Crime aconteceu no último dia 8 de dezembro; câmeras de segurança mostraram o momento que a menor entrou no carro do estuprador (Reprodução) Pouco mais de três meses após uma adolescente autista de 15 anos, moradora de São Vicente, ser estuprada por um homem que conheceu na internet, o crime continua sem respostas. Para A Tribuna, além de cobrar respostas das investigações, a mãe da menor, que terá sua identidade preservada, informou que registrou um boletim de ocorrência contra a Prefeitura de São Vicente por negligência no atendimento médico e por parte do Conselho Tutelar municipal (entenda mais abaixo). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Há muita demora no caso, e não sabemos o que está por trás”, protestou a mãe, que reafirmou seu desejo por Justiça. “Eu vou atrás até o fim, quero que todos sejam punidos”, desabafou a mulher. O crime foi cometido no dia 8 de dezembro do ano passado, em uma casa no bairro do Marapé, em Santos. Na ocasião, um homem ainda não identificado foi até a casa da vítima, então com 14 anos, com quem trocava mensagens. Ele a convenceu a descer do apartamento onde mora e a entrar em seu carro. Câmeras de segurança flagraram o momento em que a menina entra no veículo. O advogado que representa a vítima, Leandro Santos, informou que a família da menor espera a conclusão do inquérito policial, o qual, segundo ele, está mais demorado do que o comum. “Em conversa com a delegada, nos foi informado que foi necessário construir mais provas, uma vez que o crime não foi em flagrante delito e, para elucidar, os fatos, foi necessário realizar perícia em aparelho celular e oitiva das partes e de testemunhas”, explicou. A Tribuna procurou a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP-SP) para um posicionamento sobre o andamento das investigações. Em nota, a pasta informou que o caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos. “Laudos periciais estão em elaboração e, assim que concluídos, serão encaminhados para análise. Outras diligências serão realizadas para o esclarecimento do caso”, disse a SSP, que preservou detalhes devido à natureza da ocorrência. Negligência A mãe da adolescente contou que, por orientação do advogado, registrou um boletim de ocorrência contra a Prefeitura de São Vicente para denunciar negligência do Pronto Socorro (PS) Central e do Conselho Tutelar da cidade. Segundo ela, na unidade de saúde, não foram aplicados todos os medicamentos necessários para a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, o que foi constatado posteriormente, quando a menina foi encaminhada pelo convênio ao Centro de Testagem e Acolhimento (CTA) Betinho. Em relação ao Conselho Tutelar, a mulher afirma que em momento algum foi procurada para ser assistida. “Ninguém, em nenhum momento, veio nos procurar, saber como ela se encontra, como ela está. Além de ela ser uma adolescente, ela tem o Transtorno do Espectro Autista, e isso é o que causa mais absurdo e indignação para mim”, protestou. O que diz a Prefeitura? Questionada sobre as denúncias feitas pela mãe da adolescente, a Prefeitura de São Vicente informou que o Conselho Tutelar adotou todas as medidas cabíveis após ser acionado, “tomando as devidas providências para localizar e atender a família da adolescente, visando prestar todo suporte e rede de apoio necessários”. Segundo o conselho, foi enviada uma notificação formal ao endereço informado, convocando a família para comparecimento na sede do órgão para atendimento e possíveis encaminhamentos, a qual foi reiterada. Além disso, o órgão afirma que tentou contato telefônico e fez duas visitas domiciliares, mas não foi atendido em nenhuma das ocasiões. O posicionamento do Município foi contestado pela defesa da adolescente. “Nunca houve essas tentativas por parte do conselho”, afirmou o advogado Leandro Santos. Quando o caso foi noticiado por A Tribuna, em 15 de janeiro, o Município foi procurado e, na ocasião, informou que abriu uma sindicância interna para apurar os fatos relatados pela mãe da adolescente. Questionada novamente na sexta-feira (14), a Prefeitura não deu atualizações sobre esse processo. Relembre O crime aconteceu no fim da noite de 8 de dezembro do ano passado. Por volta das 23h, enquanto a mãe da vítima tomava banho e o irmão dormia, a adolescente saiu do apartamento onde vivem, no bairro do Catiapoã, e entrou em um carro preto. Segundo o boletim de ocorrência, dentro do veículo, a menina foi atingida na cabeça e, em seguida, foi levada para uma casa no bairro do Marapé, em Santos, onde foi violentada. Depois disso, ela foi levada até a Avenida Presidente Wilson, onde foi abandonada. Para a reportagem de A Tribuna, a mãe explicou que a menor conseguiu voltar para casa após pedir ajuda a um taxista, que a levou de volta. A mãe foi à delegacia acompanhada da filha para o registro do boletim e, em seguida, foram ao Pronto Socorro (PS) Central de São Vicente, onde a jovem foi atendida.