O momento que a mulher é atropelada pelo carro (Reprodução) A adolescente grávida de 17 anos acusada de supostamente agredir um cachorro a pauladas e segurar uma mulher para a mãe esfaqueá-la foi condenada a ficar internada na Fundação Casa por tempo indeterminado na segunda-feira (10). O caso aconteceu em São Vicente. A defesa entrará com recurso e alega que a jovem não sabia da intenção do crime. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O caso aconteceu no dia 28 de dezembro. A adolescente foi internada e a mãe foi presa, mas foi solta em audiência de custódia. Atualmente, a mulher está na condição de foragida da Justiça. Uma mulher que trabalhava perto da casa delas alegou que foi esfaqueada por tentar impedir uma agressão a um cachorro e brigar com a jovem. O caso aconteceu no ponto conhecido como Gleba, que é parada de motoristas e vans que levam passageiros a Praia Grande. O boletim narra que as facadas foram cessadas após a agressora ter sido atropelada por uma parente da vítima, mas a defesa nega e contesta a versão com imagens de monitoramento. Responsável pela defesa da adolescente e da mãe, o advogado Willian Gomes, do escritório Furlanis, Gomes e Sousa, explicou que o magistrado entendeu na sentença que não existem provas que a adolescente atuou para impedir a agressão. “Primeiro que não faz sentido nenhum ter uma pessoa esfaqueando e ela ser presa por não cessar uma agressão. Ela deveria entrar no meio? Ela falou: ‘Doutor, eu tava com tanto medo, que eu tinha medo de entrar ali e eu também tomar uma facada da minha mãe’. E ele falou que ela deveria ter impedido a mãe”, enfatizou. Mãe da adolescente Foragida da Justiça, a mãe da adolescente é esquizofrênica e, segundo a defesa, estava em surto no momento do crime. Gomes disse que foi um caso isolado e que a mulher nunca teria sido agressiva em outra ocasião, apenas quando viu a filha grávida machucada por agressões na rua. “Ela nunca foi violenta com os filhos, nunca foi violenta com ninguém. O problema naquele dia foi exclusivo. Bateram na filha dela. E no vídeo, que não dá pra ver o momento da facada, mas você escuta a gritaria. É exatamente isso que ela fala: ‘Eu nunca bati nos meus filhos, ninguém vai bater'”, destaca. Vídeo do ocorrido O defensor informou que há um vídeo mostrando o momento e mostra a adolescente, aos gritos, pedindo para que a mãe não fizesse aquilo. Nas imagens, é possível ouvir a frase: ‘não, mãe, para’. Agora, Gomes aguarda por um julgamento em segunda instância para o caso da adolescente. O advogado ressaltou que a adolescente estava grávida durante todo o ocorrido e, infelizmente, acabou perdendo o bebê durante a internação. De acordo com a defesa, as testemunhas de acusação demonstram que toda a versão contada pela vítima, com exceção das facadas, não é verdadeira no que diz respeito à menor. “Primeiro, ela alega que a menor segurou ela para que a mãe a esfaqueasse, depois ela compareceu ao Ministério Público alegando que tem mais uma terceira pessoa que segurou ela, quando as testemunhas dizem que só estavam as duas no local dos fatos. Então, o nosso trabalho hoje, porque a menor está recolhida, vai ser comprovar que a adolescente não fez parte de nada”, explica. Gomes garantiu que não houve agressão a animal algum. A versão da acusada é que ela estava andando com a sua cadela na rua e tinha um outro cachorro querendo atacá-la (pois a cachorra estava no cio) e ela segurou um pedaço de pau para afastar esse outro cão. A vítima das facadas viu o ocorrido e começou uma discussão. O advogado relatou que a discussão ficou cada vez mais acalorada e, quando chegou ao limite, a adolescente grávida foi agredida. Quando chegou em casa com ferimentos, a mãe teria colocado uma faca escondida na cintura sem a menor ver e pediu para que ela mostrasse quem lhe agrediu. Em seguida, o crime aconteceu. “Não é à toa que a menor foi de Uber para delegacia e não foi presa”, destaca. Sobre o atropelamento, o defensor destacou que a mãe da adolescente foi atropelada após cessar as agressões e não durante, como foi registrado no boletim de ocorrência. Por isso, considerou que não houve intenção de matar. Imagens de monitoramento mostram o momento do atropelamento. Agora, ele busca indiciar a pessoa que dirigia o veículo por tentativa de homicídio. Ele também contesta que mãe e filha pediram um carro de aplicativo para fugir do flagrante e que foram encontradas lavando a faca na pia da cozinha. “Ele (o policial militar) disse que a faca estava no quintal. Esse foi o segundo depoimento dele, que ele deu em juízo”. Novo capítulo Gomes reforçou que a adolescente estava grávida de quatro meses no momento do crime e vivia o que considerava o melhor momento de sua vida. Recém-formada no Ensino Médio, a menor teria passado na faculdade de Psicologia e começaria o curso em 2025, porém segue internada na Fundação Casa. Caso Segundo o boletim de ocorrência, a mulher de 47 anos foi esfaqueada após tentar impedir uma adolescente de agredir um cachorro a pauladas na Rua Florival Alves da Silva, no bairro Parque das Bandeiras. A vítima trabalhava no local. O documento narra que as agressões apenas cessaram depois que a acusada foi atropelada propositalmente por uma parente da vítima. Acompanhada de duas testemunhas e de outros motoristas, a vítima estava no ponto conhecido como Gleba, que é parada de motoristas e vans que levam passageiros a Praia Grande. Por volta das 9 horas, o grupo viu a adolescente de 17 anos supostamente maltratando um cachorro.