João Pedro está consciente e sem sequelas, segundo a mãe Marta Cristina (Arquivo Pessoal) O educador social João Pedro Silva Correia, de 27 anos, foi vítima de um tiro de raspão na cabeça após sair de casa para levar os cachorros para passear na manhã do último domingo (11), data comemorativa dos Dia dos Pais. O caso aconteceu durante uma suposta troca de tiros entre criminosos e policiais militares (PMs) no Caminho da Capela, no Rádio Clube, em Santos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Familiares de João Pedro o socorreram às pressas de carro após o ocorrido. A Polícia Militar (PM) cita uma intensa troca de tiros contra criminosos por volta das 8h e, segundo o boletim de ocorrência (BO), a vítima do disparo não teria envolvimento com o caso em questão. Em entrevista para A Tribuna, a mãe da vítima, Marta Cristina da Silva Correia, confirma que o filho está consciente, passou um período se recuperando na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Santos, e foi transferido para o quarto na noite desta terça-feira (12). Como foi Marta conta que João Pedro acordou e, como de costume, saiu para passear com as duas cadelas da família. Antes disso, disse à mãe que eles dois iriam à academia assim que ele voltasse. “Estava entrando no banheiro para trocar de roupa, pois tinha acabado de acordar, e escutei muitos tiros”, comenta Marta, relembrando que seu primeiro pensamento foi sobre o filho que acabara de sair. Receosa, a mãe da vítima diz que saiu do banheiro perguntando pelo jovem para a avó dele, de 82 anos. A idosa comentou que havia ouvido os estampidos, mas que não pareciam ser tão próximos dali. Marta, porém, discordou e partiu em busca de João Pedro na rua. “Eu abro o portão e já o vejo no chão. Nessa hora não vi mais nada. Fui até lá correndo e ele me disse: ‘mãe, acho que eu tô machucado’. Comecei a gritar pedindo por socorro e todo mundo saiu de casa. Nessa hora eu vi o marido da minha prima, e pedi para ele pegar o carro”, relembra. Desesperada, a mulher descreve ter pensado que tinha perdido o filho nesse momento. Entretanto, o jovem estava falando com ela, e consciente. Como ainda estava usando pijama, Marta cita que o parente e uma vizinha, que é enfermeira, acompanharam João Pedro para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) mais próxima. Logo em seguida, a mãe chegou no local e aguardou o médico de plantão. Horas se passaram até que Marta foi informada que o filho seria transferido para a Santa Casa de Santos para passar por exames de tomografia. “Até então, eu não sabia que era um tiro de raspão, porque havia muito sangue”. João Pedro estava consciente e assim permaneceu o tempo todo. Conversava com parentes e com a mãe durante as visitas, porém afirma não ter memória do momento do ocorrido. “Ele não lembra nada. Só lembra que saiu com as cachorras. O médico falou que por poucos centímetros o projétil atingiria a massa encefálica”. “É uma sensação de alívio, meu filho nasceu de novo. Só tenho a agradecer muito a Deus. Tanto eu como a comunidade toda estávamos orando por ele, porque ele nasceu ali, e todo mundo o conhece”, diz a mãe. Quem é João Pedro? Com grande vínculo com trabalhos sociais, artes cênicas e cinema, João Pedro é conhecido por sua atuação em ensinar teatro para crianças e ter atuado em ONGs e projetos sociais para a comunidade. Descrito como um menino tranquilo e sereno, o filho único de Dona Marta sobreviveu ao tiro sem qualquer sequela identificada até o momento. “A sensação (de passar por isso) é de perder o chão. Em um momento você está dentro de casa, conversando com seu filho, e no outro abre um portão e vê ele ali no chão. É desesperador. Não tem um sentimento que possa descrever. É um aperto no coração, uma angústia”, relata. O caso De acordo com o boletim de ocorrência, o caso aconteceu por volta das 9 horas. Quando policiais militares receberam a informação de que um motociclista de casaco preto e armado teria saído de São Vicente e seguia para Santos pelo Caminho da Divisa, os agentes tentaram fazer a abordagem do suspeito. Nesse momento, os PMs alegaram terem se deparado com três criminosos armados que começaram a atirar contra eles. Para se defenderem, os policiais disseram ter se abrigado, e uma troca de tiros aconteceu no local. Durante o tiroteio, os agentes pediram reforços e seguiram tentando conter o trio armado. Quando o reforço chegou, os criminosos fugiram para dentro da comunidade e os tiros cessaram. Os policiais e as motos usadas pelos agentes na ocorrência não foram atingidos pelos disparos. Na sequência, segundo os agentes, pessoas da comunidade os procuraram para informar que um morador havia sido atingido e tinham pedido socorro. Essa vítima não estaria envolvida na troca de tiros. O caso é investigado pelo 5º Distrito Policial (DP) de Santos.