Motorista de aplicativo é acusado de importunação sexual contra jovem (Imagem ilustrativa/Pexels) Uma jovem de 21 anos afirma ter sido perseguida e sofrido importunação sexual por um motorista de aplicativo, de 45, na madrugada da última segunda-feira (8). O caso ocorreu após uma corrida solicitada pela Uber em Santos, onde a vítima contou ter aconselhado o homem a procurar ajuda religiosa para se reerguer depois de descobrir uma traição. A plataforma afirma que o suspeito teve a conta desativada após ter ciência do caso. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A corrida aconteceu na tarde do dia 8 de dezembro e, durante o percurso, a jovem disse não ter notado nenhum comportamento estranho dele, apenas quando o motorista insistia em conversar o tempo todo. Entretanto, o acusado teria se aproveitado da companhia dela para desabafar sobre uma suposta traição que teria sofrido. Porém, ao dizer que tinha perdido as esperanças na vida, a jovem comentou que aconselhou o motorista a procurar uma ajuda religiosa e indicou um local. Foi quando o homem teria lhe pedido para enviar o endereço pelo Instagram e a vítima aceitou. O primeiro contato aconteceu horas após a viagem e a vítima respondeu apenas no dia seguinte com o endereço do centro religioso. Desde então, a jovem começou a ser constantemente elogiada pelo suspeito e narrou nunca ter respondido aos elogios. “Nunca dei liberdade para ele conversar ou me chamar para fazer alguma coisa”. Quando acordou na manhã de terça-feira (9), a mulher percebeu que a situação havia chegado no limite. O motorista havia lhe enviado um vídeo mostrando e manipulando o órgão genital, indicando que as fotos do perfil da jovem teriam lhe deixado ‘excitado’. Também confessou que sempre acabava se masturbando pensando nela. “Dentro do carro, ele só foi muito simpático, conversando bastante sobre a vida, mas nada demais, relacionado a outros sentidos. Ele comentou sobre o relacionamento dele, que a mulher o traiu, e a gente foi conversando. Até que entrou em uma parte espiritual na conversa, que ele não estava se encontrando mais onde ele estava e não via mais esperança em nada”, ressalta. Parte das mensagens enviadas pelo motorista à jovem (Arquivo Pessoal) Chocada com a situação, a vítima citou ter aguardado pelo namorado para tomar uma atitude. “Me senti muito incomodada, porque eu não respondia nenhuma mensagem dele. Olhei, não respondi e esperei meu namorado chegar em casa. Mostrei e ele mesmo respondeu a mensagem. Logo em seguida, a gente fez a denúncia”. O perfil do motorista foi bloqueado pelo namorado da vítima. “Me sinto bem desrespeitada, porque em momento algum me exponho na internet e nem dou liberdade para as pessoas estranhas. Então, nem teve um contato ali, um consentimento e (o motorista) se achando no direito de mandar um vídeo desse. Me sinto às vezes com medo. Foi só pela internet, mas o que poderia acontecer se fosse pessoalmente?”, questiona a vítima, em entrevista para A Tribuna. Procurado, o motorista negou o ocorrido e afirmou ser uma mentira. O homem também citou que alguém deveria estar tentando lhe prejudicar. Sobre o conteúdo das mensagens, reforçou que só poderiam ter ocorrido se a sua conta tivesse sido invadida. Investigações Conforme apurado pela reportagem de A Tribuna, o motorista de aplicativo tem outro boletim de ocorrência por violência doméstica registrado contra ele. A Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) informou que o caso foi registrado na Delegacia de Guarujá e o homem será investigado pelo crime. Outros detalhes não foram informados devido à natureza da ocorrência. Posicionamento A Uber, por meio de sua assessoria, reforçou que considera inaceitável qualquer tipo de comportamento abusivo contra mulheres e destacou acreditar na importância de combater e denunciar casos de assédio e violência. Sendo assim, a plataforma garantiu que o motorista teve a conta desativada da plataforma. Além disso, a Uber se colocou à disposição para colaborar com as autoridades no curso das investigações e relembrou que a empresa conta com um canal de suporte psicológico, que foi disponibilizado à usuária após o incidente ter sido relatado.