A ligação com a máfia italiana foi identificada pela Polícia Federal (Polícia Federal/ Divulgação) A Polícia Federal identificou uma ligação entre investigados por tráfico internacional de drogas e a máfia italiana 'Ndrangheta durante as apurações da Operação Narco Sky, deflagrada em Santos, no litoral de São Paulo. Segundo a corporação, a organização criminosa teria enviado mais de 2,3 toneladas de cocaína do Brasil para países da Europa e da África em apenas um ano, utilizando rotas marítimas internacionais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A conexão consta na decisão da 5ª Vara Federal de Santos, que autorizou dez mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão contra integrantes do grupo. A decisão também determinou o bloqueio e o sequestro de mais de R\$ 631 milhões em bens, valores e criptoativos vinculados aos investigados. Conforme o documento, as investigações revelaram um esquema complexo com a 'Ndrangheta, considerada uma das mais poderosas organizações mafiosas do mundo e com presença em mais de 40 países. "Ficou evidenciado a existência de uma estrutura hierarquizada, com especialização técnica e alta capacidade de articular operações transnacionais realizadas, inclusive, com a organização mafiosa italiana 'Ndrangheta, com integração logística, comunicação segura e recursos patrimoniais", destacou a decisão judicial. A Justiça também autorizou a inclusão de dois investigados na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localização e captura internacional de foragidos. A medida foi adotada diante da possibilidade de que o sérvio Antun Mrdeza, conhecido como Nikola Boros ou Jhon Gotti, e Alejandro Salgado Vega, o Tigre, estejam fora do Brasil. Novo centro de comando global do narcotráfico De acordo com a Polícia Federal, os dois são apontados como lideranças europeias da organização criminosa. Antun foi identificado pelos investigadores como integrante de um novo centro de comando global do narcotráfico. Segundo informações compartilhadas por autoridades colombianas, ele faria parte de uma rede internacional responsável pela movimentação de alguns dos maiores carregamentos de cocaína do mundo e é alvo de investigações em pelo menos sete países. Também são alvos da operação Marco Aurélio de Souza, conhecido como Lelinho; Pedro Alonso Camacho Fernandez, o Vince; Rafael Gonçalves Sayão, o Cabelinho; Antônio Greg Ribeiro Pinheiro, o Fisherman; Fábio Rodrigues Ulhoa Cintra, o Sapão; Walter Pires Junior, o Waltinho; Ivan de Freitas Santos, e Klaus de Castro Rios Motta e Silva. Operação Narco Sky A Operação Narco Sky foi deflagrada pela Polícia Federal na semana passada, na terça-feira (2), como desdobramento da Operação Narco Vela. Ao todo, cerca de 30 policiais federais participaram da ação, cumprindo os mandados nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Pará. De acordo com o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), as investigações contaram com cooperação jurídica internacional e tiveram como base provas compartilhadas por autoridades francesas. Os dados foram obtidos a partir de servidores da plataforma de comunicação criptografada SKY ECC. Na decisão, a Justiça destacou que a plataforma teria sido amplamente utilizada pelos investigados, para ocultar negociações relacionadas ao envio de carregamentos de cocaína para a Europa, utilizando sistemas avançados de criptografia para dificultar a interceptação e o rastreamento das comunicações por autoridades. Segundo a PF, as apurações apontam que a organização criminosa planejou o transporte ilegal de 2.359 quilos de cocaína em operações realizadas em 2020, envolvendo portos brasileiros e também da Espanha, Itália e Holanda. Segundo a decisão judicial, as provas técnicas indicam que o grupo atuava com divisão estruturada de funções. Conforme descrito no processo, haveria um núcleo de direção e financiamento localizado fora do Brasil, responsável por fornecer recursos e tomar decisões estratégicas, além de um comando nacional encarregado da coordenação logística no território brasileiro. Já as células operacionais seriam responsáveis pelo preparo, armazenamento e movimentação da droga. Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico.