[[legacy_image_157681]] Está marcado para 5 de abril, às 9 horas, no Fórum de Santos, o júri popular do cirurgião-dentista Flávio Nascimento Graça. Ele é acusado de ter se disfarçado com uma peruca para matar três pessoas e tentar assassinar outras duas — todas ligadas à Clínica Odontológica Americana, da qual ele era concorrente e que fechou após três ataques. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O julgamento está marcado sete anos depois do primeiro crime atribuído ao chamado 'Maníaco da Peruca', em dezembro de 2014 (leia adiante). Seus defensores afirmam que ele é incapaz, porque seria esquizofrênico, e deve ser considerado inimputável. Há, porém, exames no sentido contrário, indicando a lucidez de Flávio Graça. A realização do júri foi determinada em agosto de 2020 pela juíza Lívia Maria de Oliveira Costa, da Vara do Júri de Santos. Nessa modalidade de julgamento, sete membros decidirão se o réu é culpado ou inocente das acusações. Ao juiz, caberá verificar se há prova da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria. Graça está preso desde 29 de novembro de 2018, quando foi capturado, e é mantido na Penitenciária II de Tremembé, no Vale do Paraíba (SP). Crimes em sérieNo início da madrugada de 23 de dezembro de 2014, o empresário Agilson Correa de Carvalho, de 54 anos, foi baleado ao sair da filial da Clínica Americana da Avenida Floriano Peixoto, no Gonzaga. Dono da rede de consultórios, ele morreu 72 horas depois. A segunda investida aconteceu na noite de 15 de julho de 2015. Irmãos de Agilson, Aldacy Correa de Carvalho, de 56 anos, e Arnaldo Correa de Carvalho, de 54, foram mortos. Eles estavam com um sobrinho, baleado de raspão. Sem ainda estar identificado, o dentista voltou a agir na manhã de 23 de setembro de 2015, na Rua Marcílio Dias, no Gonzaga. Uma funcionária da clínica prendia com corrente e cadeado a sua bicicleta e o dentista a baleou cinco vezes. O consultório de Flávio era vizinho de duas filiais da Clínica Americana e faliu. A Polícia Civil apurou que o réu atribuía o seu declínio profissional à ascensão do concorrente. Segundo as investigações, esse sentimento motivou o acusado a se vingar. O dentista ganhou nos meios policiais o apelido de Maníaco da Peruca porque usou perucas como disfarce nos três ataques. A sua captura aconteceu apenas no dia 29 de novembro de 2018. De acordo com a denúncia do MP, os crimes foram qualificados pelo motivo torpe, caracterizado pela vingança, e pelo emprego de recurso que dificultou a defesa das vítimas, alvos de emboscadas. Pelos três homicídios consumados e dois tentados, se for condenado, o réu está sujeito a pena de 44 a 130 anos de reclusão.