[[legacy_image_265291]] "A vizinhança ficou triste. Estamos chocados. Era uma pessoa que não mexia com ninguém, um homem trabalhador". Assim resumiu uma mulher que mora próximo ao depósito de reciclagem de Osil Vicente Guedes, de 49 anos, que morreu no sábado (6) após ser brutalmente espancado em Guarujá, litoral de São Paulo. A vítima teria sido acusada injustamente de roubar uma moto. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A Tribuna esteve nesta segunda (8) no local do crime, entre a Avenida Oswaldo Cruz e a Rua Tambaú, e também em frente ao depósito de reciclagem onde Osil trabalhava, na Avenida Acaraú, ambos no distrito de Vicente de Carvalho. Comerciantes ouvidos pela Reportagem relataram ter escutado barulhos na hora do crime, mas não se atentaram ao ocorrido devido ao grande fluxo de trânsito que costuma passar pelo local do crime. A identidade dos entrevistados foi preservada por motivo de segurança. "Só ouvi um barulho na hora. No dia seguinte fiquei sabendo que havia acontecido. Essa rua que é muito barulhenta, passa carro, moto, caminhão", relatou uma comerciante de 51 anos. Outra vendedora, de 54, que trabalha em uma loja de materiais de construção, disse que percebeu o momento em que ambulâncias do Samu se aproximavam do local do crime. [[legacy_image_265284]] "A gente estava com a loja aberta, mas estávamos atendendo. Só vimos o Samu e o movimento na rua Eu só percebi quando a ambulância chegou, porque a avenida é tao movimentada. A gente fica assustada. É algo triste, não sei nem o que dizer", disse. "Não era ladrão"Vizinhos próximos ao depósito de reciclagem onde Osil trabalhava reforçaram a versão de que a vítima pegou a moto emprestada com um amigo. Ele estaria, inclusive, com o documento do veículo na hora das agressões. "Eu conhecia ele daqui, ele não era meu vizinho de moradia, e sim de trabalho. Ele alugou esse ponto (para reciclagem) há mais de anos. As pessoas traziam a reciclagem e ele comprava. Depois vinha um caminhão e pegava", contou uma aposentada de 67 anos. O depósito está trancado após o crime. Dois cachorros que eram mantidos por Osil permanecem no estabelecimento. Os animais vêm sendo alimentados pelos vizinhos desde a morte do comerciante. "Foi uma atitude covarde. Disseram que (ele) era ladrão, mas era mentira. A moto era emprestada", reiterou a aposentada. Outro homem, de 40 anos, que mora nos arredores do depósito e trabalha como motorista de caminhão, relatou que o local tinha bastante fluxo de pessoas com entregas para Osil. "Não conhecia, nem sabia o nome dele. Mas o via passando, sabia quem ele era. Dava um bom dia, abria o estabelecimento, fechava e só. Vinha bastante o caminhão recolher as mercadorias para reciclagem. Tinha bastante fluxo no estabelecimento. Os rapazes, às vezes, ficavam na frente esperando", comentou. O motorista não escondeu a surpresa pelo linchamento do comerciante, e pediu mais cautela à população antes de fazer acusações. "As pessoas estão muito afoitas com essas notícias nas mídias sociais. Em vez de procurarem saber, só porque uma pessoa gritou primeiro, levantaram uma história suspeita sobre o cara, e sem aprofundar direito. A população teve conclusão precipitada", lamentou. DespedidaO velório de Osil será nesta terça-feira (9), a partir das 8 horas, no Cemitério da Consolação, no Parque Estuário, em Vicente de Carvalho. O sepultamento será às 10h30, no mesmo local. As investigações sobre o caso estão com o 2º Distrito Policial (DP) de Guarujá. Até o momento, ninguém foi preso.