O iraniano Nima Kenareifard e o carregamento com cerca de 180 kg de café com drogas em Santos (Reprodução e Polícia Civil/ Divulgação) A Justiça Federal de Santos, no litoral de São Paulo, determinou a soltura do iraniano Nima Kenareifard, acusado de tentar enviar 180 kg de cocaína escondidos em uma carga de café com destino a Dubai, nos Emirados Árabes. Ele havia sido preso em maio deste ano, em um galpão no bairro Vila Mathias, junto com Saeid Sabouri, que permanece preso. Os dois se tornaram réus por tráfico transnacional de drogas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A prisão ocorreu durante uma investigação do 1º Distrito Policial (DP), no galpão do imóvel onde Saeid morava. Segundo a Polícia Civil, o local era usado para esconder entorpecentes que seriam enviados ao Oriente Médio, especialmente para Dubai. A Justiça havia negado anteriormente o pedido de soltura dos dois, após concluir que eles integravam um esquema sofisticado de tráfico. Neste mês, ao receber a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), o juiz Carlos Felipe Ribeiro determinou a soltura de Nima, segundo o g1 Santos e Região. De acordo com a decisão, não existem elementos concretos e individualizados suficientes para justificar a prisão do iraniano. Ao mesmo tempo, o magistrado considerou que há materialidade e indícios de autoria suficientes para que a ação penal tenha continuidade. A defesa dos suspeitos foi procurada, mas não respondeu até a publicação da matéria. O espaço permanece aberto para manifestação. Penalidades Nima deverá cumprir medidas determinadas pela Justiça. Entre elas estão informar o endereço, comparecer aos atos do processo, não permanecer mais de cinco dias fora da cidade sem autorização e entregar o passaporte. Ele também está proibido de deixar o Brasil. A defesa de Nima afirmou que ele trabalhava apenas como intérprete de Saeid e que não havia provas de que soubesse da existência ou da ilicitude da carga. Também argumentou que o iraniano vive no Brasil há mais de seis anos, tem residência fixa e é casado com uma brasileira. Prisão mantida Na mesma decisão que determinou a soltura de Nima, o juiz Carlos Ribeiro manteve a prisão preventiva de Saeid Sabouri. Ele é investigado como um dos responsáveis pelo esquema e afirmou que trabalhava no setor de exportação de café. A defesa de Saeid apontou problemas no processo, entre eles questões relacionadas ao intérprete usado pelo acusado, à forma como as drogas foram armazenadas e preservadas, à falta de laudos, ao conteúdo da acusação e à falta de provas de que ele tenha agido de forma intencional. O juiz não aceitou os argumentos neste momento. Segundo ele, parte dessas questões deverá ser analisada durante o andamento do processo ou na decisão final. Saeid Sabouri continuará preso preventivamente no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros III. Para o magistrado, continuam presentes os fundamentos que levaram à prisão preventiva, principalmente a quantidade de cocaína, a maneira como a droga teria sido escondida e os indícios de participação de Saeid no esquema.