Após ser acusada de sequestrar o filho em Santos, Manuela Xavier falou sobre o caso (Arquivo pessoal e reprodução) Manuela Xavier dos Santos, de 30 anos, acusada de sequestrar o filho, Lorenzo, de 5 anos, no dia 23 de abril, na Ponta da Praia, em Santos, resolveu falar e dar sua versão para os fatos. Segundo ela, em entrevista exclusiva para A Tribuna, o gesto que a tornou foragida da Justiça deve ser classificado como um “ato drástico” de quem era impedida de ver o garoto pelo pai e a avó paterna. Ela também acusa Eduardo Cassiano de agressão com chutes no estômago, no dia 29 de março, um mês antes do rapto. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “O pai dele está contando um monte de mentiras. Infelizmente, tive que devolver o Lorenzo por alguns motivos. Mas algumas pessoas me falaram que meu filho ficou desesperado. Ele não queria ir, de jeito nenhum”, assegura a mãe do garoto, entregue no Fórum de Santos na última sexta-feira (7). Ela relata que vivia “situações de desespero” ao não poder ver filho. Tentava, de todas as formas, ter acesso à criança, sem sucesso, segundo Manuela. “Minha revolta era de que ele não me deixava ver o garoto. As vezes que ele diz que tentei pegar o Lorenzo, são mentiras. No judô, na porta da escola... É um absurdo isso”, reclama. A mãe do garoto conta que, certa vez, na porta do prédio da avó paterna do menino, ela implorou, na frente de uma policial feminina, para que pudesse ver o filho. Mesmo com a presença da autoridade, ouviu nova recusa da detentora da guarda do menino. Na véspera da viagem, a surpresa Manuela conta que, em janeiro, estava com passagem comprada para o Nordeste – o menino estava em Aracaju, quando a mãe foi surpreendida com um papel e a decisão judicial de dar a guarda para o pai e a avó paterna. “Não é da maneira que ele conta. Disse que não está comigo há mais de dois anos, Isso é mentira. Em dezembro, me chamou para passar Natal e Ano Novo, eu não quis. Me chamava para ficar com ele, e eu já não queria. Pronto: de última hora, falou que eu tinha abandonado o garoto com eles. Sem ao menos eu ser ouvida, deram a guarda provisória para ele”, reclama. Ela relata que não chegou a ter uma união estável com o pai do menino, mas tiveram uma boa relação durante longo período. “A gente tinha um relacionamento. Quando eu morava em Santos, antes da minha gravidez, ele ficava no meu apartamento, e eu na casa dele. Totalmente junto de vez, não, porque ele é um homem bem complicado para morar todos os dias. Mas, muitas vezes, a gente passava a semana inteira juntos. Porque, desde quando você tem escova de dente na casa um do outro, é a mesma coisa”. Uma queixa dela é que as despesas do menino recaíam todas sobre a mãe. “Tudo que sustentava o Lorenzo vinha do meu dinheiro. Quando voltei para Santos, após a pandemia, pedi que ele me ajudasse e olhasse um pouco o menino. Mas não entreguei o menino para ele. Se tivesse feito isso, estaria brigando dessa maneira na Justiça? Nunca””, decreta. Agressão na Sexta-Feira Santa Manuela argumenta que foi agredida pelo pai de Lorenzo na Sexta-Feira Santa, dia 29 de março. “Fui entregar uma cesta de Páscoa para o menino, e ele o arrancou dos meus braços e me xingou. Quando xinguei de fora, ele falou 'agora, você não entrega mais (a cesta). Eu agachada, e ele arrastou o menino, que chorava por mim, com tudo'”. De acordo com o boletim de ocorrência da ocasião, Eduardo xingou Manuela de “vagabunda e prostituta” e, em seguida, “deu-lhe chutes na região do estômago, cotovelada no rosto, fazendo sangrar o nariz. (...) ele fez isso para afastar a vítima do portão e evitar a entrega da cesta”. Sobre se apresentar à Justiça, Manuela aguarda orientação da advogada. “Vamos aguardar alguns pedidos que fizemos essa semana”, acrescentou a responsável pela defesa da mãe de Lorenzo, Mariana Oliveira. “Meu filho estava estudando. Está nas mãos da advogada foto dele na mesa, na sala de aula, estudando com as outras crianças. E ainda tenho que passar por isso, acusada de sequestro do meu filho”, encerra. Outro lado Procurada após as alegações de Manuela, a defesa de Eduardo Cassiano, por meio da advogada Talita Alambert, confirmou que houve um boletim de ocorrência no dia 29 de março, mas que a mulher "tentou forjar uma agressão" por parte do pai da criança. Talita afirma ainda que não foi realizado exame de corpo de delito para comprovar tal relato. "Nunca foi proibido o contato da mãe com o filho até a tentativa de subtrai-lo nesta mesma data. Após esse fato, as visitas eram assistidas pelo receio da mãe subtrair o menor, conforme ocorreu. A respeito das despesas, ela colaborava com o que podia e quando queria, nem perto dos gastos totais do menor. Esperamos que todas as acusações sejam baseadas em provas e que o caso seja resolvido na justiça. O menor segue bem e feliz em companhia do pai e da avó", afirma a advogada de Cassiano.