[[legacy_image_284139]] Um jovem, de 23 anos, afirma ter sido agredido com um canivete por um motorista de aplicativo na madrugada do último sábado (22) na Alameda Paulo Gonçalves, na Ilha Porchat, em São Vicente. A vítima diz que o suspeito utilizou xingamentos homofóbicos contra ele e seu grupo de amigos enquanto saíam de uma balada LGBTQIAP+. Em entrevista para A Tribuna, o massoterapeuta Lucas Matheus Bertolin, de 23 anos, explica que estava saindo por volta das 5 horas de uma casa noturna com dois amigos homossexuais, duas amigas e sua esposa, uma mulher trans. A vítima é de São Paulo e está passando férias em Santos. Tudo começou quando o massoterapeuta solicitou uma corrida pelo aplicativo 99 e um motorista chamado Anderson aceitou a viagem. Porém, ao chegar no local, o motorista se recusou a levar quatro pessoas dentro do carro, sendo que havia espaço, e começou uma discussão com Lucas. “Antes da gente entrar no carro, ele parou e falou: ‘eu não vou levar todos esses viados aí’. Só tínhamos pedido para ele quebrar um galho e levar quatro pessoas, três atrás e uma na frente. Ele já começou a bater boca e disse que o carro dele só transportava três pessoas, começou a tratar a gente com homofobia e sendo grosso verbalmente”, narra. Lucas se diz heterossexual e, diante as ofensas, se colocou a frente na discussão com o motorista. Em seguida, o massoterapeuta pediu que o homem cancelasse a corrida e o mesmo se negou, dizendo que não havia subido até ali à toa e pediu para que cancelassem. “Como ele foi contrariado, o motorista entrou no carro e pegou um canivete. Ele veio para cima de mim. Pegou e começou a me deferir golpes. Tentaram me afastar, porque não cheguei a revidar. Só tentei me defender. Imaginei que ele ia me furar e ia vir para me matar”, conta. Porém, a vítima alega que o agressor não conseguiu abrir o canivete, por conta da velocidade da ação. A arma branca ficou fechada durante a briga, mas isso não impediu que Lucas ficasse com hematomas por todo o corpo pelos socos levados. O turista acredita que, se não fosse um grupo homessexuais, a situação teria um desdobramento diferente. “Não gostei como ele tratou meus amigos. Chamou todos de viados e era nítido nas palavras dele a homofobia”. Após as agressões, o motorista retornou para o carro e fugiu do local. Momento em que os amigos de Lucas, que tentavam separar a briga o tempo inteiro, começaram a pedir por socorro para ajudar o amigo agredido. “Sou de família humilde. Sou muito tranquilo para essas coisas. Não sei brigar e nem gosto de briga. Fiquei abalado psicologicamente”. [[legacy_image_284140]] Testemunha agredidaA amiga de Lucas, de 18 anos,- que optou por não ser identificada- confirmou a versão e disse que o motorista foi para cima do massoterapeuta e deu vários socos, momento em que entrou no meio para tentar ajudar e acalmar o motorista do aplicativo. “Na minha cabeça, achei que, pelo fato de eu ser mulher, ele iria se conter ou se acalmar. Muito pelo contrário. Ele ainda me bateu e levantou a voz para mim. Tentou me machucar com o canivete, segurei a mão dele, mas, com a outra mão, Mmne deu um murro no peito”, relembra. A jovem relata que, após as agressões e a cena que presenciou, está traumatizada e com medo de pedir corridas de aplicativo. “Vi que não tem segurança. Aquele dia foi um canivete. O que será na próxima? Uma arma? É um absurdo”. AuxílioLucas conta que procurou a 99 para ter um auxílio da empresa, porém não obteve o resultado esperado. Após uma semana de ter relatado o ocorrido, o jovem afirma não ter recebido um retorno. Agora, ele pretende processar o motorista e o aplicativo por conta das agressões sofridas. O crime foi registrado pela Delegacia Sede de São Vicente como lesão corporal e a autoridade policial deve investigar o caso. Em nota, A 99 lamentou o ocorrido com o passageiro. A empresa afirmou que, assim que a denúncia foi registrada, o perfil do motorista foi bloqueado da plataforma e uma equipe foi mobilizada para atender o caso. Ainda segundo a 99, a equipe está em contato com o passageiro para prestar suporte e acolhimento. A empresa reforçou também que tem uma política de tolerância zero em relação a qualquer tipo de violência e discriminação, por isso se colocou à disposição para colaborar com as investigações das autoridades, caso seja necessário. “A 99 reitera que respeito é a regra da plataforma, independentemente de identidade de gênero, orientação sexual, cor da pele ou classe social e que as medidas cabíveis são tomadas em caso de descumprimento desses preceitos. Além disso, a empresa investe proativamente e continuamente em educação e conscientização de motoristas e passageiros por meio do Guia da Comunidade, treinamentos, mensagens e campanhas”, concluiu.