[[legacy_image_319547]] Um vídeo mostra o momento em que uma menina autista nível de suporte 2, de 6 anos, sai de uma escola sozinha e logo após é ‘resgatada’ por uma mulher. A Tribuna teve acesso às imagens neste sábado (16). O caso ocorreu na Unidade Municipal de Ensino (UME) Leonor Mendes de Barros, no bairro Gonzaga, em Santos, no litoral de São Paulo. À Reportagem, a empresária Yasmin de Campos Cavalcante Baptista, de 26 anos, relembra momentos de desespero, quando percebeu que a filha Maya de Campos Ruas, na época com apenas 5 anos, tinha ‘sumido’ da escola. O caso ocorreu em fevereiro deste ano, pouco antes do carnaval e, após 10 meses, a mãe ainda busca respostas para o que aconteceu com sua filha naquele dia. “Houve uma sucessão de erros. Como não viram uma criança saindo sozinha, ainda mais uma criança especial?”, lembra. No vídeo abaixo é possível ver a menina, com uma mochila rosa, caminhando à frente de outros alunos. Posteriormente, uma mulher leva ela novamente para a escola. Mãe busca justiça sobre escola que deixou filha autista 'escapar' em Santos: 'Invisível' ==> https://t.co/xEFdT0bjud pic.twitter.com/ztc9FpNM2w— Jornal A Tribuna (@atribunasantos) December 16, 2023 EntendaEm fevereiro deste ano, a empresária decidiu colocar a filha na escola municipal. Na época, a criança ainda não falava. A princípio, Maya passou por um período de adaptação, durante o qual a mãe a acompanhava. Após o período de adaptação, Maya estava apta a ir à escola, acompanhada de uma auxiliar do convênio, que prestava cuidados e auxílios às suas necessidades, mas que tinha horário para sair, deixando a menina aos cuidados da escola por um período. Vale ressaltar que Maya fazia terapias pela manhã e ia à unidade de ensino no período da tarde. Ao ir buscar a filha no fim de um dia letivo, Yasmin foi surpreendida. “Eu cheguei para pegar a Maya, por volta das 16h50, fui até a sala de aula na maior expectativa de ter sido um dia bom para minha filha”, lembra. Na porta da sala de aula, a professora da turma se virou para chamar a menina e percebeu que ela não estava no local. A partir daí, Yasmin diz que passou a buscar a filha em todos os locais da escola e até mesmo gritar seu nome. “Eu perguntava para todos que via em minha frente onde estava a minha filha”, diz. Neste momento, a menina já estava andando pela rua da escola que, segundo Yasmin, estava bem movimentada devido ao horário de pico. A mulher continuou desesperada à procura da filha, até o momento em que ela viu outra mulher entrando com Maya dentro da escola. A menina estava em crise, gritando e chorando muito. A mulher que a encontrou, chegou procurando um responsável. “Aí eu peguei e falei que era minha filha (...) ela estava chorando muito e assustada. Eu peguei ela e comecei a tentar acalmá-la”, conta. A empresária ainda diz, que pela filha não falar, não sabia o que estava acontecendo. Se ela tinha sido ‘pega’, ‘fugido’ ou se ferido. Entretanto, a mulher que a encontrou afirma que ela poderia ter sido atropelada e, por isso, a resgatou e a levou até à escola, uma vez que a menina usava uniforme municipal. ‘Você deixa o seu filho numa escola, acreditando que você vai voltar para buscar, e só vão dar falta do seu filho quando você chegar para buscar ele. Então, assim, ela é invisível, sabe? Ela está ali, mas ninguém presta atenção. Isso porque é uma criança com deficiência, tá? Uma criança que tem que ter alguém ao lado 24 horas, que faz uso de remédio controlado. Uma criança que não fala, uma criança que até para ir ao banheiro beber uma água precisa de ajuda, entendeu? Então assim, é bem frustrante, tudo foi bem frustrante e triste”, relata a mãe. Em busca de justiçaApós o ocorrido, Yasmin conta que começou a buscar respostas para o que tinha acontecido. Para entender se a filha realmente tinha saído ou se alguém tinha ‘pego ela’. Além disso, ela buscou entender e responsabilizar os envolvidos, uma vez que acredita que o ‘pior’ poderia ter acontecido com a filha. Yasmin ainda lembra que a escola entrou em contato com ela para perguntar a cor da mochila que Maya usava no dia do ocorrido, porque a Secretaria de Segurança Pública de Santos havia ligado para a unidade para que reconhecessem a criança nas imagens de monitoramento. A mulher buscou apoio para verificar as câmeras de monitoramento da rua e da escola. Entretanto, até hoje, afirma não ter visto nenhuma das imagens das câmeras da administração pública. Ainda preocupada, Yasmin saiu em busca de câmeras da vizinhança para entender o que havia acontecido com Maya, e foi quando um edifício disponibilizou as imagens à ela. A mãe registrou Boletim de Ocorrência poucos dias depois, no 7º Distrito Policial (DP) de Santos. Na natureza da ocorrência consta “Abandono de Incapaz”. Desde então, Yasmin busca na justiça explicações para o que ocorreu com a filha, em um árduo processo, que ainda não lhe deu retorno. A empresária ainda conta que a menina está traumatizada, que não consegue passar na rua da antiga escola sem ter uma crise. A família inteira foi afetada pelo ocorrido. Apesar do susto, a história tem um final feliz. Maya, hoje estuda em uma escola particular e, neste domingo (17), estará se formando na pré-escola, rumo a novos passos de uma vida inteira pela frente. A mãe, orgulhosa de cada conquista da sua filha cheia de limitações, segue buscando respostas e justiça.A luta de Yasmin hoje é para que nenhuma outra família, seja de criança atípica ou não, sofra o que ela sofreu. PosicionamentoEm nota, a Prefeitura de Santos, por meio da Secretaria de Educação (Seduc), disse que informações sobre o caso devem ser apuradas com as autoridades policiais e que os dados de alunos municipais são sigilosos. A Prefeitura também informou que as imagens captadas pelo Centro de Controle Operacional (CCO) já foram disponibilizadas às autoridades de segurança que investigam o caso. “Esclarecemos, ainda, que as imagens das câmeras integradas ao CCO são disponibilizadas para as autoridades policiais somente mediante pedido oficial”. A Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) informou que o caso foi investigado pelo 7º DP de Santos. Todas as partes foram ouvidas e o inquérito policial foi relatado à Justiça.