[[legacy_image_223553]] Uma moradora de Cubatão teve um pedido de liminar concedido pelo juiz da 4ª Vara Cível da Cidade, Gustavo Henrichs Favero, para derrubar um canal do Telegram e conseguir os dados do criador da comunidade virtual. Neste grupo foi postado uma foto editada da jovem nua e sua rede social associada à imagem. O Telegram teria que pagar uma multa de R\$ 1 mil por dia caso não acatasse a decisão. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A estudante, de 21 anos, notou uma movimentação estranha em seu Instagram no começo de outubro. Segundo a vítima - que teve a identidade preservada -, novos seguidores e curtidas nas fotos de perfis de homens entre 40 a 50 anos começaram a surgir em sua rede social, alguns pareciam ser falsos. A suspeita da jovem partiu da visibilidade repentina. “Um dia, recebi uma mensagem de um desses seguidores, que não tenho vínculo algum e não o conhecia. Ele comentou que uma foto minha estava sendo divulgada e me explicou que tinha um grupo de Telegram e que essa imagem estava lá. Foi através dele, que eu recebi a foto e o print do grupo”, relata. A foto enviada pelo seguidor desconhecido causou estranheza na estudante. Ela não sabia da existência dessa imagem. “A foto que estava sendo divulgada, eu estava totalmente nua. E a foto original, foi tirada na casa da minha amiga de biquini”, conta. Após uma busca pela sua galeria, a jovem encontrou um vídeo que foi postado em seu story de biquíni. Um frame foi retirado da postagem e utilizado para fazer a edição que a deixou nua na foto. “Isso me abalou muito. Nunca tinha acontecido isso comigo e não conheço ninguém ao meu redor que já tenha passado por uma situação como essa. Meus seguidores aumentaram, com muitos homens me seguindo, e isso me incomodava. Tive que privar o meu perfil”, relembra. À medida em que os novos seguidores chegavam na rede social, a jovem se lembrava da imagem editada. Ela conta que, em determinado momento, apagou as fotos que havia postado e mudou seu nome, para não ser facilmente encontrada pelos participantes do canal. “De primeira, eu fiquei muito assustada. Chamei minha mãe e chamei minhas primas também. Elas me buscaram e a gente foi para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Eles (família da vítima) me deram muito apoio, porque era uma situação que não tinha cabimento. Não julgo quem tira fotos assim, mas era nítido que se tratava de uma montagem”, diz. O canal em que a montagem foi divulgada sem sua autorização tem mais de 9 mil inscritos saiu do ar nesta quinta-feira (21). O Telegram deverá fornecer para a defesa dela todas as informações de IPs, logos de acesso, porta lógica e mensagens trocadas nos últimos 30 dias no perfil do criador do grupo. “Me senti muito exposta. É muito chato isso, fiquei muito mal, porque me senti muito culpada, mesmo sabendo que não era responsável por essa situação. Já tenho crise de ansiedade e isso só potencializou”, comenta. A defesa da jovem ficou com o advogado Murillo Marques, da Marques e Mazzeo Neto Sociedade de Advogados. O especialista em direito digital e proteção de dados explica que a decisão faz com que o canal tivesse que ser retirado do ar imediatamente. “Nós, avaliando o caso, decidimos que a melhor estratégia seria entrar com uma liminar na justiça para que a gente obtivesse um resultado mais rápido, diante da urgência do caso. Afinal de contas, era uma foto íntima editada”, afirma. O especialista também informou que o recurso utilizado para retirar a roupa da jovem na imagem foi o ‘deepfake’, uma técnica que utiliza recursos de inteligência artificial para chegar o mais próximo possível da realidade. “Nesse caso, foi utilizado essa tecnologia para simular que a vítima estivesse nua, sendo que na foto original ela estava vestida”, explica. Agora a defesa da vítima, por dados fornecidos pelo Telegram, irá investigar quem é a pessoa por trás do canal para tomar as medidas legais contra o suspeito. “Queremos chegar na identificação dos responsáveis que fizeram a montagem e a divulgação dessa foto também”. “Na grande maioria dos casos é possível identificar os responsáveis, principalmente com base nas legislações de proteção de dados que temos atualmente. Ainda assim, existe um desafio porque hoje em dia existem diversos recursos para se tornar um anônimo dentro da internet”, conclui. Até o fechamento desta Reportagem, o Telegram não se posicionou sobre o caso da estudante. ONG ajudou a resolver o problemaA GirlUp Caiçara, que é um movimento sem fins lucrativos, ajudou a jovem a resolver o caso. A ONG tem como objetivo prevenir a violência de gênero e promover a equidade de gênero dentro das comunidades e escolas. 'Nessa situação, recebemos a denúncia, levamos para os advogados mais capacitados dentro da nossa rede de apoio e estivemos presentes nas demandas externas, como a ida à delegacia para prestar depoimentos, desde lá seguimos acompanhando de perto o desenrolar dentro da justiça". A ONG ressalta que se alguém passou por algo parecido ou sofreu algum tipo de violência de gênero, seja psicológica, moral, física ou sexual, entre em contato pelo e-mail é girlup.caicara@gmail.com ou pelo telefone é (13) 988031705.