por um preço mais baixo. Dessa forma fica caracterizada a ‘máfia do óleo’, como tem sido chamada pelos empresários. “Nós costumamos vender o óleo por R\$ 2 o litro, em média. Nossos galões têm capacidade para até 100 litros. Então esses criminosos, quando furtam nosso material, estão prejudicando nossa fonte de renda e comprometendo também outros empresários que dependem do produto para os seus negócios”, reclama um gerente. Outra vítima explica que muitos restaurantes de Santos agem de forma correta, respeitando o meio ambiente e separam o óleo para reciclagem. Outros, possuem registro com a Prefeitura para que os galões sejam recolhidos para receberem um destino correto. “Nós fazemos tudo de forma legal. Temos um acordo com a Prefeitura de Santos, um cadastro, para que seja recolhido o que chamamos de ‘óleo reciclado’. Assim, outros pontos comerciais ou até instituições podem fazer uso desse produto da melhor forma. Mas precisamos de uma melhor atenção para não ficarmos só no prejuízo”, desabafa uma comerciante. Procurada, a Prefeitura de Santos informou que os estabelecimentos que trabalham com frituras não têm, por obrigação, que fazer um cadastro com a Administração Municipal. Porém, a Secretaria de Meio Ambiente (Semam) de Santos recomenda a separação do óleo, bem como outros itens, para reciclagem. Explica ainda que as empresas que trabalham com o recolhimento de óleo usado é que devem se cadastrar na Semam e prestar contas. Já sobre a segurança dos restaurantes, a Guarda Civil Municipal (GCM) informou que não foi solicitado apoio da corporal pelas autoridades policiais para a referida ação. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) também foi procurada mas, até o momento da publicação da matéria, não houve resposta.