[[legacy_image_291040]] Os familiares de Alexandre da Silva Santos, de 21 anos, garantem que houve uma injustiça após o rapaz ser preso apontado como integrante de uma quadrilha de criminosos que praticou um roubo no último dia 13. A defesa de Alexandre afirma que ele foi atropelado, negligenciado e agredido durante a prisão, próximo a um baile funk na Rua do Meio, na Vila Margarida, em São Vicente. Ressalta que ele é inocente e não tinha relação com os bandidos que cometeram o assalto. O roubo que o rapaz é acusado de participar aconteceu por volta das 23h40 do último dia 12. De acordo com o boletim de ocorrência (BO), a vítima ligou para os policiais informando que é motorista de aplicativo e atendeu uma corrida em nome de Maria com embarque na Rua Mascarenhas de Moraes, na Vila Margarida. Chegando no local indicado, quatro suspeitos acenaram com a mão indicando que seriam os passageiros. Assim que parou o carro, a vítima relata ter sido abordada e ameaçada pelos criminosos. Dois deles estavam armados. O motorista foi rendido, colocado no banco de trás e ficou com a cabeça baixa. A vítima conta que, em determinado momento, os bandidos colocaram uma blusa em sua cabeça e ele só foi libertado quase três horas depois, na travessa da Avenida das Nações Unidas, sem o carro. A quadrilha ficou com o veículo, um par de tênis, aliança e corrente de ouro, bolsa, documentos, cartões de bancos e o celular da vítima. Após serem comunicados do roubo, por volta das 4 horas, policiais militares em patrulhamento viram quatro suspeitos dentro do veículo com as características do crime, no Dique do Meio. Os ocupantes do veículos aceleraram e houve uma perseguição, até o motorista bater com o carro em um poste. Segundo o registro da ocorrência, todos os que estavam no veículo desceram e correram sentido ao baile funk próximo ao local. Na sequência, a polícia disse ter conseguido deter Alexandre e que ele estaria dirigindo o carro roubado. Nada de ilícito foi encontrado com ele. No carro roubado, a PM afirma que achou, embaixo do banco do motorista, um revólver calibre 38 com duas balas. Alexandre foi preso e encaminhado para a Delegacia Sede de São Vicente. Enquanto Alexandre descia da viatura na delegacia, o motorista de aplicativo, de acordo com o boletim de ocorrência, o reconheceu “sem sombra de dúvidas” como um dos autores do crime, reforçando que ele seria o criminoso que portava o revólver no momento do roubo. O carro foi devolvido para o motorista de aplicativo. FamíliaApós a prisão de Alexandre, a família do acusado fez uma movimentação nas redes sociais para provar a inocência dele. Cunhada do rapaz, a doméstica Cristiane Andrade dos Santos, de 30 anos, alega que ele estava "no lugar errado e na hora errada", por isso aconteceu uma confusão. “Ele foi para um baile funk com os amigos. A viatura passou, viu o carro roubado e foi em direção a ele. Os quatro indivíduos que estavam no carro foram para a Rua do Meio, sentido baile funk. Chegando lá nessa rua, eles colidiram com um poste onde estavam encostados o meu cunhado e uns amigos. (Os bandidos) atropelaram o meu cunhado e correram para dentro do baile funk”, conta. Cristiane nega a versão do boletim de ocorrência, principalmente ressaltando que Alexandre não sabe dirigir e não poderia ter sido o motorista na ação criminosa. A parente reforça que ele foi atropelado pelos criminosos, ficou ferido e foi confundido com um integrante da quadrilha. “Ele nunca teve envolvimento com tráfico de drogas ou com o crime. Ele nunca teve passagem e nem foi até a delegacia. Ele ainda está na escola, esse é o último ano dele. Ele não trabalhava registrado, mas quando alguém precisava dele para dar uma força, ele ia. Na comunidade, ali na vizinhança, todo mundo gosta muito dele, porque ele não é envolvido com nada. Ele não fuma, não bebe, nada assim”, relata. Alexandre perdeu os pais e recebe pensão. Evangélico, ele é irmão caçula e os dois mais velhos cuidam dele. “Estamos sem chão, meu marido está sofrendo muito. É um menino calmo, ficava bastante em casa e tem muitos amigos. Ele é um menino tranquilo que nunca fez mal pra ninguém. Nós queremos justiça, porque não é possível uma pessoa inocente pagar por uma coisa que não fez”. A Tribuna apurou que Alexandre não possuía passagem pela polícia. Ou seja, não há registro anterior, é considerado réu primário. Por conta da situação e como a prisão aconteceu, Cristiane acredita que há preconceito envolvido. “Não é porque moramos na Vila Margarida, no México 70, que somos bandidos. Nós não somos. Somos trabalhadores. Eu levanto de manhã e vou fazer faxina para poder ganhar o meu dinheiro e muitas pessoas que moram aqui também são honestas. Também não é porque somos de cores mais escuras que somos ladrões”. DefesaA defesa de Alexandre é constituída por três advogados, Claudio Aparecido, Regina Ramos e Bianca Moura. O acusado passou por uma audiência de custódia e a Justiça optou por manter a prisão, mas a defesa acredita que houve uma série de procedimentos realizados de forma incorreta. O primeiro ponto abordado é a afirmação de que o acusado foi agredido pelos policiais militares. “Eles (os criminosos) bateram o carro e o para-choque prendeu o pé do Alexandre, que estava sentado do lado dessa mureta. A polícia deu voz de prisão para o Alexandre e chegou a agredi-lo com um tapa no rosto e soco nas costelas. Tanto que o pé dele foi tirado da carenagem com um chute do agente", diz o advogado Claudio Aparecido. “Pela regra, a audiência de custódia é feita após um indivíduo que supostamente foi preso em flagrante ter passado por exame de corpo de delito. O meu cliente se apresentou na audiência de custódia sem esse exame. Tanto que eu indaguei o juiz, ele estava com o pé machucado, ele tomou chute e soco. Foi aí que o juiz, no momento, pediu exame”, relembra o defensor. . O advogado de defesa também reforçou que, no último dia 16, três menores, de 12, 15 e 16 anos, se apresentaram no 2º Distrito Policial (DP) de São Vicente para assumir autoria do crime. Dois desses adolescentes, de 12 e 16 anos, foram acusados de aplicar golpes de Pix no Centro de São Vicente no final de 2022. A apresentação consta no boletim de ocorrência, que narra que o trio esteve presente com Claudio Aparecido e os responsáveis legais e, por livre e espontânea vontade, confessaram o crime. “Os três alegaram que o Alexandre não estava lá, que ele não era envolvido. Agora tem toda uma linha do tempo processual. A primeira linha foi ter entrado com a revogação da prisão em flagrante. O Ministério Público já se manifestou por manter a prisão. Por outro lado, o juiz ainda não se manifestou”, afirma. O reconhecimento da vítima foi outro fator falho, segundo o defensor. Cláudio explica que o procedimento correto envolve o suspeito ser colocado em meio a outras pessoas e o motorista de aplicativo que foi roubado teria que reconhecê-lo perante o grupo, o que não aconteceu. “O Alexandre está sentindo falta da família. Conversei com ele antes da audiência para ele ficar tranquilo. Quando chegou no momento da audiência, o juiz perguntou o endereço dele e ele não conseguiu falar. Começou a chorar e se desesperou. Ele não tem trejeitos de malandro ou de bandido, esse é o diferencial”, diz. O defensor apresentou fotos com data e horário que seriam antes da prisão. Imagens que mostram Alexandre sentado na rua com amigos e que seria do momento em que o roubo ocorria. Amigos do acusado também apresentaram conversas de WhatsApp onde Alexandre fala que estava na Rua Cinco enquanto o motorista de aplicativo estava sendo vítima do roubo. [[legacy_image_291041]] Agora a defesa diz que busca por recursos para conseguir a liberdade de Alexandre o quanto antes e, após conseguir provar a inocência, decidir junto da família quais medidas serão tomadas para uma possível indenização. A Reportagem procurou a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) para um posicionamento sobre as acusações levantadas, porém não obteve um retorno até a publicação desta matéria.