Ryan da Silva Andrade tinha 4 anos e foi atingido por disparo durante operação em Santos (Arquivo pessoal e Reprodução) A mãe da criança morta após ser baleada em um confronto policial no Morro São Bento, em Santos, Beatriz da Silva Rosa, já havia perdido o companheiro em fevereiro deste ano. Leonel Andrade dos Santos morreu durante a terceira fase da Operação Verão, que resultou em 56 mortos. Segundo o boletim de ocorrência, ele foi alvejado por policiais militares. Na noite desta terça (5), o menino Ryan da Silva Andrade Santos, de 4 anos, foi atingido por um disparo e não resistiu Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a Polícia Civil, Leonel Andrade dos Santos, de 36 anos, e um outro homem, de 35, estavam armados e chegaram a ser socorridos para o Hospital Santa Casa após o confronto, mas ambos não resistiram aos ferimentos. Em entrevista para a TV Tribuna, Beatriz negou que houve troca de tiros nos episódios que resultaram nas mortes de seu marido e também de seu filho. Em fevereiro, ela contou que os policiais militares chegaram no morro atirando e acabaram alvejando Leonel, que conversava com um amigo, que também foi morto na ação. Além disso, Beatriz afirmou que o companheiro era deficiente, andava com o apoio de muletas e não teria como segurar uma arma. A mulher afirma que o mesmo ocorreu por volta das 20h30 desta terça-feira. “Não teve troca de tiros. Além de atirar pra cima dos meninos que eles estavam perseguindo, eles atiraram pra cima da gente”, afirmou para a TV Tribuna. Segundo ela, um dos disparos dados para o alto teria atingido o filho enquanto ele brincava com outras crianças na rua em frente a casa de uma prima. Beatriz presenciou a morte do filho e chegou a pegá-lo no colo após o menino ser baleado. Ryan chegou a ser socorrido até a Santa Casa de Santos, mas não resistiu e morreu. A tia do garoto, Renata Fiel da Silva, lembra o momento em que o sobrinho foi atingido em frente à mãe. “A criança caiu nos pés dela. Só deu tempo dele falar ‘mamãe’ e ela ver o sangue escorrendo”, diz. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública Estadual de São Paulo disse que lamenta profundamente o falecimento de Ryan durante o confronto entre criminosos e policiais militares. A pasta afirmou que os agentes faziam patrulhamento em uma área de tráfico de drogas na região quando foram atacados por um grupo de aproximadamente dez criminosos. A Delegacia Seccional de Santos instaurou um inquérito para apurar os fatos e determinou a realização de perícia nas armas apreendidas e no local do confronto para esclarecer a origem do disparo que atingiu a criança. Troca de tiros aconteceu após polícia perseguir suspeitos em direção a um ponto de tráfico de drogas (Reprodução) O que aconteceu, segundo a polícia Segundo o boletim de ocorrência, três viaturas da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) patrulhavam a região quando viram dez homens, sendo quatro em motocicletas, que fugiram ao notarem a equipe. O grupo teria corrido até um ponto de tráfico de drogas. Em seguida, os policiais desembarcaram das viaturas e se aproximaram dos suspeitos, que teriam começado a atirar contra os PMs. A equipe revidou e solicitou apoio. Logo, mais policiais chegaram pela parte superior do morro e surpreenderam, pelo menos, oito integrantes do grupo suspeito. Com a chegada da nova equipe, um novo tiroteio começou. Nesta segunda troca de tiros, os dois adolescentes, que segundo a polícia são suspeitos, foram atingidos. Os demais integrantes do grupo conseguiram fugir pela área de mata. Três motocicletas, uma delas furtada, foram apreendidas. Os dois adolescentes baleados foram socorridos: um deles para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Noroeste e outro para a Santa Casa de Santos. O mais velho, de 17 anos, morreu. Em nota, a Prefeitura de Santos informou que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Guarda Civil Municipal (GCM) foram acionados para o local da ocorrência, mas a criança baleada já tinha sido levada para a Santa Casa. "As equipes do Samu socorreram dois homens baleados. Um deles foi levado para a UPA Zona Noroeste, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. O outro foi levado para a Santa Casa". Novo confronto após as mortes Segundo a Polícia Civil, outro confronto, desta vez sem vítimas, ocorreu durante a madrugada na Avenida Getúlio Dornelles Vargas, no Centro de Santos. De acordo com o BO, uma equipe estava em patrulhamento pelos corredores de ônibus quando viu um homem observando os policiais em um trecho conhecido como ponto de tráfico de drogas em um elevado. Segundo o registro, o suspeito gritou: “vai morrer, polícia” e disparou na direção da viatura, atingindo o veículo. Por isso, a equipe se deslocou para fora do alcance do suspeito. Em seguida, um dos policiais desembarcou do veículo e disparou em direção ao suspeito, enquanto um outro agente chegou para prestar apoio pelas ruas Visconde de São Leopoldo e São Bento. Os agentes acessaram a escadaria Joana D'Arc, onde ocorreu o segundo confronto. Um tenente efetuou disparos contra o suspeito até que ele parasse de atirar. No entanto, o homem conseguiu fugir e, por conta das condições geográficas da área, a equipe policial não avançou na direção dele por falta de recursos.