[[legacy_image_339755]] Um caso de importunação sexual foi registrado na Central de Polícia Judiciária de Praia Grande na noite desta segunda-feira (4). O caso teria acontecido durante um atendimento no Pronto-socorro Central de Praia Grande. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Uma jovem de 19 anos alega que foi até a unidade, passou por atendimento médico, e durante a aplicação de uma injeção, teria sido importunada pelo técnico de enfermagem com comentários invasivos e, inclusive, abaixando sua roupa sem necessidade. O homem, de 41 anos, foi procurado e compareceu à delegacia para prestar depoimento, mas negou o ocorrido. (veja a versão dele mais abaixo) Versão da jovemEm depoimento à Polícia, a jovem contou que foi até o Pronto-socorro Central por estar com dores na perna. No relato, ela falou que foi atendida por duas médicas, e depois foi encaminhada para receber uma medicação. Ao entrar na sala, o técnico de enfermagem teria perguntado se ela tinha alguma alergia, chamando-a de “meu amor”. Ao negar, ela conta que foi chamada pelo homem, que disse: “pode vir aqui, bebê”. Durante a preparação das injeções, o técnico teria começado a puxar assunto com a jovem, perguntando sua idade e se estudava, e, em seguida, fez comentários como: “você é bem novinha, só deve beijar na boca”, “deve namorar muito”. A mulher teria negado, mas o homem disse “sei” em tom de dúvida, e perguntou se ela costumava ir para o 'Mandela', que são festas realizadas na comunidade. Quando a injeção ficou pronta, a jovem teria esticado o braço, mas o técnico disse que seria aplicado "no bumbum”. Com isso, a moça se virou e abaixou parte do shorts, para deixar o local de aplicação visível. No entanto, o homem teria falado que seria necessário abaixar mais, e baixou a roupa toda, deixando-a com essa parte do corpo descoberta. A mulher teria ficado sem reação, mas tentou levantar um pouco a roupa, porém foi impedida pelo técnico. Ela ainda afirmou em depoimento que não houve necessidade de o homem abaixar todo o seu shorts, uma vez que a aplicação da injeção se deu na parte superior da nádega. Durante a aplicação, segundo a jovem, ele ainda teria perguntado se ela estava sozinha. Ela respondeu que estava com um amigo, e que não sabia que acompanhantes poderiam entrar com o paciente durante os atendimentos. Ela disse que ouviu o homem dizendo: “só se for amigo de amizade colorida”. Em seu depoimento, a jovem explicou ainda que, durante todo o atendimento o profissional não olhou para seu rosto, mas sim para o corpo, deixando-a desconfortável. Ela ainda relatou que no momento do ocorrido só estavam os dois na sala, e não reparou se haviam câmeras. A jovem ainda relatou que ao terminar o atendimento, foi para a casa com o namorado, que a acompanhava, e contou à mãe tudo que havia acontecido. A mulher, então, acionou a Polícia Militar e retornou ao Pronto-socorro para esclarecer o ocorrido. O namorado da jovem também prestou depoimento e, apesar de não ter visto quem era o homem, contou a mesma versão do ocorrido, dizendo que quando ela saiu da unidade, estava abalada e chorando. Versão do técnico de enfermagemAo ser procurado na unidade de saúde pelos familiares da jovem, o técnico de enfermagem foi levado para a delegacia, onde prestou depoimento. Ele afirmou que recebeu três fichas de pacientes, e a da jovem seria a primeira. Ele diz que a levou à sala, com a porta aberta, e, de imediato, perguntou se ela teria um acompanhante, pois além de ser do sexo feminino, aparentava ser menor de idade. Ao receber a resposta da jovem, de que teria 19 anos e o acompanhante estava do lado de fora, ele afirma que pediu para que o chamasse, mas ela negou. O homem, em depoimento, explicou que preparou as medicações Voltaren, Decadron e Dipirona, e perguntou se a jovem tinha algum tipo de alergia. Ele afirma que teria esclarecido que seriam duas aplicações de injeção, e pediu para que ela abaixasse o shorts, e alega que a própria paciente fez isso. Nas declarações o atendente ainda diz que, em nenhum momento, encostou na moça e ainda a orientou que não deveria abaixar tudo. Após o atendimento, ele diz que a paciente foi liberada. Por fim, o técnico declarou que não chamou a jovem de nenhum apelido como “meu amor” ou “bebê”, mas apenas pelo nome. Disse, ainda, que em nenhum momento perguntou se ela ia ao 'Mandela', pois nem sabe o que isso significa. Ele também explicou que os dois ficaram sozinhos na sala, e que só há câmeras de segurança no corredor. Outra funcionária que também estava de plantão no PS compareceu à delegacia de forma espontânea e disse que já trabalhou com o homem em outros locais, e que nunca soube de alguma reclamação a respeito deste assunto em relação a ele. Ela ainda confirmou a inexistência de câmeras na sala onde foi realizado o atendimento. O que será feito?O caso foi registrado como importunação sexual na CPJ de Praia Grande, e será investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). As imagens das câmeras de segurança dos corredores da unidade serão requisitadas. Posicionamento da PrefeituraA reportagem de A Tribuna entrou em contato com a Prefeitura de Praia Grande, mas até o momento da publicação desta matéria não recebeu resposta sobre o ocorrido.