Duas pessoas e três empresas brasileiras foram sancionadas pelos Estados Unidos por suposta ligação com o PCC (Reprodução/ Departamento do Tesouro dos EUA) A Polícia Federal (PF) deflagrou, na sexta-feira (3), a Operação Exchange para desarticular organização criminosa suspeita de lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. A investigação resultou no cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão em cidades da Baixada Santista e da Grande São Paulo. Ao todo, a Justiça expediu 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão. Três pessoas seguem foragidas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Entre os alvos estão o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, Romany Cutolo Bonente, conhecido como "Roma", e Diego Lameiro Diz, que seguem foragidos, e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, presa durante a operação. Shimada e Stella foram alvo de sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos nesta semana por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As informações sobre as sanções e os investigados foram divulgadas pelo g1. Segundo a PF, o grupo utilizava um sistema estruturado para movimentação de recursos por meio de transferências ilícitas de criptoativos, transporte de dinheiro em espécie, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas. Os investigados poderão responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Operação Conforme noticiado por A Tribuna, a operação cumpriu mandados nas cidades de Santos e Praia Grande, além da capital paulista e Santana de Parnaíba. As ordens judiciais foram expedidas pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo. De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam que o esquema financeiro movimentou valores superiores a R\$ 10 bilhões. A PF decidiu antecipar a deflagração da operação após o governo dos Estados Unidos aplicar sanções contra os acusados de envolvimento com o PCC. Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o anúncio das sanções americanas forçou a corporação a agir rapidamente, alterando o planejamento inicial da ação. Alvos Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, a “Lara Croft”, parente de Shimada e apontada pelas autoridades norte-americanas como responsável por organizar a coleta de grandes quantias em dinheiro e prestar apoio logístico às operações de lavagem de recursos. Ela não possui registros criminais anteriores. Victor Henrique de Oliveira Shimada, o "Japa", foi classificado pela PF como o chefe da rede de lavagem de capitais e principal ligação com os traficantes do PCC. Após as sanções americanas, ele desapareceu e é considerado foragido. Em nota enviada ao g1, o advogado Yuri Cruz, que defende Shimada, informou que ainda não teve acesso às decisões judiciais e aos elementos da investigação. Segundo ele, a defesa avalia a possibilidade de o empresário se apresentar às autoridades, e Shimada nega qualquer envolvimento com a organização criminosa ou com lavagem de dinheiro. De acordo com as investigações, Romany Cutolo Bonente, o "Roma", era o advogado que atuava como operador financeiro de alto escalão. Sua função consistia em intermediar grandes transações e resolver conflitos do grupo. Em interceptações, ele menciona a necessidade de repassar R\$ 100 mil a um delegado do Deic. Ainda conforme a Polícia Federal, Diego Lameiro Diz atuava como operador financeiro responsável por abrir empresas fantasmas no Brasil e nos EUA para ocultar o dinheiro ilícito, além de utilizar o comércio de alho argentino para movimentar os fundos da organização. Lista de sanções americana Além da operação da PF, Victor Shimada ganhou projeção nacional nesta semana após ser incluído, ao lado de Stella Stefanie, na lista de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por suposta ligação com o PCC. De acordo com o governo norte-americano, Shimada seria um elo entre traficantes internacionais e integrantes da facção criminosa, utilizando criptomoedas para movimentar recursos ilícitos. Os EUA também afirmam que ele teria lavado mais de US\$ 30 milhões provenientes de atividades criminosas. Investigação de casa de apostas No Brasil, o empresário também aparece nas investigações relacionadas ao caso VaideBet, que apura supostos desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. Segundo a denúncia do Ministério Público, a empresa Victory Trading, da qual Shimada é sócio, integra uma cadeia de movimentações financeiras investigadas por suspeita de lavagem de dinheiro. A investigação, no entanto, não afirma que ele seja integrante do PCC, mas sustenta que estaria inserido em um fluxo financeiro que se cruza com pessoas e empresas citadas em apurações envolvendo a facção.