[[legacy_image_241543]] Uma jovem de 24 anos que morava em um condomínio de Praia Grande, o qual teve um idoso de 70 anos, expulso por decisão judicial, relatou ameaças e situações em que foi vítima do aposentado. Além dela, outras moradoras também denunciaram crimes de ameaça, importunação sexual e agressões por parte do acusado. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A vítima, que trabalha como professora e preferiu não ser identificada, disse para A Tribuna que sofreu com ameaças verbais e xingamentos por parte do idoso. Segundo ela, agressões físicas não chegaram a acontecer, mas o medo era uma constante. "Ele ficava no corredor esperando a gente passar e me ameaçava verbalmente todas as vezes que me via. Quando eu chegava do trabalho, saia pra trabalhar ou ia ao mercado. Eu morava no apartamento que era bem em frente à porta dele. Ele ficava me vigiando, e as outras mulheres que moravam no condomínio também", contou. Os episódios ocorreram em 2021, quando a jovem tinha 21 anos, e foram relatados à Polícia Civil através de boletins de ocorrência. A documentação foi anexada a um processo judicial que acabou levando à expulsão do aposentado. "Houve vezes que ele me ameaçou com faca, uma das que mais teve repercussão. A todo momento ele deferia contra mim palavras homofóbicas, machistas. E eu, por ser mulher, não ia deixar isso impune", comentou. Em uma das situações, regsitrada em boletim de ocorrência, o idoso teria amolado uma faca e apontado na direção da vítima quando ela saia de casa. Devido às perseguições contra ela e outras moradoras do prédio, que denunciaram espionagem enquanto tomavam banho, a jovem criou um grupo para que as vítimas conversassem e pudessem alertar umas às outras sobre a presença do idoso, evitando que alguma ficasse sozinha perto dele. Sensação de vitória A professora, que atualmente mora em São Paulo, não escondeu o alívio quando soube que o aposentado teria de sair do condomínio. "A gente se uniu muito enquanto moradores do prédio, principalmente usando o grupo. Ele batucava 3h da manhã, ligava furadeira, rádio, infernizava a vida de todo mundo e não tinha respeito por ninguém, independente da idade. Outras moradoras relatam que ele abaixou as calças para elas. Foram situações muito constrangedoras. Saí com um espírito de vitória e justiça", disse. Luta na Justiça O advogado Thyago Garcia, que representa a vítima, o condomínio e outros moradores, relata que cerca de 40 pessoas residem no prédio, e que os mesmos buscaram na Justiça a expulsão do aposentado. "A expulsão do condômino foi motivada por diversas condutas inadequadas do morador. Vale ressaltar que uma das moradoras do condomínio obteve êxito em conseguir judicialmente uma medida protetiva impedindo que o réu se aproximasse da mesma", comentou. Em dezembro do ano passado, o juiz Sergio Castresi de Souza Castro, da 3ª Vara Cível de Praia Grande, decidiu pela expulsão do aposentado. A medida não impede que ele venda, alugue ou empreste o apartamento, mas sim, que ele volte ao imóvel, sob pena de multa. "Inviável à vida em condomínio, os acontecimentos que justificam a sua exclusão não são pontuais, mas frequentes, colocando em risco a convivência com os demais moradores", escreveu o juiz na decisão. A defesa do idoso não se manifestou sobre as acusações criminais, mas confirmou que ele já deixou o imóvel.