Após o filho nascer morto, Ana Paula foi submetida a cirurgia para retirada do útero em Guarujá (Arquivo pessoal e Matheus Tagé/ Arquivo/ AT) Uma mulher de 37 anos registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil por suspeita de negligência médica após dar à luz a um bebê natimorto no Hospital Santo Amaro (HSA), em Guarujá, no litoral de São Paulo. A Polícia Civil investiga o caso. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ana Paula Cruz Santos alega que houve demora no atendimento após a identificação da ausência de batimentos cardíacos do filho. Após o parto, ela também precisou passar por uma cirurgia para retirada do útero. O parto ocorreu na madrugada de 20 de outubro. No dia anterior (19), Ana Paula passou por uma consulta de pré-natal de alto risco na Casa Rosa, em razão de um quadro de hipertensão arterial crônica. Segundo ela, estava grávida de oito meses e sua pressão arterial marcava 17, motivo pelo qual foi encaminhada ao HSA. A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil. No documento, o companheiro de Ana Paula relata que ela foi internada no HSA após apresentar fortes dores abdominais e, posteriormente, submetida ao parto, quando foi constatado que o bebê estava sem sinais vitais. O registro policial também informa que, no dia anterior, a gestante havia comparecido à Casa Rosa, onde teria recebido a informação de que o feto estava bem. Entretanto, devido à pressão arterial elevada, foi encaminhada ao hospital. A guia de encaminhamento aponta que ela tinha histórico de hipertensão arterial crônica e queixava-se de dores abdominais. O boletim de ocorrência foi elaborado para registro e apuração dos fatos. Também foi expedida uma guia de encaminhamento ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização de exame pericial e adoção das providências cabíveis. Relato da mãe Segundo Ana Paula, é falsa a informação de que foi submetida a uma cesárea de emergência assim que chegou à unidade de saúde. A mulher afirma que deu entrada no hospital às 19 horas e que a certidão de óbito do filho aponta 4h40 como horário do nascimento. “Eu não preciso mentir. Quem me conhece sabe que o sonho da minha vida era ser mãe. Tiraram de mim o privilégio de ser mãe novamente, porque retiraram meu útero. Quase me mataram”, declara. Ana Paula também afirma ter conversas que comprovariam a demora no atendimento e a falta de assistência durante a internação. Segundo ela, familiares precisaram providenciar até mesmo um cobertor, pois ela estava em um quarto sem medicamentos e acompanhamento. “Minha tia saiu de Vicente de Carvalho para ir até o Hospital Santo Amaro levar uma coberta. Tenho como provar tudo. Vou fazer justiça pela vida do meu filho”, afirma. Posicionamento O Hospital Santo Amaro informou que a paciente Ana Paula Cruz Santos deu entrada na unidade "com sinais de óbito fetal e foi submetida a uma cesárea de emergência". Após o nascimento, a equipe de Pediatria "constatou a ausência de viabilidade do recém-nascido". O hospital afirma que a paciente recebeu esclarecimentos da equipe de Ginecologia e Obstetrícia, "que seguiu todos os protocolos clínicos e cirúrgicos previstos para esse procedimento de alto risco, garantindo a preservação da vida da paciente, diante da complexidade do caso". O HSA esclarece que o caso será investigado pela Comissão de Óbito, em conjunto com o Município, para apuração das circunstâncias e causas da morte. O Hospital Santo Amaro "manifesta sua solidariedade à mãe e aos familiares neste momento de dor e perda".