Caso foi registrado no 1° DP de São Vicente (Arquivo/Irandy Ribas/AT) Um professor foi denunciado por assediar alunas com idades entre 10 e 12 anos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Carolina Dantas, no Bairro Catiapoã, em São Vicente, litoral de São Paulo. Mães e pais relataram que ele aliciava as menores com doces e que, inclusive, beijava o rosto delas sem consentimento. Um dos casos aconteceu nesta quarta-feira (8), onde uma estudante relatou que o docente passou as mãos em suas pernas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme apurado por A Tribuna, todos os assédios teriam acontecido dentro da sala de aula. Inclusive, conforme relato de uma das mães, a Guarda Civil Municipal (GCM) esteve na escola nesta quinta-feira (10) após a filha dela denunciar o professor por tocá-la e chorar por medo. A dona de casa Ariane Garcia Ferreira, de 33 anos, que é mãe da menina que denunciou o professor por tocar nas suas pernas, contou como ficou sabendo do ocorrido. “Eu recebi uma ligação da escola, pedindo para eu comparecer. Assim que eu cheguei na escola, tinha muitas viaturas da GCM. Assim que eu entrei, minha filha saiu da sala chorando e tinha uma outra menina que também saiu chorando. Eu perguntei o que aconteceu e ela falou: 'mãe, não é culpa minha, o professor colocou as mãos nas minhas pernas'. Fiquei conversando para ela acalmar, falei para ela que não era culpa dela e fui conversar para entender o que estava acontecendo”, conta a mãe. Ariane soube então que o professor também assediava outras meninas. “Ela (filha) veio falar pra mim que não é de agora, que o professor assediava as meninas oferecendo bombom, chocolates, que ficava beijando o rosto delas. Se ele está sentado na mesa dela, quando as meninas vão mostrar o caderno com as lições, ele pede para as meninas (se) abaixarem para tentar ver alguma coisa por dentro da blusa. Depois, fica falando no ouvido das meninas que ama elas, que elas são lindas” relatou. Medo A vendedora Priscila Andrade de Sousa, de 41 anos, mãe de uma das colegas das alunas que alega ter sido assediada, contou que elas não querem ir para escola. “As meninas estão se sentido oprimidas, não estão querendo ficar na escola e estão com medo. Tanto que, quando elas tomaram ciência que estávamos na escola, elas ficaram apavoradas”, explicou. Segundo ela, os abusos têm acontecido há algum tempo, e que agora a situação está tomando proporções maiores. "Uma menina ficou nervosa porque tava com medo que ela fosse a culpada", afirma Priscila. Professor se aproximava das alunas O gestor de portaria remota Thiago Fagundes, de 39 anos, afirmou que a filha também foi uma das vítimas e que o professor tentava ter intimidade com elas. "Minha filha me procurou perguntando se era normal um professor (dizer) que ama, ai eu perguntei em que contexto foi. Ela disse que era sempre afastado da mesa e longe de outras crianças. Recebi informações dela que ele tinha essa mania de ter uma aproximação maior com meninas, falar que ama (elas), pedir beijo no rosto, pedir para sentar no colo, passar a mão na perna. Para elas, era uma demonstração de carinho. Ele dava bombom, paçoca, balinha, pagava lanche da escola”, explicou. Ele disse ainda que outras mães e pais denunciaram o professor pelos assédios, até porque se incomodavam com essa proximidade. Fagundes cita ainda que responsáveis pelas estudantes estão pedindo para o professor ser desligado do cargo após as denúncias e registro de boletim de ocorrência (BO). O pai afirma que até os pais estão com receio de levar as crianças para a escola. “O medo de deixarmos as nossas crianças lá é justamente esse assédio. São crianças de 10 a 12 anos que não têm discernimento, não sabem o que é certo ou errado. E vem alguém, oferece bombom, demonstra um carinho, que não é necessário, acaba confundindo a cabeça delas”, desabafou. Investigação Em nota, a Prefeitura de São Vicente disse que, "imediatamente após tomar ciência acerca do caso, a Secretaria de Educação (Seduc) deu início às medidas cabíveis, afastou o professor, e abriu processo administrativo para apurar as denúncias. Todo o caso está sendo acompanhado pela supervisora de ensino". A Administração Municipal disse ainda que a equipe de psicologia educacional e supervisão estará na unidade para "prestar o devido acompanhamento e assistencialismo às alunas". A Prefeitura declarou ainda que se compromete em oferecer todo suporte psicológico às estudantes, e que está à disposição das autoridades para prestar os devidos esclarecimentos, visando contribuir para o andamento do processo. A Tribuna entrou em contato com a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) para mais informações sobre o caso, porém não houve retorno. Conforme apurado com as mães e o pai, um boletim de ocorrência foi registrado no 1° Distrito Policial (DP) de São Vicente. Além disso, eles disseram que quatro famílias foram prestar depoimento e que o professor esteve na delegacia para prestar depoimento junto com advogados.