A Justiça de São Paulo bloqueou R\$ 10,8 bilhões em ativos de 32 novos alvos investigados por suspeita de participação em um esquema de ocultação de patrimônio no mercado financeiro. A decisão, que atendeu a um pedido feito pela Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE/SP) no último dia 19, é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que teve forte repercussão na Baixada Santista. Conforme apurado por A Tribuna, entre os alvos estão fundos de investimento, empresas do setor financeiro e pessoas físicas e jurídicas suspeitas de envolvimento no esquema. Segundo a PGE/SP, estruturas financeiras eram utilizadas para ocultar bens, afastar ativos do alcance dos credores e dificultar a cobrança de dívidas tributárias. A medida é um desdobramento da Carbono Oculto, deflagrada no ano passado. Na ocasião, mais de 30 postos de combustíveis foram investigados por suspeita de participação em uma rede de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal atribuída ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, o esquema utilizava diferentes etapas da cadeia de combustíveis, de usinas e distribuidoras aos postos, para movimentar recursos bilionários de origem ilícita. Na região, Santos concentra o maior número de estabelecimentos investigados, com 12, seguida por Praia Grande (9), Guarujá (6), São Vicente (3), Cubatão (2) e Mongaguá (1). Bloqueio bilionário De acordo com a PGE/SP, a estrutura que teve os ativos bloqueados neste mês reunia fundos de investimento, instituições financeiras, gestores e empresas interpostas. Esses mecanismos permitiam fragmentar a titularidade dos ativos e dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários. Na prática, recursos e participações societárias circulavam entre diferentes estruturas financeiras, apesar de estarem submetidos a controles econômicos convergentes. De acordo com o órgão, o bloqueio busca ampliar a recuperação de créditos tributários do Estado, alcançando não apenas os devedores identificados, mas também as estruturas utilizadas para ocultar patrimônio e impedir cobranças judiciais. As identidades dos investigados e a possível relação deles com a Baixada Santista não foi informada pela PGE-SP. Operação Carbono Oculto Deflagrada em agosto de 2025, após investigações iniciadas em 2023, a Operação Carbono Oculto foi uma das maiores ações integradas do país contra o crime organizado. A ofensiva mobilizou mais de 1.400 agentes da Polícia Federal, da Receita Federal, do Ministério Público de São Paulo e do Governo do Estado. O objetivo era desarticular um esquema de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas, que utilizava fintechs, fundos de investimento e empresas de fachada ligadas ao setor de combustíveis. Segundo as investigações, a organização movimentava dezenas de bilhões de reais por meio de uma estrutura que envolvia usinas, distribuidoras e mais de 1.000 postos de gasolina. O esquema também recorria à adulteração de combustíveis e a fraudes fiscais. A sonegação tributária estimada ultrapassava R\$ 7,6 bilhões.