José Luis da Costa Oliveira, de 25 anos, desapareceu em 8 de outubro, após cair em um golpe na venda do próprio carro (Arquivo pessoal / Reprodução) O analista de sistemas José Luis da Costa Oliveira, de 25 anos, que estava desaparecido desde 8 de outubro, foi encontrado morto em uma área de mata em Guarujá, no litoral de São Paulo, duas semanas após desaparecer. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme noticiado por A Tribuna, José Luis sumiu após ser vítima de um golpe durante a venda do próprio carro. O analista de sistemas tinha sido visto pela última vez na Praia das Astúrias, em Guarujá. A morte do jovem foi confirmada na quarta-feira (4) pela advogada Bianca Santiago, que representa a família. Em nota publicada no Instagram do escritório, ela informou que o corpo foi identificado, mas que, devido ao avançado estado de decomposição, não foi possível determinar a causa da morte. “A investigação continua e seguiremos acompanhando o caso até a sua conclusão”, afirmou. A advogada também informou que o corpo provavelmente será levado ao Pará. “Sentimos muito pela perda. Que a família e os amigos de José encontrem conforto e força neste momento”, declarou. Encontro do corpo Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), a Polícia Civil investiga o caso como morte suspeita. O corpo foi encontrado na manhã de 22 de outubro, em uma área de mata na Avenida General Rondon, no bairro Vila Alzira, em Guarujá, após moradores denunciarem um forte odor na região. O local foi isolado pela equipe que atendeu à ocorrência. Agentes da Polícia Técnico-Científica e do Departamento de Polícia Civil do Interior 6 (Deinter 6) foram acionados para realizar a perícia e dar início às investigações. O caso foi registrado na Delegacia de Polícia de Guarujá. Natural do Pará, José Luis se mudou para São Paulo em novembro de 2025, por motivos profissionais. Ele já conhecia a Baixada Santista, pois a empresa em que trabalhava possui um escritório na região, que o jovem havia visitado algumas vezes. Os familiares permaneceram no Pará durante o desaparecimento e acompanharam as investigações. De acordo com a advogada, dificuldades financeiras e a distância impediram que eles viajassem a São Paulo para participar das buscas. Relembre o caso José Luis morava no bairro Bela Vista, na Capital, e viajou à Baixada Santista após descobrir que havia sido enganado por um falso intermediador durante a negociação do seu veículo. Abalado emocionalmente, passou por Santos antes de seguir para Guarujá, onde foi visto pela última vez. Para A Tribuna, Bianca informou, na época, que as investigações ainda não haviam apresentado respostas conclusivas sobre o desaparecimento. Entre os avanços da apuração estavam a obtenção de imagens do jovem no Estiva Club, em Santos, e o contato com o motorista que o levou até a Praia das Astúrias. Uma das principais dificuldades, porém, era a ausência de imagens do condomínio em frente ao qual José Luis foi deixado. Segundo Bianca, os registros são armazenados por apenas sete dias e foram solicitados após esse prazo. “As imagens foram perdidas, pois só ficam guardadas por sete dias e a requisição foi posterior a esse prazo”, explicou. A advogada também informou que amigos realizaram buscas pela região, mas não conseguiram localizar o analista de sistemas. Acesso à conta bancária intriga defesa Outro ponto considerado importante para esclarecer o desaparecimento envolve a conta bancária de José Luis. Segundo as advogadas que acompanham o caso, houve registros de acesso à conta por outro dispositivo em 9 de outubro, um dia após o desaparecimento. A defesa solicitou a quebra do sigilo bancário do jovem para verificar possíveis movimentações, transferências ou saques que ajudem a esclarecer o que aconteceu. Além dos dados bancários de José Luis, as advogadas solicitaram informações sobre a conta que recebeu o dinheiro do golpe, registros de antenas de telefonia celular e dados de acesso a serviços digitais. Também foram solicitados ofícios às operadoras de telefonia para verificar se o analista adquiriu outro número de telefone, além de pedidos ao Google e ao WhatsApp para obter registros que possam contribuir para esclarecer o caso. Golpe de R\$ 24 mil antecedeu desaparecimento O desaparecimento ocorreu após José Luis cair em um golpe durante a venda do próprio carro, anunciado nas redes sociais. Segundo Bianca, um homem entrou em contato com o jovem e se ofereceu para intermediar a negociação. A compradora depositou R\$ 24 mil na conta indicada pelo suposto intermediador, acreditando que o pagamento seria repassado ao proprietário. José Luis, por sua vez, entregou o veículo sem receber o dinheiro. Dessa forma, ambos foram vítimas da fraude. O jovem chegou a gravar um vídeo chorando e relatando o ocorrido. Nas imagens, demonstrava estar profundamente abalado, mas afirmava que a compradora não tinha responsabilidade pelo golpe. Segundo a advogada, o carro permanece com a compradora. A transferência de propriedade, entretanto, não foi efetivamente concluída devido a um bloqueio no veículo. A mulher chegou a registrar um boletim de ocorrência no 46º Distrito Policial, em Perus, na Capital. A defesa informou que já identificou a pessoa que recebeu os R\$ 24 mil, mas ainda não dispõe de elementos suficientes para confirmar a identidade do responsável pela fraude. O caso é investigado pela Delegacia de Pessoas Desaparecidas do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio do 46º Distrito Policial (DP), em Perus.