Duas pessoas e três empresas brasileiras foram sancionadas pelos EUA por suposta ligação com o PCC (Reprodução/ Departamento do Tesouro dos EUA) A Justiça determinou, nesta quarta-feira (8), a soltura de uma das investigadas na Operação Exchange, da Polícia Federal (PF), após decidir pela não conversão da prisão temporária em prisão preventiva. A decisão beneficia Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, conhecida como 'Lara Croft' e presa durante a operação, que teve desdobramentos em Santos e Praia Grande, no litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A informação foi divulgada pela defesa da investigada, formada pelos advogados Robson Cyrillo, Filipe Cheles Nascimento, Henrique Cavalheiro e Gabriel Constantino. Em nota encaminhada à imprensa, os defensores informaram que a decisão determinou a imediata soltura de Stella. “A defesa recebe a decisão com respeito e serenidade, por entender que ela observa rigorosamente os pressupostos legais das medidas cautelares e reafirma sua confiança de que a inocência de Stella será plenamente demonstrada no decorrer da investigação”, afirma o comunicado. Os advogados acrescentaram que, em razão do segredo de Justiça, não comentarão o conteúdo da decisão, nem os elementos constantes nos autos. Operação Exchange A Polícia Federal deflagrou, na sexta-feira passada (3), a Operação Exchange para desarticular uma organização criminosa acusada de lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. A investigação resultou no cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão em cidades da Baixada Santista e da Grande São Paulo. Ao todo, a Justiça expediu 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão. Três investigados seguem foragidos. Entre os alvos estão o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, Romany Cutolo Bonente, conhecido como “Roma”, e Diego Lameiro Diz, que permanecem foragidos. Shimada e Stella também foram alvo de sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos, por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As informações sobre as sanções e os investigados foram divulgadas pelo g1. Segundo a Polícia Federal, o grupo utilizava um sistema estruturado para movimentação de recursos por meio de transferências ilícitas de criptoativos, transporte de dinheiro em espécie, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas. Os investigados poderão responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Mandados Conforme noticiado por A Tribuna, a operação cumpriu mandados nas cidades de Santos e Praia Grande, além da capital paulista e Santana de Parnaíba. As ordens judiciais foram expedidas pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo. De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam que o esquema financeiro movimentou valores superiores a R\$ 10 bilhões. A Polícia Federal decidiu antecipar a deflagração da operação após o governo dos Estados Unidos aplicar sanções contra os acusados de envolvimento com o PCC. Segundo o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, o anúncio das sanções americanas alterou o planejamento inicial da ação da PF. Alvos Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira havia sido presa durante a operação e, agora, foi beneficiada pela decisão que negou a conversão da prisão temporária em preventiva. Apontada pelas autoridades norte-americanas como responsável por organizar a coleta de grandes quantias em dinheiro e prestar apoio logístico às operações de lavagem de recursos, ela não possui registros criminais anteriores. Victor Henrique de Oliveira Shimada, conhecido como “Japa”, foi classificado pela PF como o chefe da rede de lavagem de capitais e principal ligação com traficantes do PCC. Após as sanções americanas, ele desapareceu e é considerado foragido. Em nota enviada ao g1, o advogado Yuri Cruz, que defende Shimada, informou que ainda não teve acesso às decisões judiciais e aos elementos da investigação. Segundo ele, a defesa avalia a possibilidade de o empresário se apresentar às autoridades, e Shimada nega qualquer envolvimento com a organização criminosa ou com lavagem de dinheiro. De acordo com as investigações, Romany Cutolo Bonente, o “Roma”, atuava como operador financeiro de alto escalão, intermediando grandes transações e resolvendo conflitos do grupo. Em interceptações, ele menciona a necessidade de repassar R\$ 100 mil a um delegado do Deic. Ainda conforme a Polícia Federal, Diego Lameiro Diz era responsável por abrir empresas fantasmas no Brasil e nos Estados Unidos para ocultar recursos ilícitos, além de utilizar o comércio de alho argentino para movimentar o dinheiro da organização. Sanções dos EUA Além da operação da PF, Victor Shimada ganhou projeção nacional após ser incluído, ao lado de Stella Stefanie, na lista de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por suposta ligação com o PCC. De acordo com o governo norte-americano, Shimada seria um elo entre traficantes internacionais e integrantes da facção criminosa, utilizando criptomoedas para movimentar recursos ilícitos. Os EUA também afirmam que ele teria lavado mais de US\$ 30 milhões provenientes de atividades criminosas. Investigação sobre casa de apostas No Brasil, o empresário também aparece nas investigações relacionadas ao caso VaideBet, que apura supostos desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. Segundo denúncia do Ministério Público, a empresa Victory Trading, da qual Shimada é sócio, integra uma cadeia de movimentações financeiras investigadas por suspeita de lavagem de dinheiro. A investigação, no entanto, não afirma que ele seja integrante do PCC, mas sustenta que estaria inserido em um fluxo financeiro que se cruza com pessoas e empresas citadas em apurações envolvendo a facção.