Adalto Mello tocava e cantava pagode desde os 15 anos (Reprodução/Redes Sociais) O cantor de pagode Adalto Mello, morto após sua moto ser atingida por um carro dirigido por um motorista bêbado, sonhava com o estrelato e morreu quando voltava para casa a fim de aproveitar as férias com o filho de 10 anos, conta a família do pagodeiro. O crime aconteceu na madrugada de domingo (29) no Japuí, em São Vicente. Adalto morreu aos 39 anos após sofrer uma batida traseira na Avenida Tupiniquins. O motorista do carro, um homem de 32 anos, foi preso em flagrante após ter sido constatado que ele havia ingerido bebidas alcóolicas. Em entrevista para A Tribuna, a mãe do cantor, Carla Vanessa de Mello Almeida, de 62 anos, pede por Justiça. A matriarca destacou que o artista nunca gostou de bebidas alcoólicas. Adalto voltava para casa, em Santos, após um show que fez em Praia Grande. Caráter “Tinha um caráter como nunca vi. Honesto ao extremo, criado com amor. Ele era amado. E agora mostram como se fosse um acidente. O acidente é alguma coisa que você não espera, que acontece do nada e você não está agindo de forma incorreta. Esses caras, pelo que recebi aqui, beberam durante todo o dia e até no dia anterior, pelo que fiquei sabendo. Então eles estavam extremamente alcoolizados”, relata Carla. A mãe da vítima ressaltou que entregou o caso "nas mãos de Deus", pois alegou saber que impunidade ‘lá de cima’ não existe. “Eu vou lutar até o resto da minha vida, enquanto vida eu tiver, para que sejam punidos pelo crime que foi cometido. Porque ali tinha que ter alguém, pelo menos, pra dizer: ‘vá devagar’”, desbafa. O apelo de Carla por Justiça prosseguiu. “Ele teve culpa sim. Ele matou o meu filho. Ele me matou. Porque o Adalto é o meu primeiro bebê. Eu sempre falei pra ele. Porque é o meu primeiro filho. E é um filho de ouro. Um menino. Um cara que não falava mal de ninguém, que não desejava o mal a ninguém. Por isso que eu acho que hoje ele está no meio de muitos anjos lá do lado do Senhor. Hoje eu tenho o prazer, a satisfação, a honra de ter sido mãe do Adalto”, desabafa. Apaixonado pelo filho, Carla contou que Adalto se desdobrava para ser um pai presente mesmo com o filho morando na capital. Chamando-o de menino de ouro, a mulher relembrou o tempo em que ficou internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por conta de uma complicação com diabetes e o filho estava ao seu lado o tempo todo. “Quando eu abri o olho, ele estava chorando como uma criança, porque ele era só emoção, ele era só coração”, enfatizou Carla. Ela diz que sempre apoiou as raízes do artista, que começou a tocar aos 15 anos e, até a maioridade, era levado pelos parentes para as apresentações de pagode. Adalto foi o primeiro filho de três, era o mais velho do trio. “Nunca mais vou vê-lo chegando, nem poder dar um abraço, poder ouvir. Eu nunca mais vou poder nada disso nessa encarnação. Porque me tiraram ele. E foi essa turma que assassinou o Adalto. Ele foi morto. Não foi um acidente. A vida do Adalto não tem preço. Ninguém vai me devolver”. Conforme informado para A Tribuna, o velório do músico acontece às 20 horas desta segunda-feira (30) na Sala Nobre A da Santa Casa de Santos. O sepultamento será às 8 horas da manhã de terça (31).