“Estou me sentindo uma prisioneira dentro da minha casa, na minha Cidade”, desabafa a jornalista Marta de Azevedo Silvares, de 62 anos. Ela relata ter sido ameaçada e perseguida por uma mulher em situação de rua após reclamar da presença de um cachorro em uma farmácia na Avenida Epitácio Pessoa, no Boqueirão, em Santos, na tarde da última segunda-feira (6). Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo Marta, o animal, de grande porte, estava solto no estabelecimento. “Eu falei que farmácia não é lugar para ter cão. Não sei se é bravo, se é vacinado. São um risco e falta de higiene num estabelecimento de saúde”, afirma ela, que é tutora de cinco lulus-da-pomerânia e diz gostar de cães. De acordo com a jornalista, a funcionária se recusou a agir, alegando “falta de humanidade” por parte dela. A sem-teto ouviu a conversa e começou a ameaçar Marta de morte, aos gritos. Desespero A moradora conta que tentou fugir, mas foi alcançada, e a mulher segurou seu pescoço. “Ela estava me alcançando, e eu entrei em desespero profundo”. No entanto, conseguiu se abrigar em um estabelecimento comercial próximo, onde teve ajuda. A sem-teto ficou na porta da loja proferindo ameaças, e a jornalista chamou a Polícia Militar. “A PM me mandou ficar em frente à farmácia. Como é que eu vou ficar em frente à farmácia se a mulher estava na rua querendo me matar?” Segundo ela, não houve encaminhamento da ocorrência por não haver flagrante. Na tarde de terça-feira, Marta registrou boletim de ocorrência de ameaça e injúria no 7° Distrito Policial, pelo qual o caso será investigado. Respostas O 6º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I) confirmou que uma equipe foi chamada e “os policiais realizaram contato com as partes envolvidas e adotaram as orientações cabíveis”. A PM se pôs à disposição pelos telefones 190 e 181 (Disque Denúncia). A Prefeitura informou que a Guarda Civil Municipal (GCM) não foi acionada e orientou que se deve ligar para 190 ou para 153 (GCM) em casos de violência ou 192 para surtos (Samu). A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social afirmou que mantém abordagem contínua a pessoas em situação de rua, incluindo a região citada na reportagem, com oferta de acolhimento e encaminhamentos. Acrescentou que se respeita a legislação federal, que proíbe a retirada forçada de cidadãos de espaços públicos. A rede de farmácias Pague Menos informou que reforçará os protocolos de segurança e as diretrizes de atendimento com as equipes das lojas. “A companhia lamenta o desconforto gerado e reitera seu compromisso com um ambiente seguro e acolhedor a todos.”