[[legacy_image_284754]] O que era para ser uma noite de cachorro-quente se tornou uma noite de constrangimento e revolta para uma família que veio do Rio de Janeiro para aproveitar as férias em Santos. Durante a pesquisa de preço na intenção de encontrar os melhores valores, a professora Olivia Cristina de Oliveira, de 40 anos e seu filho, de 11 anos, foram vítimas de racismo dentro de um supermercado da rede Dia, no bairro Gonzaga, na última quinta-feira (27). Em entrevista para A Tribuna, Olivia contou que quando estava saindo do mercado o segurança os rendeu acusando o filho de ter pegado um doce e escondido no bolso. “Quando entramos no mercado meu filho viu um saquinho de chiclete, ele pegou e veio mostrar pra mim, ele disse ‘olha mamãe, que diferente, compra pra mim’, mas como estava só fazendo a pesquisa, eu disse que não ia comprar naquela hora. Ele concordou e deixou em uma outra prateleira”, conta. Depois disso, ela conta que anotou o preço dos itens que iria precisar e estavam saindo, quando foram abordados por um segurança. “Ele me chamou e disse ‘senhora, seu filho colocou um doce no bolso’. Eu fiquei sem reação, respondi que não, mas ele colocou o dedo na orelha, como se estivesse falando com outra pessoa e disse ‘eu vi pela câmera que ele colocou no bolso’. Cheguei a perguntar para meu filho e ele respondeu que não”, afirma. Constrangida, ela conversou com o filho e pediu para ele pegar o pacote de chiclete que ele tinha mostrado para ela e colocado em uma outra prateleira e devolver ao lugar de onde ele tinha retirado. “Ele (segurança) viu tudo isso, viu que meu filho não tinha pegado o pacote e nem ao menos pediu desculpas, ou sinto muito. Ele disse ainda ‘eu estou conversando com a senhora, mas poderia ser pior. Então, fala para seu filho não fazer mais isso’. O que será que ele faria meu filho estivesse sozinho?”, indaga. Depois dessa situação, ela voltou para a casa da irmã, que fica próximo ao mercado e registrou um boletim de ocorrência. “Isso nunca tinha acontecido comigo. Estava aproveitando as férias e fazendo uma pesquisa de preço. Mas, nós somos negros, ele (filho) e eu. Então, acredito que seja por causa disso, até porque ele não parou mais ninguém”, desabafa. Ainda segundo Olivia, o filho ficou muito abalado com a situação. “Ele chorou muito e me falava ‘mamãe eu não fiz nada’. Tive que conversar bastante com ele, mostrar que a culpa não é dele, que não tem nada de errado com ele, nem com a cor dele, nem com a atitude dele”, conta. O Dia, por meio de sua assessoria de imprensa, lamentou profundamente o ocorrido e ressaltou não concordar com a ação praticada pelo segurança. Ainda reforçou que possuí políticas rígidas e não tolera discriminação e violência, seja ela física ou verbal. Por fim, confirmou que a pessoa envolvida será desligada e não atuará mais na loja em questão. Respostas A Reportagem entrou em contato com a Polícia Civil, para saber como está a investigação do caso, mas até a publicação da matéria, não teve retorno.